«Álvaro Cunhal é uma personalidade marcante, em Portugal e no mundo

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Avenida Álvaro Cunhal em Buarco - intervenção deJerónimo de Sousa

INTERVENÇÃO DE JERÓNIMO DE SOUSA, SECRETÁRIO-GERAL, FIGUEIRA DA FOZ, ATRIBUIÇÃO DO NOME DE ÁLVARO CUNHAL A UMA AVENIDA DE BUARCOS

A vida, o pensamento e a luta de Álvaro Cunhal justificam a homenagem que o País lhe tem prestado

Senhor Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz,
Senhores Vereadores e senhores Membros da Assembleia Municipal,
Senhor Presidente da Junta de Freguesia de S. Julião,
Minhas senhoras e meus senhores,
Camaradas aqui presentes
Permitam-me que, em nome do meu Partido, saúde a decisão do Município da Figueira da Foz e o apoio dado pela Junta de Freguesia de S. Julião em distinguir essa grande e multifacetada personalidade do nosso Portugal contemporâneo – político e estadista de dimensão nacional e internacional, intelectual, homem da cultura e das artes - que foi Álvaro Cunhal, dando o seu nome a esta Avenida que agora se inaugura.
Figura fascinante, Álvaro Cunhal foi um combatente pela liberdade, a democracia e uma referência na luta pelos valores da emancipação social e humana no nosso País e no mundo.
Personalidade de invulgar inteligência, homem de firmes convicções, inteireza de carácter; político de acção e autor de uma obra notável, Álvaro Cunhal dedicou toda a sua vida e o melhor do seu saber, como dirigente do PCP, como Deputado, como Ministro da República nos governos provisórios de Abril, como Conselheiro de Estado, à causa dos trabalhadores, do seu povo e do seu País.
Estadista, dirigente político experimentado e prestigiado no plano nacional e internacional, estudioso e conhecedor da realidade portuguesa e das relações internacionais, Álvaro Cunhal combinou sempre uma esforçada intervenção concreta sobre a realidade, com uma profícua produção teórica para responder aos problemas da sociedade portuguesa e do seu desenvolvimento soberano, mas também aos problemas do mundo e da luta dos outros povos.
Álvaro Cunhal conhecia bem esta terra. Por aqui andou e aqui teve uma casa de apoio, e daqui partia para esse longo combate que travou contra a ditadura fascista, como membro do seu Partido de sempre – o PCP – que ajudou a construir de forma marcante a partir dos anos 40 e do qual foi Secretário-Geral.
Foi ainda muito jovem que Álvaro Cunhal começou a tomar partido nos grandes combates do seu tempo, fazendo a opção pelos direitos dos explorados e oprimidos e de se entregar inteiramente à causa emancipadora dos trabalhadores, da liberdade, da democracia, do socialismo.
Um compromisso de uma vida inteira, tomado quando o nosso País enfrentava já a tragédia do fascismo que haveria de oprimir o nosso povo por 48 longos anos e mover-lhe uma perseguição implacável.
Com um percurso de vida e luta de exemplar dignidade, resistindo com uma indomável determinação às mais terríveis e duras provas em dezenas de anos de vida clandestina e prisão nos cárceres fascistas.
Personalidade central da resistência ao fascismo, Álvaro Cunhal, foi um protagonista destacado presente nos mais significativos e importantes acontecimentos da nossa história colectiva do último século e princípios do presente.
Homem de Abril, Álvaro Cunhal, deu um contributo precioso com a sua acção, mas particularmente com essa obra notável que é o “Rumo à Vitória” e que, inquestionavelmente, apontou os caminhos criou condições para a Revolução libertadora de Abril, a sua defesa e consolidação, e para as profundas transformações revolucionárias operadas na sociedade portuguesa.
Obra marcante e que haveria de ter um grande impacto e influência em largos sectores do movimento democrático e na dinâmica e unidade das forças da Oposição ao regime de Salazar e Caetano.
Mas a dimensão política e de estadista não se revela apenas nos períodos da resistência ao fascismo e no período dos grandes avanços revolucionários.
A sua dimensão de político e estadista está patente nos combates em defesa das conquistas e realizações de Abril e dos seus valores, nas batalhas que travou em defesa da Constituição da República e do projecto que transporta.
Dirigente político experimentado, Álvaro Cunhal combinou sempre uma esforçada intervenção concreta sobre a realidade, com uma profícua produção teórica para responder aos problemas da sociedade portuguesa e à concretização de um projecto de desenvolvimento soberano do País.
Possuidor de uma densa cultura e de uma grande dimensão humanista, deixou-nos um valioso legado teórico de estudos e análise política e histórica, mas igualmente uma importante produção artística.
Um abundante e valioso património que reflecte um pensamento de grande riqueza e actualidade que é uma herança de todos os que aspiram construir um mundo melhor e mais justo, mas também mais belo.
