«Álvaro Cunhal é uma personalidade marcante, em Portugal e no mundo

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Aprender, aprender sempre - 6 (ou reflexões lentas e anónimas)

de dias de agora:

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Mas agora, neste começo de manhã, ainda queria deixar alguma coisa sobre o artigo-testemunho do Borges Coelho sobre Álvaro Cunhal na Seara Nova.
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Encerrar o episódio em que sinto muito ter aprendido.
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Emocionando-me, mas sem perder a permanente atitude crítica, sem deixar de procurar o fundo das coisas, de buscar a compreensão do que está por detrás, ou a raíz das conexões.
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Escreve BC, para acabar o seu comovente testemunho (reitero sempre esta minha adjectivação), que “nos últimos anos, meio cego, compararam-no ao rei Lear (a Cunhal… mas quem o fez?), mas a mente continuava ágil”, o que parece ser uma mistura do que não é misturável: a comparação com o rei Lear (feita por quem?), a sua lucidez, e intervenção militante até ao fim, e o estar quase cego.
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Depois, BC diz que AC “não saía”, e que melhor se diria que saía pouco (uma vez que até ao fim foi aceitando convites, e fez depoimentos e deu entrevistas à comunicação social, até em casa, a Judite de Sousa por exemplo), o que se compreenderá pela idade e estado de saúde.
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Mas dizer que AC não saía porque “queria preservar a imagem e a dignidade (porque) sabia que era um símbolo, quase mítico, de décadas de luta e sacrifício”, parece-nos afirmação arrojada e interpretação demasiado subjectiva, colocando razões em outros que o outro não pode confirmar ou infirmar.
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Nem o faria. Decerto...
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E se Cunhal sempre – e não só depois do XX Congresso do PCUS e do relatório Krutchev – combateu o culto da (pelo menos da sua) personalidade, não seria a preservação do seu valor de símbolo, de mito, que o levaria a “não sair”, a não continuar, nas condições em o podia fazer, a intervir coerente e militantemente. 
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Que houve quem procurasse defendê-lo, pela sua idade e estado de saúde, isso decerto acontecia, até por afecto e humanidade, mas AC nunca se teria poupado para preservar imagem e “qualidade” de mito.
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O que sempre terá  querido, e hoje se pretende assinalar com toda a dignidade, foi ser exemplo de determinação e coerência.
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Mas, que fique muito claro, para estas folhas quase confessionais: estas reflexões em nada pretendem diminuir o impressionante (comovente!) testemunho de Borges Coelho, um marco nestas comemorações.
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Antes aproveitá-lo para mais um pouco aprender com Álvaro Cunhal, e com a decisão de se fazer de 2013 o ano do seu centenário.
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Aprender, aprender sempre - 5 (ou reflexões lentas e anónimas)

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E, continuando as reflexões lentas, ou a aprender, a aprender sempre, é decerto verdade, como escreve Borges Coelho no seu comovente testemunho na Seara Nova, que “A queda do muro de Berlim e o colapso da União Soviética feriram-no (a Álvaro Cunhal) profundamente (…)”,
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e sendo também decerto certo que “mas não destruíram a sua confiança”, já nos parece muito pouco certo que essa confiança não destruída de Álvaro Cunhal fosse nas “promessas da história e da teoria”.
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Cunhal não tinha, decerto (insiste-se…), confiança em promessas, mas teria confiança num futuro alicerçado na que era a sua leitura de História e na base teórica em que assentava a sua coerência, as suas certezas, o que lhe evitava atormentação provocada pelas suas dúvidas.  
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“queda do muro de Berlim” e o “colapso da União Soviética” teriam feito cair muitas certezas sem dúvidas, teriam feito colapsar muitas confianças baseadas em promessas mal fundadas, mas não foi esse o caso – decerto…reinsiste-se – de Álvaro Cunhal.
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(continuaremos
... decerto)

