sexta-feira, 15 de março de 2013
quinta-feira, 14 de março de 2013
Reflexões lentas - a partir de leituras que são mais do que isso
Na leitura, mastigada, saboreada, de José Gomes Ferreira
(Dias Comuns-VI-Memória Possível), anoto trechos que
me levam a outras paragens.
A 29 de Novembro de 1968, José Gomes Ferreira comentava um artigo de José
Régio em que este se vangloriava de nunca ter adulado os jovens e se ter posto
ao serviço de partidos ou modas (vangloriava?, ou lamentava o isolamento que tal
postura lhe provocara e justificaria o "auto-epitáfio"?).
Do comentário, retiro o trecho relativo aos partidos (e lembra-se que, então,
apenas havia um partido em Portugal, resistente ao fascismo e
clandestino):
«Os partidos devem pesar
muito na liberdade, por certo... Mas não terão algumas vezes a vantagem de nos
obrigar a vencer as mesmas dificuldades dos gigantes que dançam com cadeias nos
tornozelos?»
Esta leitura lembrou outras, muito
recentes, de artigos e textos (como cartas) de Álvaro Cunhal,
sobre Cartas Intemporais do mesmo José
Régio na Seara Nova em 1939 (quase trinta
anos antes), em que Cunhal termina o primeiro artigo
escrevendo:
«Não importa o homem
isolado dos efeitos das suas acções. Para os homens que se digladiam na
encruzilhada, um homem interessa ou vale na medida em que os acompanha na dor,
na luta e na esperança.»
E, ainda a propósito de partidos - e de classe, e
de tomar partido - em carta a Abel
Salazar, de 1938:
«O camarada diz "não ter classe". Isso seria uma explicação.
Porém, eu recuso-me a aceitá-la totalmente . O camarada ama
uma classe. Compreende e sente as suas dores e as suas insatisfações. A
sua atitude na vida é já uma posição tomada em relação aos combates que hoje -
como sempre - se travam no mundo, combates de classes, afinal.
Apenas é necessário conhecer
ainda de mais perto as grandes riquezas de sentimentos e a grande força criadora
das camadas oprimidas, e ainda a beleza da energia e da luta. É
necessária uma integração na classe a que se pertence, ou que se ama.
(...)».
Além da convergência que leituras distantes (no
tempo de escrita) suscita e se releva, há também que sublinhar que assinalar o
centenário de Álvaro Cunhal é lê-lo, relê-lo, aprender com a sua vida, o seu
pensamento, a sua luta. Que continua.
(também no blog
anónimo do século xxi)
quarta-feira, 13 de março de 2013
De António Vilarigues
em ocastendo:
Fim do comunismo? Olhe que não, olhe que não!
-
Escrevi este
artigo para o jornal «Público» em 19 de
Junho de 2005, após a morte de Álvaro Cunhal. Achei por bem recordá-lo
agora.
-
De tudo o que os inimigos e adversários de Álvaro Cunhal têm dito e escrito a seu propósito sobressaem alguns traços comuns.
Desde logo que era um derrotado, fora do seu tempo. Defensor cego duma doutrina totalitária condenada ao caixote do lixo da história. Em particular, rematam triunfantes, depois da queda do muro de Berlim e da impulsão da União Soviética e dos países do leste europeu. Demonstração inequívoca, proclamam, do fim do comunismo.
Se os pudesse ler o Álvaro pela certa sorriria e diria: “Olhe que não! Olhe que não”.
Os raciocínios são perfeitamente silogísticos. Como tal limitados. Só que o Álvaro amava a dialéctica, que manejava como poucos. Chegam ao ponto de pôr, não na sua boca o que era complicado, mas na sua cabeça ideias que nunca foram as dele. Convém-lhes...
Aos que isso fazem apetece responder como o Álvaro: “contra tais argumentos batatas!”
Mas, tal como o Álvaro faria, descasquemos as “batatas”.
Fim do comunismo? Não se apressem!
O comunismo é uma ideologia cuja matriz principal é a da construção de uma sociedade sem classes, de homens e mulheres iguais, sem exploradores nem explorados. Onde vigorará o conceito “de cada um segundo as suas possibilidades a cada um segundo as suas necessidades”.
Durante milénios a sociedade sem classes foi um sonho da humanidade. Sonho e “Utopia” desenhada por Thomas More, no século XVI, no seu livro com o mesmo titulo.
No século XIX, com Marx, Engels e os seus companheiros, o sonho e a utopia passaram a projecto de sociedade claramente delineado. Dá-se, com a Comuna de Paris, a primeira tentativa de concretização do projecto duma nova sociedade sem classes. Durou quase cem dias. Foi “democraticamente” esmagado a tiro de canhão e espingarda. Então, como agora, proclamou-se o fim do comunismo. Estávamos em 1870...
