A história, por dever de gratidão, retém no seu crivo os indivíduos “que por obras valorosas” continuam referência, vivendo na lembrança colectiva. Acontece porém que a história, escrita pelas classes que detêm o poder, relegam para o esquecimento, assassinam historicamente todos os que com elas não se identificam social e ideologicamente. E este rasurar da história processa-se pelos mais ínvios e dissimulados caminhos. No «Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea – Academia das Ciências de Lisboa», editado em 2001, todas as siglas partidárias, das mais recentes aos grupelhos sem expressão e já desaparecidos, estão contempladas neste instrumento de consulta, só as siglas “PC e PCP” com nove décadas de existência foram “esquecidas”. Um lapso que cumprirá a sua missão enquanto o dicionário existir.
Compete-nos, é um dever que a história nos impõe, imperativo de classe, marcar a importância dos que entre nós se destacaram na luta pela dignificação dos que vendem a sua força de trabalho e com quais lutaram para que fôssemos livres. Ao amputarem a história dos feitos e valores daqueles que se distinguiram na luta pela construção de uma sociedade justa, coarctam-nos as raízes, enfraquecem-nos a confiança e a nossa caminhada, titubeante, perde vigor. Assim sendo, atentos, não podemos esquecer os que dedicaram toda a sua existência, dignificando-a ao abraçar a luta de todos os oprimidos. Desta postura não resulta o culto de personalidade, mas o dever de colocar no devido lugar histórico os que connosco como classe se ergueram e que a história não pode nem deve esquecer. Não nos podemos permitir que sejam os opressores a fazerem a triagem de quem ou não deve ficar para a posteridade.
2013 é, será, o ano em que seremos nós a escrever a nossa própria história, sem o tal ‘culto de personalidade’ com que capciososamente há quem espalhe um fumo de despeito para ofuscar a limpidez do nosso propósito.
Ao assinalar o ‘Centenário de Álvaro Cunhal’ por decisão do Comité Central do PCP, o Partido reforçou o seu grau de responsabilidade e a sua decisão é, inequivocamente, o sentir de todos os militantes comunistas e de muitas mulheres e homens que desde sempre nos têm acompanhado. Não temos a pretensão de enaltecer a figura de Álvaro Cunhal, trabalho quão difícil como desnecessário. Desejamos que este ano em que assinalamos o ‘Centenário de Álvaro Cunhal’ e em que também nos envolveremos, não pretende desenvolver o culto só pelo militante comunista mas afirmar a validade da sua existência como ser humano a elevado grau.
A personalidade deste dirigente comunista vai muito para além dos seus camaradas e das nossas fronteiras; os seus feitos e obra são o nosso sentir.
Dedicar este ano a Álvaro Cunhal é a melhor e mais sentida homenagem que podemos fazer ao nosso povo trabalhador.


