quinta-feira, 30 de maio de 2013

AMARANTE


Biblioteca Municipal mostra exposição

“Álvaro Cunhal, Centenário

AMARANTE – A Biblioteca Municipal Albano Sardoeira vai inaugurar, a 8 de junho, pelas 15:30, a exposição “Álvaro Cunhal, Centenário” que inclui os “Desenhos da prisão”, de sua autoria, assim como, algumas obras literárias do ex-Secretário Geral do Partido Comunista Português.
Programa:
Dia 8
14:30 – Sessão de abertura/projeção de documentário “Álvaro Cunhal: a vida de um resistente
15:30 – Abertura da exposição ao público
» Apresentação do sítio do fotógrafo Eduardo Teixeira Pinto (www.eduardoteixeirapinto.com)
Dia 12
10:00 – Projeção de documentário “A fuga de Peniche”
14:30- Conferência “Álvaro Cunhal e a luta pela liberdade”, com a presença de Jaime Toga, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP
Dia 13
10:15 – Hora do Conto “Os barrigas e os magriços”
11:00 – Teatro de Fantoches “Os barrigas e os magriços”
Dia 15
15:00 – Sessão de Encerramento

Vila Nova de Paiva



Álvaro Cunhal lembrado através do conto

 

Filomena Pires da Comissão das Comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal
 
No âmbito das comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal, a comissão das comemorações no distrito de Viseu promoveu, na terça-feira, dia 28 de maio, uma sessão de conto no Auditório Carlos Paredes, em Vila Nova de Paiva. Filomena Pires contou o conto “Os Barrigas e os Magriços!” de Álvaro Cunhal.
“ Reconhecendo nesta figura ímpar da nossa história a concretização de valores democráticos, entendeu-se legar aos mais novos, sob a forma de sessão de conto, um exemplo de vida e de luta que se projecta na atualidade e no futuro”, justificou Filomena Pires
“A música de Barata Moura e as ilustrações de meninos de Portimão deram mais cor e brilho ao espaço, animado ainda com a beleza de bolas de sabão esvoaçantes a alimentar o sonho de um mundo mais justo e mais humano. Também A Gaivota foi cantada em coro e ritmada pelas palmas infantis que assim manifestavam o agrado sentido”, descreve a organizadora.
No final foi conduzida uma visita à exposição patente no foyer do auditório, onde os alunos ficaram a conhecer apontamentos biográficos e os desenhos da prisão da autoria de Álvaro Cunhal.

Aprender, aprender sempre-4 (e reflexões lentas e anónimas)

de dias de agora:

(...) depois, li melhor os três últimos parágrafos e, sem nada retirar ao grande prazer (dorido) que me deu todo o testemunho do Borges Coelho na Seara Nova, um testemunho comovente (é o termo certo), e esses três últimos parágrafos fizeram-me (re)pensar e perceber, ou perceber melhor... mais ao fundo, algumas coisas verdadeiramente importantes… sobre (a partir do) Álvaro Cunhal e do Borges Coelho.
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No antepenúltimo parágrafo, por exemplo(s), sobre a “prática socrática e cartesiana da dúvida para atingir a verdade” com que BC teria interpelado AC (“falei ao Álvaro na…”),
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e que este não teria posto em causa, mas a que teria respondido que “as dúvidas não o atormentavam”
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Desde logo, considero haver uma enorme diferença entre “a prática socrática e cartesiana da dúvida” (metódica, sistemática) e “aS dúvidaS”
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e não pôr em causa aquela prática – “para atingir a verdade” (!)… – em nada contradiz não se ser atormentado por dúvidas ao percorrer um caminho traçado.
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Porque quem conscientemente traça um caminho, decerto o faz a partir das certezas do momento em que o traça, e estas não têm de ser postas em causa pelas dúvidas que o irão assaltando (e atormentando), embora o possam perturbar se, tomando o lugar de algumas certezas, forem dúvida sistemática e sobre tudo.
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Ora Álvaro afirma, desde muito novo, as suas certezas e… que, para além delas, tem dúvidas.
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O seu artigo, de 1939, "um problema de consciência", para O Diabo, é muito esclarecedor.
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AC tem a certeza, com outras resultantes da sua “leitura da História”, de que a sua existência é efémera (dizia Cesário Verde “se eu não morresse, nunca…”), que a História é um fluir em que cada um intervém, influencia, e ele escolhe, em consciência, o sentido que quer que essa influência tenha., não angustiado pelo que já teria feito (e pelas dúvidas) mas determinado pelas certezas para viver o tempo que ainda possa ter de vida.
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Parece-nos excessivo, ou abusivo, que, pelo facto das dúvidas não atormentarem quem tem um caminho traçado, isso possa levar à interpretação de que esse caminho é inflexível, inalterável.
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E não ter dúvida quanto ao fim e quanto ao fluir da História nunca autorizará concluir que não se tem duvidaS quanto ao(s) modo(s) e ao(s) tempo(s).
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Aliás, e porque é reincidente, esta “subtileza gramatical” do singular e dos plurais suscita a abertura de um parêntese para a questão das liberdades e da liberdade, cujo “reino” só se poderá alcançar depois de ultrapassado o “reino da necessidade”… por mais liberdades que se vão conquistando, e independentemente da evolução das necessidades.

