«Álvaro Cunhal é uma personalidade marcante, em Portugal e no mundo

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sábado, 16 de novembro de 2013

Rumo a Paris...



Álvaro Cunhal teve uma breve, mas intensa relação com Paris. Ou melhor, com alguns seres humanos que, nessa altura habitavam Paris, uma cidade em que se respirava a liberdade que em Portugal ainda não passava de um projecto dolorosamente trabalhado e incansavelmente sonhado... liberdade da qual, convenhamos, mesmo estando em Paris não podia desfrutar abertamente, já que os olhos e ouvidos da PIDE se encarregavam de vigiar de perto aqueles que tinham emigrado, fosse por razões políticas, fosse apenas para matar a fome.
Dessa “vida de Paris” de Cunhal, vida tão menos dourada do que a de outros conhecidos exilados, não posso falar, por assumida “incompetência” para o fazer. Outros amigos, nomeadamente os companheiros deste blog, têm certamente um mundo de estórias e História para partilhar sobre o tema.
Pela parte que me toca, folgo em saber que foi ali criado Le Cercle Álvaro Cunhal” que, entre outras iniciativas, promove um encontro de dois dias, a começar hoje mesmo e a acabar amanhã, Domingo 17, encontro/convívio onde se lembrará o exilado, o lutador anti-fascista, o político, o artista... o amigo comum.
Como podem ver no programa "afixado" aqui em cima (clicar sobre imagem), amanhã, Domingo, haverá um déjeuner convivial (gastronomie portugaise). Mesmo atendendo a que o Palais des Congrès de Nanterre fica um pouquinho fora de mão... como resistir a um almoço assim?
Lá estarei, se tudo correr de forma tecnicamente escorreita! Parece que a seguir também haverá umas canções…

sábado, 30 de março de 2013

Sessão Cultural Evocativa - Carta aberta



Um dos maiores restos de salazarismo que perdura na nossa comunicação social, diria mesmo, um dos maiores tiques fascistas que regressam ostensivamente, é canalhice de, sempre com a desculpa dos “critérios jornalísticos” censurar e boicotar da pior forma as actividades políticas e culturais que desagradam ao poder e aos donos dos meios de comunicação.
Digo “da pior forma”, porque bastante mais ofensivo do que uma crítica má, é o fazer-se de conta que um acontecimento... não aconteceu. Ofensivo pela censura descarada e pelo facto de se ver um exército de gente que se diz jornalista, pactuando com este estado (novo) de coisas.
Assim aconteceu, mais uma vez, com o fantástico momento político/artístico que um elenco “tremendo” de artistas de várias áreas protagonizou em amizade, camaradagem e espírito de unidade, na sessão que há dias teve lugar na Aula Magna, em homenagem à figura de Álvaro Cunhal.
O silêncio que se seguiu na comunicação social foi, como “ouvimos”, verdadeiramente ensurdecedor!
Assim sendo, o nosso companheiro e autor João Monge, que escreveu boa parte do guião que acompanhou todo o espectáculo, decidiu não se ficar... e escreveu um texto para fazer correr pelas redes sociais e pela própria comunicação social que nos ignorou. Fê-lo na forma de uma carta aberta que muitos de nós, participantes ou não, já assinámos por baixo.
Para não ser injusto para com aqueles que, entretanto, já juntaram os seus nomes à carta aberta, desde que o texto me chegou às mãos, direi apenas não há participante que não se reveja neste texto do João Monge. Aqui fica:

A propósito da Sessão Cultural Evocativa do Centenário de Álvaro Cunhal

CARTA ABERTA A UM AMIGO QUE NÃO SOUBE

Fizeste-me falta, pá! Não por mim, que lá estive, mas por ti que não soubeste… Eu sei da felicidade que retiras destas coisas e da partilha que dela fazes. Foi isso que me fez falta: a tua felicidade.
Sabes como a malta é, pusemos a mesa com microfones e tudo, chamámos os jornais, chamámos as rádios, chamámos as televisões… Só para te avisar, pá. Era a forma mais expedita que tínhamos à mão, e gostávamos tanto de te ter por perto. Mas não, a coisa não saiu, ou saiu envergonhadamente. Sinais destes tempos sem vergonha.
Depois o Álvaro não é tipo que se ignore e o número era redondo – o centenário – mas mesmo assim tu ficaste sem saber. Tiraram-te esse direito.
Foi tão bonita a festa, pá.
Lembras-te daquela tirada do Álvaro que começa assim: «Arte é liberdade. É imaginação, é fantasia, é descoberta e é sonho. É criação e recriação da beleza pelo ser humano e não apenas imitação da beleza que o ser humano considera descobrir na realidade que o cerca»? Lembras-te? Foi o nosso guião. Foi o guião dos músicos, dos cantores e dos actores que passaram pelo palco. A melhor maneira de comemorar a liberdade é exercê-la e, como tu sabes, pá, evocar o Álvaro é projectá-la para os dias que hão-de vir, para as liberdades que hão-de vir. E são tantas, amigo, e são tantas as liberdades que nos faltam…
O Álvaro teve a casa cheia, pelas costuras. Tu sabes como a malta é, abrimos as portas de casa para que alguém te fizesse chegar uma pequena luz do que lá se passou. Mas, enfim, foi o costume: tiraram-te esse direito.
Fizeste-me falta, pá. Mas ainda te vou ver a sorrir. Temos uma prenda para ti: filmámos tudo. E assim damos um outro sentido à falta que me fizeste.
É que, como diz o Palma, “enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar, a gente vai continuar”. 

Um abraço, pá
E até já!