No século XX, com Lénine e os seus discípulos, com os Partidos Comunistas, a luta pela sociedade sem explorados subiu a um novo patamar. Ganhou novos e decisivos contornos, aprofundados pelos seus seguidores e que a moldaram até aos nossos dias. Com a União Soviética, primeiro, com os países socialistas nos pós II Guerra Mundial, depois. Esclareça-se que até hoje em nenhum país se atingiu o comunismo. Afirmá-lo só por ignorância, má fé, ou ambas.
As tentativas nesses países falharam no essencial. Por erros próprios sobretudo. Por intervenção externa também. Em nome do comunismo cometeram-se inúmeros crimes.
Significa isso a invalidade e o enterro da doutrina? Claro que não.
Confesso que pertenço àqueles que não gostam de fazer comparações com o cristianismo. Porque vem sempre à baila a questão da fé. E lutar por uma sociedade sem exploração do homem pelo homem, como gostava de dizer o Álvaro, não envolve fé.
Feita a ressalva, seria como se as diferentes inquisições (católica e protestante), que duraram séculos e se traduziram em intolerância, tortura e morte em nome de Deus, tivessem conduzido ao fim do cristianismo.
Eu sei que custa, mas sejamos sérios. Questões hoje dadas como adquiridas por todos nós, só o foram, e são, porque existiam países que tentavam edificar uma nova sociedade. E porque havia, e há, quem em todo o mundo lute por essa causa. Duvidam?
Direito de voto para todos (um homem, um voto). Ensino e saúde gratuitos. Igualdade da mulher e do homem (na democrática Suíça só nos anos 80 do século XX...). Salário igual para trabalho igual. Libertação e independência dos povos do chamado Terceiro Mundo oprimidos pelas potências coloniais. Direito à greve e à manifestação. Liberdade política e sindical. Fim da discriminação por questões de raça (nos EUA só em 1964...). Férias pagas. Segurança Social. Etc., etc., etc..
Sejamos honestos. Façamos como tanto gosta de dizer o José Manuel Fernandes: discutam-se as ideias. Leia-se o Programa do PCP sobre a democracia avançada, o socialismo e o comunismo. Critique-se, ou apoie-se, o que lá está e não as vulgatas do que dizem lá estar.
Segundo traço comum a alguns escritos e ditos sobre Álvaro Cunhal, é a acusação recorrente de falta de flexibilidade.
Só para rir. O homem e o político que recusava os modelos e os clichés. Que defendia, sempre, 24h por dia, 365 dias no ano, a “análise concreta da realidade concreta”. Que alertava que o que era verdade numa determinada situação, ou sector, ou região, ou país, podia não o ser noutro. O homem que proclamava, tal como os clássicos, que a realidade era sempre mil vezes, um milhão de vezes, mais rica e criadora que o melhor dos sonhos, ou o mais criativo dos projectos, esquemático!!!
Alguns episódios ilustrativos. Que, na minha opinião, devem ser contados. Até para desmitificar as calúnias e as ideias feitas.
A determinada altura o Álvaro é convidado pela Revista Internacional Problemas da Paz e do Socialismo a escrever um artigo sobre as ditaduras fascistas no mundo. Recusa por considerar que cada caso deveria ser estudado individualmente. Para depois se poderem então tirar conclusões gerais. Se fosse caso disso. E o tempo que tal estudo lhe tomaria era incompatível com a actividade prática. E apesar das insistências não aceita.
O Álvaro encarna como poucos a célebre tese marxista de que “nada do que é humano nos é estranho”. Discutia durante horas com estudantes do secundário o filme de Antonioni “Blow-up" e o significado das principais cenas. Torceu por John McEnroe contra Bjorn Borg na mítica final de Wimbledon de 1980.
A cena conta-se em poucas palavras. Domingo de 1980. Final de Wimbledon. Terceira hora de jogo. Vai começar o célebre tiebreak do 4º set. O Álvaro desce para o lanche. Vê-nos empolgados. Pergunta o que se passa. Explicamos. Pergunta quem é o mais fraco. John McEnroe, dizemos. Senta-se, sorri e diz que vai torcer por ele. Um camarada provoca-lo. “Mas é um americano, símbolo do imperialismo”. O Álvaro volta a sorrir e diz, “mas é o mais fraco e os comunistas estão sempre do lado dos mais fracos”. Como se sabe o resultado do tiebreak foi 18-16 a favor de John McEnroe. Borg salvou 6 pontos de set e McEnroe 5 de encontro. O Álvaro, também ele entusiasmado, deixa-se ficar até ao fim do encontro (vitória de Borg 3-2). Todos os seus comentários iam no sentido da beleza daquele encontro. Pacheco Pereira (P.P.) dirá, catedrático, que foi encenação. “Olhe que não! Olhe que não”.