No acervo de estudos e ensaio político abarcando uma diversidade de objectos e temas são célebres a tese pioneira sobre “O Aborto Causas e Soluções” (1940), o seu trabalho de análise sobre a realidade dos campos em a “Contribuição para o Estudo da Questão Agrária”, o seu estudo histórico sobre um período tão significativo para a própria independência do País e tão exaltante pelo papel que desempenhado pelo povo na Revolução de 1383/1385 e que trabalhou em “As Lutas de Classes em Portugal nos Fins da Idade Média”, mas também outros períodos da nossa história mais recente em “A Revolução Portuguesa. O Passado e o Futuro”, entre outros.
Uma abundante análise e um olhar permanente sobre os mais variados problemas do País e da vida internacional de eminente pendor político podem ser encontrados nos seus “Discursos Políticos” editados em 23 volumes, nas “Obras Escolhidas” e numa profusão de artigos e brochuras de revistas nacionais e internacionais.
Álvaro Cunhal interligou a sua intervenção revolucionária no plano político com um apaixonado interesse por todas as esferas da vida, nomeadamente na actividade de criação artística.
Autor de uma arte comprometida e por onde perpassa o povo que sofre e luta, Álvaro Cunhal, cria uma dezena de obras literárias, de onde emergem, como expoentes maiores, o romance Até Amanhã, Camaradas e a novela Cinco Dias, Cinco Noites, ambos escritos no isolamento total da Penitenciária de Lisboa. É na prisão que leva por diante a notável tradução do Rei Lear, de Shakespeare, desenha e pinta um vasto conjunto de quadros e produz o texto sobre estética Cinco Notas Sobre Forma e Conteúdo – matéria que voltará a abordar, mais tarde, após o 25 de Abril, no importante ensaio A Arte, o Artista e a Sociedade, uma obra onde se revela o valor social da criação artística.
A vida, o pensamento e a luta de Álvaro Cunhal justificam a homenagem que o País lhe tem prestado.
Uma homenagem que, neste momento de inquietantes fenómenos de regressão social e retrocesso civilizacional, tanto mais se justifica para demonstrar que os políticos não são todos iguais e que actividade política pode e deve ser uma actividade nobre.
Nesta matéria também Álvaro Cunhal nos deixa um imenso legado.
Deixa-nos desde logo esse grande o exemplo da entrega desinteressada ao serviço da causa justa que abraçou.
Uma concepção do exercício da actividade política entendida como realizada para servir o povo e o País e não interesses pessoais ou de grupo.
Uma concepção onde está presente a recusa de vantagens sociais e privilégios pessoais.
Uma concepção do exercício da actividade política conduzida por valores políticos éticos, desde logo o valor do respeito pela verdade.
Uma concepção que rejeita a demagogia, a retórica barata, a política espectáculo e as exibições teatrais ou a política de criação de “factos políticos”. Práticas que conduzem à impunidade, ao abuso do poder, à corrupção.
Dizia Álvaro Cunhal que “política é uma palavra digna. Significa uma orientação, uma proposta e uma intervenção destinada a resolver os problemas que se colocam na vida de qualquer sociedade”.
Álvaro Cunhal foi bem o exemplo do político que dignificou a actividade política, como uma actividade nobre, porque exclusivamente ao serviço da resolução dos problemas do País e do povo.
Num momento em que no País se afirma a necessidade de encontrar os caminhos do progresso e da justiça social, a luta, a obra e o pensamento de Álvaro Cunhal projectam-se como contributos inestimáveis para a conquista de um futuro que tenha como referência os valores de Abril – os valores da liberdade, da emancipação social, do Estado ao serviço do povo e não da exploração, do desenvolvimento visando a melhoria da qualidade do nível de vida dos portugueses, o pleno emprego, uma justa e equilibrada repartição da riqueza nacional, da soberania e independência nacionais.
É para nós inquestionável que são os povos que fazem a história, mas é inquestionável também que ela precisa do concurso dos homens certos e em cada momento, para lhe dar rumo e movimento. De homens como Álvaro Cunhal, que conhecendo a realidade e os desafios do seu tempo, são capazes igualmente de compreender e interpretar as aspirações mais profundas do povo e lhes dar um sentido!
Mais uma vez saudamos a decisão do Município da Figueira da Foz e o apoio da Junta de Freguesia de S. Julião que nos honra e honra a sua memória!ao 

Álvaro Cunhal - Jerónimo de Sousa

Para que conste no espólio - Álvaro Cunhal e Jerónimo de Sousa com trabalhadores.


sábado, 28 de novembro de 2015

ÁLVARO CUNHAL DÁ NOME A AVENIDA EM BUARCOS



A bordo ninguém se teme... aqui ninguém se receia
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
ÁLVARO CUNHAL DÁ NOME A AVENIDA EM BUARCOS


ALVARO CUNHAL foi e continua a ser uma referência para todos os que - de Esquerda ou Direita - acreditam que a Política pode ser feita de forma digna, coerente, determinada e corajosa.