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Cunhal, Aquilino e Baptista Ferro


Cunhal, Aquilino e Baptista Ferro

Comunistas e admiradores indefectíveis de Álvaro Cunhal, oriundos de perto e de longe, lotaram por completo, este domingo, 26 de Maio, o auditório municipal de Moimenta da Beira, onde o líder histórico do PCP foi evocado no âmbito de um programa promovido pela Comissão Organizadora das Comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal, que decorrem em todo o país.

Na sessão evocativa, outras duas personalidades anti-fascistas seriam também relembradas como “homens sem medo”: Aquilino Ribeiro e Amadeu Baptista Ferro.

Agostinho Lopes, deputado do PCP na Assembleia da República, um dos oradores do colóquio “Álvaro Cunhal e a luta e organização dos Pequenos Agricultores e Compartes dos Baldios”, centrou mesmo a sua intervenção em Aquilino e no livro do mestre “Quando os Lobos Uivam”, alertando que “há novamente lobos a uivar nas nossas terras”, um aviso feito no preciso momento em que o actual Governo PSD/CDS-PP se prepara para alterar a Lei dos Baldios, que pode fazer perigar a posse da terra pelos compartes.

João Frazão e Manuel Rodrigues, membros do Comité Central do PCP, relembraram a figura e a luta de Cunhal na defesa dos povos mais desprotegidos, e o combate no apoio à agricultura e à produção nacional. “Pagaram para deixarmos de produzir”, lembrou João Frazão, denunciando as actuais dificuldades por que passam os pequenos produtores e agricultores “que sempre tiveram do seu lado Aquilino Ribeiro e Baptista Ferro”.

“Moimenta é uma terra de liberdade”, sublinhou José Eduardo Ferreira, presidente da autarquia, no discurso de boas vindas que proferiu na cerimónia de evocação a Álvaro Cunhal, que fez sentar também à mesa João Silva, presidente da Cooperativa Agrícola do Távora, instituição que agrega milhares de pequenos produtores de vinho e maçã da região. 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Colóquio

«Álvaro Cunhal e a luta e organização dos Pequenos Agricultores e Compartes dos Baldios, em Moimenta da Beira»