Duas notas ainda. Pela negativa. Constato que P.P. também pertence aos que padece do complexo do canudo. Tudo o que nestes dias disse sobre Álvaro Cunhal e Júlio Fogaça vai nesse sentido. Como historiador não devia. Os outros vinte ou trinta dirigentes do PCP na clandestinidade deveriam ser verbos de encher. Em especial se de origem operária ou camponesa.
O Vasco Valente Correia Guedes, depois do seu artigo “Crescer com o Álvaro”, (que me recuso a comentar por o considerar inqualificável do ponto de vista ético e moral) deveria, em coerência, deixar de assinar Vasco Pulido Valente. A memória de resistente antifascista e intelectual de vulto do seu avô assim o exige.
-
De tudo o que os inimigos e adversários de Álvaro Cunhal têm dito e escrito a seu propósito sobressaem alguns traços comuns.
Desde logo que era um derrotado, fora do seu tempo. Defensor cego duma doutrina totalitária condenada ao caixote do lixo da história. Em particular, rematam triunfantes, depois da queda do muro de Berlim e da impulsão da União Soviética e dos países do leste europeu. Demonstração inequívoca, proclamam, do fim do comunismo.
Se os pudesse ler o Álvaro pela certa sorriria e diria: “Olhe que não! Olhe que não”.
Os raciocínios são perfeitamente silogísticos. Como tal limitados. Só que o Álvaro amava a dialéctica, que manejava como poucos. Chegam ao ponto de pôr, não na sua boca o que era complicado, mas na sua cabeça ideias que nunca foram as dele. Convém-lhes...
Aos que isso fazem apetece responder como o Álvaro: “contra tais argumentos batatas!”
Mas, tal como o Álvaro faria, descasquemos as “batatas”.
Fim do comunismo? Não se apressem!
O comunismo é uma ideologia cuja matriz principal é a da construção de uma sociedade sem classes, de homens e mulheres iguais, sem exploradores nem explorados. Onde vigorará o conceito “de cada um segundo as suas possibilidades a cada um segundo as suas necessidades”.
Durante milénios a sociedade sem classes foi um sonho da humanidade. Sonho e “Utopia” desenhada por Thomas More, no século XVI, no seu livro com o mesmo titulo.
No século XIX, com Marx, Engels e os seus companheiros, o sonho e a utopia passaram a projecto de sociedade claramente delineado. Dá-se, com a Comuna de Paris, a primeira tentativa de concretização do projecto duma nova sociedade sem classes. Durou quase cem dias. Foi “democraticamente” esmagado a tiro de canhão e espingarda. Então, como agora, proclamou-se o fim do comunismo. Estávamos em 1870...
No século XX, com Lénine e os seus discípulos, com os Partidos Comunistas, a luta pela sociedade sem explorados subiu a um novo patamar. Ganhou novos e decisivos contornos, aprofundados pelos seus seguidores e que a moldaram até aos nossos dias. Com a União Soviética, primeiro, com os países socialistas nos pós II Guerra Mundial, depois. Esclareça-se que até hoje em nenhum país se atingiu o comunismo. Afirmá-lo só por ignorância, má fé, ou ambas.
As tentativas nesses países falharam no essencial. Por erros próprios sobretudo. Por intervenção externa também. Em nome do comunismo cometeram-se inúmeros crimes.
Significa isso a invalidade e o enterro da doutrina? Claro que não.
Confesso que pertenço àqueles que não gostam de fazer comparações com o cristianismo. Porque vem sempre à baila a questão da fé. E lutar por uma sociedade sem exploração do homem pelo homem, como gostava de dizer o Álvaro, não envolve fé.
Feita a ressalva, seria como se as diferentes inquisições (católica e protestante), que duraram séculos e se traduziram em intolerância, tortura e morte em nome de Deus, tivessem conduzido ao fim do cristianismo.
Eu sei que custa, mas sejamos sérios. Questões hoje dadas como adquiridas por todos nós, só o foram, e são, porque existiam países que tentavam edificar uma nova sociedade. E porque havia, e há, quem em todo o mundo lute por essa causa. Duvidam?
Direito de voto para todos (um homem, um voto). Ensino e saúde gratuitos. Igualdade da mulher e do homem (na democrática Suíça só nos anos 80 do século XX...). Salário igual para trabalho igual. Libertação e independência dos povos do chamado Terceiro Mundo oprimidos pelas potências coloniais. Direito à greve e à manifestação. Liberdade política e sindical. Fim da discriminação por questões de raça (nos EUA só em 1964...). Férias pagas. Segurança Social. Etc., etc., etc..
Sejamos honestos. Façamos como tanto gosta de dizer o José Manuel Fernandes: discutam-se as ideias. Leia-se o Programa do PCP sobre a democracia avançada, o socialismo e o comunismo. Critique-se, ou apoie-se, o que lá está e não as vulgatas do que dizem lá estar.