João Monge

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

(re)Leituras urgentes…




Quanto mais não fosse para demonstrar que aquela coisa “maluca” do Facebook não serve apenas para as avozinhas e os avozinhos partilharem fotografias dos netinhos, ou para Cavaco Silva e Passos Coelho partilharem alarvidades… muito antes pelo contrário, pode ser mais um espaço para estarmos “de pé”… aqui fica, acabadinho de “surripiar” à página de Facebook do PCP-Carnaxide.


«No papel é fácil escrever e ao microfone é fácil gritar: “chegou a hora do assalto final!” Para o assalto final, não basta escrever ou gritar. É preciso, além de condições objectivas, que exista uma força material, a força organizada, para se lançar ao assalto, ou seja, um exército político ligado às massas e as massas radicalizadas, dispostas e preparadas para a luta pelo poder, para a insurreição (…) Os radicais pequeno-burgueses são incapazes de compreender que os objectivos fundamentais da revolução não se alcançam reclamando-os, mas conquistando-os.»

Álvaro Cunhal, «O Radicalismo Pequeno-Burguês de Fachada Socialista», 1970.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O homem que gostava de canções


“Festa de aldeia” – Álvaro Cunhal, in “Desenhos da prisão”

Quando no dia 13 de Abril de 1980 chegou a hora do grande comício de encerramento da 4ª Conferência da Reforma Agrária, em Évora, nem um ano tinha passado sobre o assassinato do “Casquinha” e do “Caravela” às mãos da GNR e a mando do Governo de iniciativa presidencial de Pintassilgo, apoiado na lei criminosa de Barreto.
Já se tinha entendido que iria ser muito difícil defender a mais bela conquista do 25 de Abril... mas ainda assim, era o que faltava que se perdesse sem luta! Daí o lema da Conferência, “Defender a Reforma Agrária, prosseguir Abril”. Daí a redobrada importância do discurso que encerraria a Conferência e o comício, proferido por Álvaro Cunhal.
Eu tinha acabado de cantar algumas canções, duas delas (pelo menos) saídas do meu mais recente disco, editado no ano anterior. Palmas... sentei-me no grande estrado feito palco, a alguns lugares de distância de Álvaro Cunhal, que estava a escassos minutos de ir discursar para aqueles milhares de pessoas.
De mansinho, levantou-se e veio, sem dar muito nas vistas, sentar-se ao meu lado. Queria saber como estava a correr a “carreira” do meu disco. Gostava de várias das suas canções (não caiu na tentação de me dizer que gostava de todas!). Deu-me algumas razões técnicas para explicar o seu gosto pela minha canção com poema do AryLlanto para Alfonso Sastre y todos” (a ligação da música com a letra, a cavalgada rítmica que eu tinha decidido compor, a forma de a cantar)... mas preferia, decididamente, “Ao alcance das mãos”. Para meu grande prazer enquanto autor, disse-me também porquê. Uma mão a apertar-me o ombro, a dar-me força... e foi para o seu lugar, praticamente no momento em que o seu nome era anunciado.
Um membro da organização, provavelmente daqueles (já me cruzei com tantos!) para quem os cantores, assim que cantam a última nota com que “abrilhantaram” a sessão para que foram convidados, deixam de ter qualquer utilidade ou interesse... não aguentou a dúvida que o “angustiava” e perguntou-me:
- O que é que o Álvaro tanto tinha p'ra falar contigo em cima do palco?
Uma das minhas razoáveis qualidades (há horas em que é um defeito) foi sempre a capacidade de responder a perguntas deste “género” com respostas por vezes insolentemente anárquicas:
- Estava a dar-lhe umas ideias para o discurso!
Não lhe dei tempo para “chegar lá” por si... tive pena do seu ar algo perdido e optei por explicar-lhe o que se tinha passado realmente.
Afinal, aquela figura carregada de História, de anos de heroísmo, de algum mistério e mais tudo o que sabemos... era, também, apenas mais um homem que gostava de canções!



Adenda: Entretanto, recebi esta prenda do Monginho (sim, o Monginho dos cartoons do Avante)... que sempre tem mais uma corzinha, como ele diz. Faz toda a diferença! O cartaz é da autoria do saudoso João Martins, outro cartonista, mas este de "O Diário".

Publicado em paralelo no "Cantigueiro".

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Álvaro Cunhal e o 18 de Janeiro





Dávamos ainda os primeiros passos de Abril...
Em 1975 o povo da Marinha Grande homenageou, pela primeira vez em liberdade, os seus heróis do 18 de Janeiro de 1934.
Álvaro Cunhal não faltou!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Um novo “tacho” – Alô, alô, experiência...



Tenho um novo “tacho”! Fui contratado para escrever e fazer parte da equipa de um novo blog colectivo... por um ano.
Enquanto processo o orgulho e prazer proporcionados pelo convite, este primeiro post é o equivalente ao clássico “alô, alô, experiência... isto está ligado?”, seguido das duas ou três pancadinhas no microfone com que alguns artistas menos dados às coisas da técnica presenteiam (e enlouquecem) os técnicos de som.
Para além do blog (este blog), vou estar ligado a um grande projecto regional, cobrindo o Alentejo, centrado no fenómeno da Reforma Agrária, um dos “amores” de Álvaro Cunhal... projecto multifacetado de que irei dando novidades e que me fará entrar em ensaios e estúdio dentro de muito poucos dias, acompanhado por um belo grupo de pessoas.
A característica (que se pretende uma das mais importantes) de todas as realizações que venham a acontecer durante este ano, é o seu carácter aberto a todas e todos, independentemente das suas filiações partidárias.
Conto com a vossa visita e leitura!
Um abraço colectivo,
Samuel

(Post publicado em paralelo com o "Cantigueiro")