«Álvaro Cunhal é uma personalidade marcante, em Portugal e no mundo

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quinta-feira, 18 de abril de 2013

Este camarada Álvaro Cunhal!

A propósito do "post" anterior...

De uma carta para a Direcção do Partido (de 1952, portanto da Penitenciária... em isolamento!), no capítulo 4. Imprensa do Partido, no vol. II das Obras Escolhidas das edições avante!:  

«(...) Apenas três objecções:
  1. - papel demasiado grosso o que, com as 6 páginas do Avante!, deve criar dificuldades conspirativas de transporte;
  2. - tipo demasiado pequeno e impressão pouco nítida;
  3. - frequentes e graves erros ortográficos.
Os camaradas  certamente notaram já e procuram eliminar na medida do possível estas deficiências. Em relação à última aqui se faz entretanto uma sugestão prática: que cada tipografia do Partido seja equipada com um Prontuário Ortográfico e que seja colocada a tarefa aos camaradas compositores de aprenderem a escrever correctamente o português.»

sexta-feira, 29 de março de 2013

Excertos

“(...) Uma análise atenta da história, tanto do exercício do poder político como do exercício da direcção de partidos, mostra que o abuso do Poder é fácil e a impunidade também. Esta conclusão não significa que a posição correcta seja a desconfiança sistemática. Nem tão-pouco a ideia de que o mal é irremediável porque o defeito está na natureza humana. Se a história é pródiga em abusos do Poder e coberturas de impunidade, regista – e é imperativo que não só registe mas valorize – os que exercem o Poder com respeito pelos direitos e pela dignidade dos que são abrangidos pelas suas decisões (...)”

Álvaro Cunhal, Julho de 1997,
no prefácio à publicação do relatório
para o IV congresso do PCP (1946)

domingo, 24 de março de 2013

A diferença


 
«É uma visão idílica imaginar que o Mercado Comum é uma associação de países ricos e filantrópicos, prontos a ajudar os países mais atrasados. O PCP tem assumido a defesa das relações económicas e comerciais com a CEE. Mas tem considerado que uma integração provocaria ainda maiores dificuldades à economia portuguesa… Os países do Mercado Comum defendem os seus interesses próprios e por eles estão prontos a sacrificar os interesses dos outros. Mesmo quando admitem o alargamento da comunidade a Portugal, Espanha e Grécia, não é para ajudarem os países que estão de fora mas para que a entrada destes sirva os interesses dos nove que já estão lá dentro... Nós, comunistas, não aceitamos que as decisões acerca dos problemas nacionais caibam ao imperialismo, caibam ao estrangeiro!»

(Álvaro Cunhal, «Discursos», 1980)

sábado, 23 de março de 2013

Sublinhados



A Questão do Estado 

Questão Central de cada Revolução

Álvaro Cunhal

Novembro de 1967


Primeira Edição: Revista «O Militante», nº 152, novembro de 1967


«(...) Nada tem a ver com o marxismo-leninismo a opinião anarquizante segundo a qual é indiferente à classe operária que o poder da burguesia se exerça num regime parlamentar ou numa ditadura fascista, uma vez que num caso e noutro se trata de capitalismo. A repressão e o terror são utilizados precisamente para impedir o desenvolvimento da sua organização e da sua luta, para aniquilar os seus quadros, para cortar o caminho à revolução socialista. Enquanto subsistir o capitalismo, o proletariado está interessado em lutar para que a ditadura da burguesia se exerça através de formas o mais democráticas possível, pois estas não só são as que menos sofrimentos lhe acarretam, como são aquelas que melhor lhe permitem defender os seus direitos, forjar a sua unidade, reforçar as suas organizações, limitar e enfraquecer o poder dos monopólios, ganhar as massas para a causa da revolução socialista. Nesse sentido se afirma que a luta pela democracia é parte constitutiva da luta pelo socialismo.
Nada tem também a ver com o marxismo-leninismo a posição de alguns «ultra-revolucionários» ao afirmarem que, nas condições do Portugal de hoje, a instauração das liberdades democráticas, se não fosse acompanhada pela conquista do poder pelo proletariado, seria ainda pior que a ditadura fascista, uma vez que representaria a consolidação do poder da burguesia, cuja crise se agrava nas condições do fascismo. (...)»

a incluir no 
4º volume das OBRAS ESCOLHIDAS,
a editar no âmbito das comemorações 
do centenário

quinta-feira, 14 de março de 2013

Reflexões lentas - a partir de leituras que são mais do que isso


Na leitura, mastigada, saboreada, de José Gomes Ferreira (Dias Comuns-VI-Memória Possível), anoto trechos que me levam a outras paragens.
A 29 de Novembro de 1968, José Gomes Ferreira comentava um artigo de José Régio em que este se vangloriava de nunca ter adulado os jovens e se ter posto ao serviço de partidos ou modas (vangloriava?, ou lamentava o isolamento que tal postura lhe provocara e justificaria o "auto-epitáfio"?).
Do comentário, retiro o trecho relativo aos partidos (e lembra-se que, então, apenas havia um partido em Portugal, resistente ao fascismo e clandestino):
«Os partidos devem pesar muito na liberdade, por certo... Mas não terão algumas vezes a vantagem de nos obrigar a vencer as mesmas dificuldades dos gigantes que dançam com cadeias nos tornozelos?»