Segundo traço comum a alguns escritos e ditos sobre Álvaro Cunhal, é a acusação recorrente de falta de flexibilidade.
Só para rir. O homem e o político que recusava os modelos e os clichés. Que defendia, sempre, 24h por dia, 365 dias no ano, a “análise concreta da realidade concreta”. Que alertava que o que era verdade numa determinada situação, ou sector, ou região, ou país, podia não o ser noutro. O homem que proclamava, tal como os clássicos, que a realidade era sempre mil vezes, um milhão de vezes, mais rica e criadora que o melhor dos sonhos, ou o mais criativo dos projectos, esquemático!!!
Alguns episódios ilustrativos. Que, na minha opinião, devem ser contados. Até para desmitificar as calúnias e as ideias feitas.
A determinada altura o Álvaro é convidado pela Revista Internacional Problemas da Paz e do Socialismo a escrever um artigo sobre as ditaduras fascistas no mundo. Recusa por considerar que cada caso deveria ser estudado individualmente. Para depois se poderem então tirar conclusões gerais. Se fosse caso disso. E o tempo que tal estudo lhe tomaria era incompatível com a actividade prática. E apesar das insistências não aceita.
O Álvaro encarna como poucos a célebre tese marxista de que “nada do que é humano nos é estranho”. Discutia durante horas com estudantes do secundário o filme de Antonioni “Blow-up" e o significado das principais cenas. Torceu por John McEnroe contra Bjorn Borg na mítica final de Wimbledon de 1980.
A cena conta-se em poucas palavras. Domingo de 1980. Final de Wimbledon. Terceira hora de jogo. Vai começar o célebre tiebreak do 4º set. O Álvaro desce para o lanche. Vê-nos empolgados. Pergunta o que se passa. Explicamos. Pergunta quem é o mais fraco. John McEnroe, dizemos. Senta-se, sorri e diz que vai torcer por ele. Um camarada provoca-lo. “Mas é um americano, símbolo do imperialismo”. O Álvaro volta a sorrir e diz, “mas é o mais fraco e os comunistas estão sempre do lado dos mais fracos”. Como se sabe o resultado do tiebreak foi 18-16 a favor de John McEnroe. Borg salvou 6 pontos de set e McEnroe 5 de encontro. O Álvaro, também ele entusiasmado, deixa-se ficar até ao fim do encontro (vitória de Borg 3-2). Todos os seus comentários iam no sentido da beleza daquele encontro. Pacheco Pereira (P.P.) dirá, catedrático, que foi encenação. “Olhe que não! Olhe que não”.
Duas notas ainda. Pela negativa. Constato que P.P. também pertence aos que padece do complexo do canudo. Tudo o que nestes dias disse sobre Álvaro Cunhal e Júlio Fogaça vai nesse sentido. Como historiador não devia. Os outros vinte ou trinta dirigentes do PCP na clandestinidade deveriam ser verbos de encher. Em especial se de origem operária ou camponesa.
O Vasco Valente Correia Guedes, depois do seu artigo “Crescer com o Álvaro”, (que me recuso a comentar por o considerar inqualificável do ponto de vista ético e moral) deveria, em coerência, deixar de assinar Vasco Pulido Valente. A memória de resistente antifascista e intelectual de vulto do seu avô assim o exige.
Sector intelectual
Iniciativa do Sector Intelectual
no âmbito do centenário
do nascimento de Álvaro Cunhal
15 de Março | 16h30 | FBAUL
terça-feira, 12 de março de 2013
Rostos ou três retratos
«cultura
Regina Janeiro, Vereadora da Cultura da Câmara Municipal do Barreiro: Álvaro Cunhal «foi um grande homem político, da escrita, da arte e da estética»
“O Dr. Álvaro Cunhal foi sempre uma pessoa muito afável e disponível, embora fosse uma pessoa que impunha respeito, impunha distância intelectual, sentimos que não temos bagagem para chegar até ele”, lembrou Judite de Sousa, no decorrer da iniciativa “À Conversa sobre as Conversas de Cunhal”, que se realizou no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro .
“Era uma pessoa muito generosa e curioso, com vontade de saber o que uma jovem de 24 anos pensava sobre uma série de coisas”, referiu Catarina Pires, afirmando que “quando fazem um retrato dogmático e fechado, não corresponde à realidade, não foi essa a pessoa que eu conheci."
O Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro encheu no dia 9 de março, para a iniciativa “À Conversa sobre as Conversas de Cunhal”. Quase 200 pessoas participaram num debate em que as jornalistas Judite de Sousa e Catarina Pires recordaram as entrevistas que realizaram a Álvaro Cunhal. Recordações emotivas, das oradoras e do público, lembraram o Homem, o Pensador e o Artista como uma pessoa “inteligente”, “coerente”, “afetuoso”.