Um Mundo melhor, mais Justo e Fraterno é possível se por ele lutarmos.
A Todo o Vapor: Uma honra que ninguém ma vai tirar... O primeiro comício pós 25 de Abril na Figueira da Foz com a presença de Álvaro Cunhal fui eu o apresentador desse Comício. Ainda hoje recordo as suas palavras quando me pediu que se alguém gritasse "Cunhal amigo o povo está contigo" eu imediatamente colocasse outra frase "O povo unido jamais será vencido".
Até sempre camarada!!!
Publicada por Rogério Neves à(s) 18:50 http://img1.blogblog.com/img/icon18_email.gif

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

HISTÓRIA


PIDE lançou "procura frenética" a Cunhal um dia após fuga da prisão -- historiador
Lusa 27 Nov, 2015| Cultura

Um dia depois da fuga de Álvaro Cunhal da prisão de Peniche, em 1960, a PIDE iniciou uma "procura frenética" do histórico comunista, caindo por terra a tese da ajuda do regime à evasão, defende José Pacheco Pereira.

"Por todo o país, os postos da PIDE [polícia política do regime ditatorial do Estado Novo] são alertados para a fuga, em particular os que estão perto da fronteira: Faro, Beja, Segura, Barca de Alva. A censura postal reforça-se com instruções da PIDE para o Correio-Mor. A colaboração com a polícia espanhola é pedida e acompanhada em detalhe", escreve o historiador, no quarto volume da biografia política de Álvaro Cunhal.
Após 11 anos detido, com uma das penas mais longas do século XX português, "só ultrapassada pela de outros comunistas presos", Álvaro Cunhal, então com 46 anos, foge da prisão a 03 de janeiro de 1960, e era "o homem mais procurado pela PIDE".
"Buscas e operações nas estradas, pontes de Vila Franca de Xira e de D. Luis no Porto são vigiadas, `aparato bélico` na região de Loures, Pegões, Vendas Novas, Loures e Vila Franca de Xira, paragens de comboio seguidas de revistas às carruagens e aos passageiros, colocação nas principais estradas e cruzamentos de brigadas da GNR foram a norma nos dias seguintes à fuga", prossegue o autor do livro, que será lançado no início de dezembro.
Os comunistas Álvaro Cunhal, Jaime Serra, Joaquim Gomes, Francisco Miguel, Guilherme da Costa Carvalho, Pedro Soares, Carlos Costa, Francisco Martins Rodrigues, Rogério de Carvalho e José Carlos fogem do Forte de Peniche com a ajuda de um guarda da GNR e depois de imobilizarem o guarda do seu piso com clorofórmio.
No exterior, automóveis aguardavam os fugitivos, que foram levados para casas clandestinas.
A evasão do dirigente histórico do Partido Comunista Português (PCP) foi considerada uma das fugas mais espetaculares da história do Estado Novo, tendo envolvido a descida das muralhas da prisão junto ao mar por diversos panos amarrados entre si.
"Não tem nenhum fundamento a tese de que Álvaro Cunhal e os seus companheiros tinham sido deixados fugir pela polícia com a cumplicidade das mais altas autoridades do regime, inclusive de Salazar", sustenta Pacheco Pereira acrescentando que "desde que se apercebeu da fuga, a PIDE começa a procurar os presos intensamente".
O autor refere que "o mesmo se pode dizer de teorias conspirativas originadas pelo sucesso de uma fuga aparentemente impossível sobre a presença de um helicóptero, um submarino ou um barco soviético ou estrangeiro ao largo de Peniche".
Nesta obra de 480 páginas, Pacheco Pereira abarca o período da vida de Álvaro Cunhal entre 1960 e 1968.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Jornal ‘Tornado’ Álvaro Cunhal






… E, sim, teria assinado o acordo! Se fosse vivo, Álvaro Barreirinhas Cunhal faria hoje 102 anos, pois nasceu nesta casa, em Coimbra, a 10 de Novembro de 1913, e...