Pelo exemplo de concelho de pequena propriedade agrícola e de agricultura familiar onde os agricultores adoptaram formas de organização cooperativa bem sucedidas. Pela sua ligação intrínseca ao escritor Aquilino Ribeiro, que imortalizou na sua obraQuando os Lobos Uivam” a gesta heroica dos povos serranos em defesa da propriedade comunitária dos Baldios, o PCP escolheu Moimenta da Beira, para a realização do Colóquio: “Álvaro Cunhal e a Luta dos Pequenos Agricultores e Compartes dos Baldios”.
Esta iniciativa, que se insere no programa nacional de comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal, terá dois momentos distintos, sendo o primeiro às 12 horas, em Soutosa, junto ao busto de Aquilino Ribeiro, com a Evocação do Cinquentenário da sua morte e a deposição de uma coroa de flores. Pelas 14 horas e 30 minutos, no Auditório Padre Bento da Guia, em Moimenta da Beira, iniciar-se-á o Colóquio, que terá intervenções de Agostinho Lopes, ex-deputado e membro do Comité Central do PCP, de João Frazão, da Comissão Política do Comité Central do PCP, do Professor João Silva, Presidente da Cooperativa Agrícola do Távora, de José Eduardo Ferreira, Presidente da Câmara Municipal de Moimenta da Beira e de Manuel Rodrigues, Presidente da Balflora – Secretariado Distrital dos Baldios e membro do DORV e do Comité Central do PCP.
Ao contrário do que os inimigos da Revolução de Abril mentirosamente propalaram, O PCP nunca defendeu a colectivização da terra fora das zonas do grande latifúndio subaproveitado e improdutivo, do Alentejo e Ribatejo. Desmentindo essa atoarda maldosa, o PCP dedicou sempre uma atenção especial à posse da terra pelos pequenos agricultores e rendeiros, bem como à sua organização de classe, apoiando e dinamizando a criação de estruturas que deram sustentabilidade à actividade agrícola e apoio à comercialização das produções, com vista à elevação dos rendimentos e consequente melhoria da condição de vida dos agricultores.
Foi a luta e a proposta do PCP que conduziram antes e depois do 25 de Abril a formas inovadoras de organização dos agricultores do norte e centro do país: O MARN e o MAPRU, movimentos dos agricultores que pugnavam pelos direitos dos camponeses rendeiros e pela generalização da Previdência Rural. Os Secretariados dos Baldios, que organizaram a luta pela posse e gestão dos baldios pelos compartes. As Ligas e Associações camponesas que desempenharam e em muitas regiões ainda desempenham um papel determinante na capacidade reivindicativa das populações rurais. A par de uma persistente luta para que fossem criados organismos de apoio à melhoria da produtividade e ao escoamento dos produtos agrícolas e pecuários, como são exemplo a EPAC, o IROMA, o SADA, e alguns mais.
Todo este labor e actividade política do PCP tiveram sempre o contributo e acompanhamento do camarada Álvaro Cunhal, quer através da responsabilidade de organismos de direcção para este trabalho, quer através da redação de documentos e publicações direccionadas para os pequenos agricultores, como foram “O Camponês”, ou o Jornal “A Terra”, órgão de unidade dos camponeses do norte.
Esta iniciativa está aberta à participação de todos os que se queiram deslocar ao Auditório Padre Bento da Guia. No final será servido umTávora de Honra.

Castro Verde

Castro Verde assinala Centenário do Nascimento de Álvaro Cunhal
Álvaro Cunhal é, no século XX e na passagem para o século XXI em Portugal, uma das personalidades que mais se destacou na luta pelos valores da emancipação social e humana, com forte projeção no plano mundial. Cedo fez uma opção de classe pelos direitos dos trabalhadores, foi militante e dirigente comunista. Interligou a sua intervenção política com um apaixonado interesse em todas as esferas da vida, nomeadamente pela criação artística.

Com o objetivo de assinalar, a nível nacional, o Centenário do Nascimento de Álvaro Cunhal foi criada uma Comissão Nacional constituída pela Associação Povo Alentejano, a Cooperativa Cultural Alentejana e a Casa do Alentejo, às quais se associaram um conjunto alargado de autarquias, entre as quais, a Câmara Municipal de Castro Verde, que vai promover um conjunto de iniciativas para assinalar a efeméride.

O
Programa das Comemorações do Centenário do Nascimento de Álvaro Cunhal em Castro Verde inicia no dia 3 de junho, com a abertura das exposiçõesVida, Pensamento e Luta: Exemplo que se projeta na atualidade e no futuro”, “Desenhos de Prisão de Álvaro Cunhal” e “Desenhos de Rogério Ribeiro, Ilustrações para o livroAté Amanhã, Camaradas”, programada para as 18h00, no Fórum Municipal de Castro Verde.

no dia 4 de Junho, o Fórum Municipal recebe a peça de Teatro “Os Barrigas e os Magriços”, pelo Teatro Fórum de Moura e Teatro Extremo, em duas sessões dedicadas aos alunos do Agrupamento de Escolas de Castro Verde, a 6 de Junho, 21h30, o mesmo espaço acolhe o ColóquioVida e Obra de Álvaro Cunhal”, por Abílio Fernandes e a 7 de junho será projeto o filmeAté Amanhã, Camaradas”, numa sessão que decorre no Auditório do Fórum Municipal, pelas 21h30.

As Comemorações do
Centenário do Nascimento de Álvaro Cunhal terminam no dia 8 de junho com um espetáculo musical evocativo, a ter lugar no Cineteatro Municipal de Castro Verde, pelas 21h30, e que conta com a participação de Luísa Bastos, Lúcia Moniz, Samuel e do Grupo Coral “Os Ganhões” de Castro Verde, que será apresentado por Cândido Mota.