A moderadora, Professora Carla Marina Santos, enquadrou a iniciativa, recordando o Dia Internacional da Mulher (comemorado a 8 de março) e a defesa de Álvaro Cunhal pela independência e emancipação das mulheres e pela paridade entre homens e mulheres. Lembrou ainda a tese de Licenciatura apresentada por Álvaro Cunhal “O Aborto: Causas e Soluções”, apresentada em 1940, considerando ainda hoje, um tema bastante atual. “É inteiramente justa” esta homenagem a um homem “ímpar na História de Portugal”, referiu, salientando a sua “personalidade singular”, a vida de resistência à ditadura, a sua obra política, filosófica e artística. “É um exemplo de seriedade e coragem que lhe deram prestígio nacional e internacional”, salientou.
Carla Marina Santos apresentou as duas jornalistas convidadas: Judite de Sousa, jornalista da RTP durante muitos anos, onde fez inúmeras entrevistas politicas, nomeadamente a Álvaro Cunhal. Atualmente exerce funções na TVI; e Catarina Pires, jornalista na Notícias Magazine. Editou o livro “Cinco Conversas com Álvaro Cunhal”, sobre “História”, “O Mundo”, “A Política”, “A Arte” e “As coisas da Vida”.
Judite de Sousa lembrou que, a partir de 1991/93, no âmbito do seu trabalho no jornalismo televisivo, entrevistou regularmente Álvaro Cunhal, lembrando que, em televisão, as entrevistas são diferentes devido aos condicionalismos do tempo, do facto de serem em direto, sendo também muito factuais, cingidas aos acontecimentos que marcam a atualidade. “Se não fossem as circunstâncias do meio televisivo, as entrevistas a Álvaro Cunhal poderiam ter sido mais ricas”. Judite de Sousa lembrou, em particular, a última entrevista, realizada a 6 de março de 2001, lendo um texto que escreveu na altura sobre aquele momento, que era especial, porque “pela primeira vez, o líder histórico do Partido Comunista Português (PCP) abriu as portas do seu espaço privado”, nos Olivais, em Lisboa. “Aproximavam-se os 80 anos do PCP. Já há um tempo que Álvaro Cunhal estava afastado das lides partidárias”, embora mantendo-se “vigilante” em relação ao que se passava no País e no Partido. No âmbito das comemorações dos 80 anos do PCP, Judite de Sousa solicitou ao assessor de imprensa do Partido um testemunho de Álvaro Cunhal. “Passado uns dias toca o telemóvel e, do outro lado, era o Dr. Álvaro Cunhal que disse que dava o testemunho e, para minha surpresa, dá-me a morada da sua casa”. A entrevista seria feita no seu apartamento, onde “provavelmente nunca nenhum jornalista tinha estado”.
“Na sala da sua casa, tinha, à minha frente, um homem simples”, referiu Judite de Sousa, salientando que “coerência” é a palavra indicada quando se fala de Álvaro Cunhal. “O seu discurso político e ideológico era coerente com a vida que levou e isso estava evidente perante os meus olhos”, referiu. “Havia uma relação muito direta entre a forma como vivia, simples, austera, sóbria, e o discurso político para o exterior”.
“Naquela meia hora na casa dele não tive a perceção que seria a última entrevista que ele iria dar”, refere a jornalista, afirmando que se tivesse tido essa noção, teria tentando uma entrevista diferente, com mais conteúdo.
Nas entrevistas políticas em estúdio, Judite de Sousa lembrou que Álvaro Cunhal chegava sempre antes da hora marcada e respondia às perguntas, dizendo “aquilo que queria dizer e não aquilo que os jornalistas queriam que ele dissesse”, por mais talentoso que fosse o entrevistador. Por mais tensas e pulsantes que fossem as entrevistas, Álvaro Cunhal, despedia-se com a mesma cordialidade e o mesmo semblante com que tinha entrado.
“O Dr. Álvaro Cunhal foi sempre uma pessoa muito afável e disponível, embora fosse uma pessoa que impunha respeito, impunha distância intelectual, sentimos que não temos bagagem para chegar até ele”, lembrou a jornalista, concluindo “era disponível, afável, generoso, mas inatingível”.
Judite de Sousa lembrou as imagens do funeral de Álvaro Cunhal. “Estava ali o País. Era muita gente e, portanto, era algo mais do que o mundo próprio da pessoa e isso significa que ele era olhado com muito respeito pelos seus adversários políticos, o que se materializou nas multidões que acompanharam o funeral”. Concluiu “é uma pessoa transversal em termos de respeito na sociedade portuguesa”.