Esta leitura lembrou outras, muito recentes, de artigos e textos (como cartas) de Álvaro Cunhal, sobre Cartas Intemporais do mesmo José Régio na Seara Nova em 1939 (quase trinta anos antes), em que Cunhal termina o primeiro artigo escrevendo:
«Não importa o homem isolado dos efeitos das suas acções. Para os homens que se digladiam na encruzilhada, um homem interessa ou vale na medida em que os acompanha na dor, na luta e na esperança.»
E, ainda a propósito de partidos - e de classe, e de tomar partido - em carta a Abel Salazar, de 1938:
«O camarada diz "não ter classe". Isso seria uma explicação. Porém, eu recuso-me a aceitá-la totalmente . O camarada ama uma classe. Compreende e sente as suas dores e as suas insatisfações. A sua atitude na vida é já uma posição tomada em relação aos combates que hoje - como sempre - se travam no mundo, combates de classes, afinal.
Apenas é necessário conhecer ainda de mais perto as grandes riquezas de sentimentos e a grande força criadora das camadas oprimidas, e ainda a beleza da energia e da luta. É necessária uma integração na classe a que se pertence, ou que se ama. (...)».

Além da convergência que leituras distantes (no tempo de escrita) suscita e se releva, há também que sublinhar que assinalar o centenário de Álvaro Cunhal é lê-lo, relê-lo, aprender com a sua vida, o seu pensamento, a sua luta. Que continua.

(também no blog
anónimo do século xxi)

sábado, 2 de março de 2013

Dois excertos...

Dois excertos de uma carta de Álvaro Cunhal, de 7 de Dezembro de 1938, que consultei por outras razões que não as deste blog... nem as deste dia:

  • «Diz o camarada que saíu da sua "tragédia íntima" - que, mais ou menos intensa, é a de todos os intelectuais sinceros que se esforçam por se fundirem com as massas anónimas - "sem pátria, sem classe e sem preconceitos... mesmo intelectuais"»

  • «Quem não tenha classe não pode compreender a luta de classes. Quem não tenha classe não pode com exatidão definir os símbolos das classes antagónicas.»

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Ajudas na manhã...

depois de leituras antes de adormecer:

"Unidade de movimentos não significa identidade de objectivos. Mal foi terem-se alimentado ilusões. Homens que se encontram e resolvem caminhar juntos não se tornam, por esse facto, irmãos gémeos. Pela mesma razão por que aglomerados aliados numa etapa dum movimento transformador se não fundem num só aglomerado. Muitas vezes marcham a par camadas da população, cujos interesses coincidem num movimento, mas que os destinos históricos virão a separar (...)"

Álvaro Cunhal
Aviso prévio
artigo publicado
no jornal O Diabo, nº 276,
de 6 de Janeiro de 1940

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Antologia

De uma intervenção de Álvaro Cunhal

em Dezembro de 2003:

(...)

4

Uma falsa avaliação da situação criou porém nas forças revolucionárias uma ilusão: que era irreversível o avanço revolucionário e o processo em curso de libertação da humanidade.
Para essa ilusão não se tiveram em conta três realidades.
A primeira: a capacidade mostrada pelo capitalismo, mais que os países socialistas, de não só desenvolver as forças produtivas, como de descobrir, desenvolver e aplicar novas e revolucionárias tecnologias.
A segunda: a utilização pelo imperialismo, designadamente pelos Estados Unidos, de colossais meios materiais e ideológicos, a repressão brutal contra os trabalhadores e os povos em luta, colossais meios financeiros, económicos, políticos e militares contra as revoluções, bloqueios, sabotagens, atentados, conspirações, acções terroristas e guerras declaradas e não declaradas.
A terceira: as tendências crescentes nos países socialistas, nomeadamente na União Soviética, para a centralização e burocratização do poder e para a estagnação, pondo em perigo o futuro da sociedade socialista em construção.
Todos estes elementos em conjunto conduziram, na segunda metade do século XX, à vitória do capitalismo na competição com o socialismo.
(...)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Por causa de algumas dúvidas...

... o melhor é ir às fontes, aos Mestres!

















Aliás,,, esta transcrição de
O Partido com paredes de vidro,
podia ser ojecto de edição revista
(e de autor coletivo...)
e onde está Lenine
pôr-se Marx ou Cunhal!
(e por aqui nos ficaríamos)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

CONVITE À LEITURA


É necessidade e dever nosso estar preparados ideologicamente para fazer face a desvios de esquerda ou de direita, gérmen sempre presente e que ao mais pequeno descuido se instala causando por vezes danos irreparáveis.

Escolhi este extrato (do indecoroso rapapé de Mário Soares a Marcelo Caetano*) de “O radicalismo pequeno burguês de fachada socialista comoconvite à leitura’ de uma análise incontornável de Álvaro Cunhal a estas perigosas tendências.

«Tal qual os oportunistas de direita da ASP. (Acção Socialista Portuguesa – 64/73) Ainda nas vésperas da burla eleitoral, Mário Soares classificava a manobra fascista como uma “operação liberalizante”, insistindo em que essa “operação”, resultado de “razões estruturais”, representa uma efectiva “evolução”. A evolução (declarou) não é tão rápida como todos a desejaríamos, mas não vejo motivos para desesperar” (“República” 23.X.69).»

*- Marcelo Caetano (a quem a ASP chamou em temposraio de luz”) [ASP, Mário Soares / Tito Morais]


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

SUBLINHADOS


 
Os sublinhados, fi-los, há uns bons anos, e, ao aferir as minhas preocupações de então, de sempre, senti, obviamente, uma enorme tranquilidade. Assinalo-vos estes extractos para aguçar o vosso interesse por este opúsculo exemplar. Os princípios expostos permitem-nos desarmar qualquer agressor, afirmando assim “a superioridade moralque é forçoso confirmar na prática.