Catarina Pires escreveu, com 24 anos, logo após ter concluído a licenciatura em Ciências da Comunicação, o livro “Cinco Conversas com Álvaro Cunhal”. Depois do livro, “tornei-me amiga dele e visitava-o”. A jornalista considera que, muito do que se escrevia na imprensa sobre Álvaro Cunhal “não lhe faz justiça”. “Há muitas pessoas que escrevem sobre ele e nem o conheceram”, considerando que o percurso de Álvaro Cunhal “impõe respeito”.
Catarina Pires lembrou que, no âmbito do curso de Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, teve de fazer um trabalho sobre uma personalidade política portuguesa viva e decidiu que fosse sobre Álvaro Cunhal. Após o contato inicial com a sede do PCP, apresentou a ideia ao líder comunista. Apesar de Álvaro Cunhal lhe dizer que preferia que Catarina Pires não fizesse o trabalho sobre ele, a ‘aspirante’ a jornalista fez, mostrou-lhe depois e “ele gostou”. “Aí começou a história do livro”, referiu, explicando que, quando estava como estagiária no Notícias Magazine, teve “a lata”, como referiu, de pedir, outra vez, uma entrevista a Álvaro Cunhal, à qual ele respondeu positivamente. “Passado uns dias telefonou-me e perguntou se, em vez de uma entrevista, fizéssemos um livro e entrei nesta aventura um bocadinho louca. Foram 18 horas de conversas e mais uns meses de trabalho”.
“Era uma pessoa muito generosa e curioso, com vontade de saber o que uma jovem de 24 anos pensava sobre uma série de coisas”, referiu, afirmando que “quando fazem um retrato dogmático e fechado, não corresponde à realidade, não foi essa a pessoa que eu conheci. Acho que nunca mais vou entrevistar ninguém como ele. Ao longo de 14 anos de jornalismo, deu-me a responsabilidade de fazer coisas bonitas, como ele dizia”. Salientou, inclusive, que “quando ia visitá-lo e conversávamos, perguntava sempre isso, se estava a fazer coisas bonitas. Foi uma entrevista e um amigo para o resto da vida”, concluiu.
Muitas pessoas intervieram no período do debate, recordando situações em que privaram com Álvaro Cunhal, colocando questões às oradoras, salientando a capacidade intelectual do homem político e do artista, mas também referindo a forma afável como tratava os outros. Reforçando esta ideia, Catarina Pires salientou que Álvaro Cunhal “era um homem afetuoso, que dava afeto e também o recebia. O amor era um lado importante da vida dele que ele cultivava muito. Um homem com 87 anos era capaz de se tornar amigo de uma miúda de 24”, exemplificou.
Iniciativas no âmbito das Comemorações do Centenário do Nascimento de Álvaro Cunhal
No final do debate, Regina Janeiro, Vereadora responsável pela Cultura da Câmara Municipal do Barreiro, referiu que Álvaro Cunhal “marca determinantemente a revolução em Portugal”. Em conjunto com diversos parceiros, a Autarquia decidiu assinalar o centenário do seu nascimento com diversas iniciativas, sendo que a próxima, com a colaboração do Cineclube do Barreiro, será a exibição de dois filmes adaptados de romances de Álvaro Cunhal.
“Era um grande homem, com sensibilidades, opiniões, algumas vezes vincadas e outras mais flexíveis. Foi um grande homem político, da escrita, da arte e da estética”, referiu Regina Janeiro.
Por seu lado, o Presidente da CMB, Carlos Humberto de Carvalho, considerou que, nestas iniciativas, “mais importante do que intervenção cívica, social, política, ideológica e de cidadania de Álvaro Cunhal e todo o seu percurso, a sua coerência e a capacidade de não desistir perante as dificuldades, é reconhecermos o papel histórico da sua intervenção e ver como retiramos conhecimentos e experiências para os dias de hoje. As comemorações devem olhar para trás e ver o que foi a experiência histórica destes cem anos para os nossos dias”».
A reprodução textual da informação
implica a referência da sua autoria: CMB
Câmara Municipal do Barreiro
segunda-feira, 11 de março de 2013
sexta-feira, 8 de março de 2013
Uma "entrevista" de Álvaro Cunhal
Do Expresso:
«A primeira entrevista
de Álvaro Cunhal
José Pedro
Castanheira
6 de Fevereiro de 2009
Seria a primeira entrevista de Álvaro Cunhal a um órgão de informação português - não clandestino, entenda-se. Entre duas dezenas de delegações à Conferência dos Partidos Comunistas dos países capitalistas da Europa, que se realizou em Bruxelas, figurava a do PCP, presidida pelo secretário-geral, Álvaro Cunhal.
O enviado do Expresso, A. Martins Lopes, entrevistou o líder comunista, ainda que lhe tenha sido "proibido levar máquina fotográfica". Cunhal sublinhou que foi "a primeira vez que um jornalista português, portanto um jornal legal, me pede uma entrevista". E começou por salientar: "Antes de mais, devo dizer-lhe que tenho poucas esperanças de que a censura autorize a publicação do que eu possa pensar sobre o assunto. No entanto..."
Relação dos artigos idos à censura.
Na quarta linha, figura a entrevista
com Álvaro Cunhal,
objecto de “corte total".
quarta-feira, 6 de março de 2013
terça-feira, 5 de março de 2013
Viva a Reforma Agrária - Arraiolos
Poderia ter feito assim... poderia ter feito assado... poderia ter escolhido outras canções... no limite, até outra profissão mais “sossegada”. Nada que me possa ajudar, nesta fase do andamento do projecto de espectáculo colectivo que me pediram para criar, onde se fala da Reforma Agrária e da sua memória, espectáculo integrado nas comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal.
Agora, o que está feito, está feito. Hoje é dia de “reflexão” e amanhã, dia 6 de Março, rumaremos a Arraiolos para a primeira de uma série de apresentações que fará escala em várias localidades do Alentejo... e desconfio que não só do Alentejo (a agenda ainda tem muitos dias livres!).
Lá estaremos, à noite, acompanhados por uma exposição multimédia (trabalho que tocou a outros companheiros) e com a presença das pessoas que queiram prestigiar a figura de homem, artista plástico, escritor e político que se pretende homenagear e que se sentem afectivamente ligadas à História da “mais bonita conquista do 25 de Abril”... e a algumas canções que formaram a sua banda sonora.
Nestas apresentações de espectáculos construídos para percorrer várias salas, há sempre um conjunto de pessoas que têm o (discutível) “privilégio” de estar na primeira apresentação. Aquela apresentação que, por muito que se tenha ensaiado... é sempre uma espécie de grande ensaio geral com público presente na sala. Aquela com uma dose mais elevada de nervos e inseguranças... justificadas ou não.
Lá estaremos, eu, a Luísa Basto, a Lúcia Moniz (que estará apenas nos espectáculos em que isso lhe for possível, como é o caso amanhã), dando a cara por algumas dessas canções. Acompanham-nos a Beta, a Alexandra e o Paulo, nos coros, o Cândido Mota lendo o guião que vai servindo de fio condutor, o Nuno, o Ivo, o Mil-Homens e o André, tocando os vários instrumentos, os técnicos de som e luz... e todos aqueles de entre vós que quiserem ou puderem aparecer por lá.
segunda-feira, 4 de março de 2013
Iniciativas - Bencatel
Em Bencatel
A Reforma Agrária e a obra de Álvaro Cunhal
Segunda, 25 de Fevereiro de 2013
Por iniciativa da Comissão Concelhia de Vila Viçosa realizou ontem em
Bencatel na Junta de Freguesia a abertura de uma exposição sobre a vida e obra
de Álvaro Cunhal, a qual foi apresentada pelo camarada António Gavela da
Comissão das Comemorações, cuja intervenção foi muito bem recebido pelas dezenas
de camaradas e amigos presentes.
Seguiu-se depois um debate sobre a Reforma Agrária e a obra de Álvaro Cunhal,
que foi moderado por João Frazão da Comissão Politica do Comité Central do PCP.
A intervenção de João Frazão mostrou a importância da luta pela reforma agrária
e como se mantém actual a luta pela posse da terra.
Foram ainda abordados a importância do Programa do Partido aprovado no XIX
Congresso o qual acolhe muito do pensamento e da obra de Álvaro Cunhal, bem como
os problemas do défice alimentar que o País hoje tem. Foram mais de 70 camaradas
e amigos que estiveram nas duas iniciativas numa clara afirmação do papel
insubstituível do Partido Comunista Português.
Iniciativas - Um CD com 17 bandas
O CD contará com a participação de 17 bandas
Apresentação do projecto "Nas nossas mãos o destino das nossas vidas!”

As comemorações do centenário sobre o nascimento de Álvaro Cunhal, são para o
PCP uma homenagem incontornável do Partido, dos democratas e patriotas, da
classe operária, dos trabalhadores, da juventude, dos intelectuais, dos homens e
mulheres da ciência, da arte, da cultura, do povo português, àquele que foi um
dos mais consequentes lutadores pela liberdade, a democracia, o socialismo e o
comunismo.
Entre muitas outras iniciativas de comemoração desta importante efeméride, a
JCP lançará um CD a ser lançado na Festa do Avante 2013! e um grande concerto a
realizar a 9 de Novembro de 2013 com o mote “Nas nossas mãos o destino das
nossas vidas!”.
Na realidade, é a partir desta frase proferida por Álvaro Cunhal que
desafiámos jovens músicos e bandas a produzirem as suas letras e sons como
verdadeiros apelos à mobilização individual e colectiva da juventude portuguesa
para lutarem pelo seu presente e futuro.
O CD contará com a participação de 17 bandas, número alusivo à idade de
Álvaro Cunhal quando decidiu filiar-se no PCP, opção que marcaria para sempre,
quer a sua vida, quer a do Partido de que foi construtor destacado e cuja obra é
ainda um importante património de inspiração e reflexão.
Ligar a opção de tomar partido de Álvaro Cunhal à arte (neste caso, à música)
faz ainda mais sentido se tido em conta o vasto património artístico que Álvaro
Cunhal deixou em várias áreas, assim como à profunda e interessante reflexão que
este homem, militante e artista sempre teve sobre a arte e o seu papel na
sociedade.
As bandas que integram o CD são: AN x Tasy, Anticlockwise, Asfixia, Burro de
Barro, C4, Chão da Feira, Concierge, Dama Bete, Duplo Manifesto, Gazua, God
Bless Jack, Homem de Marte e os Invasores, Marcos Best, Mendigos & Ladrões,
Never End, Smoking Beer e Tren!go Sound System.
ELOGIO DA TERCEIRA COISA - Manuel Gusmão
3. ELOGIO DA TERCEIRA COISA
entre mim e ti há a terceira coisa
aquela que nos põe ao alcance da mão
os nomes todos das coisas e as coisas sem nome
quando a multidão sagrada dos pronomes pessoais nos
permite dizer nós contra o tempo e o vento
Nós que aos cinco sentidos acrescentamos os outros
Nós a sensibilidade que imagina o comum
quando uma multidão deixa de ser
um rebanho de escravos para começar a ser
uma assembleia de humanos livres
de pé no chão da terra discutimos o que fazer
pelas mãos em concha bebemos a água
onde a luz do sol cintila irisando-a
Nós que para além de ti e de mim somos
a terceira coisa o fantasma o espectro
que lhes continua a assolar o mundo
a terceira coisa: a promessa sem garantias
a invenção do incomum que partilha o comum
o comunismo que vem connosco
e para além de nós recomeça a contar
Manuel Gusmão
de “Três curtos discursos em homenagem póstuma a Álvaro Cunhal”
domingo, 3 de março de 2013
Nome de Álvaro Cunhal a uma rua ou avenida do concelho de Setúbal
A Câmara Municipal de Setúbal aprovou, em reunião pública ordinária, a atribuição do nome de Álvaro Cunhal a uma rua ou avenida do concelho.
O documento propõe “que a Câmara Municipal de Setúbal sugira à Comissão Municipal de Toponímia a atribuição do nome de Álvaro Cunhal a uma rua ou avenida do concelho cuja dignidade seja condizente com a importância do líder comunista”.
A proposta sublinha que, “se na história recente de Portugal a figura de Álvaro Cunhal é absolutamente central, na história do movimento comunista internacional é figura crucial no que respeita à produção do pensamento revolucionário”.
O texto salienta igualmente que o político foi um “homem de inultrapassável coragem pessoal, de forte e justa firmeza ideológica, que lhe valeu o encarceramento por 13 anos nas prisões fascistas, oito dos quais em total isolamento”, acrescentando que “Álvaro Cunhal foi dos maiores intelectuais e políticos portugueses de sempre”, dotado de “sólida e sempre inovadora qualificação teórica, que conjugava com profundo humanismo e extraordinária cultura”.
A Câmara Municipal sublinha que, no ano do centenário do nascimento do líder histórico do PCP, “é de toda a justiça reconhecer o papel central que Álvaro Cunhal desempenhou na história recente de Portugal e perpetuar o seu nome na toponímia do concelho de Setúbal”.
Trata-se, reforça a proposta, “de uma homenagem simples, mas que permite às gerações futuras questionarem-se sobre a importância que teve este homem nas transformações políticas e sociais operadas em Portugal e sobre o papel que desempenhou no mais importante e justo processo de transformação social e política operada em todo o mundo durante o século XX”
O texto salienta igualmente que o político foi um “homem de inultrapassável coragem pessoal, de forte e justa firmeza ideológica, que lhe valeu o encarceramento por 13 anos nas prisões fascistas, oito dos quais em total isolamento”, acrescentando que “Álvaro Cunhal foi dos maiores intelectuais e políticos portugueses de sempre”, dotado de “sólida e sempre inovadora qualificação teórica, que conjugava com profundo humanismo e extraordinária cultura”.
A Câmara Municipal sublinha que, no ano do centenário do nascimento do líder histórico do PCP, “é de toda a justiça reconhecer o papel central que Álvaro Cunhal desempenhou na história recente de Portugal e perpetuar o seu nome na toponímia do concelho de Setúbal”.
Trata-se, reforça a proposta, “de uma homenagem simples, mas que permite às gerações futuras questionarem-se sobre a importância que teve este homem nas transformações políticas e sociais operadas em Portugal e sobre o papel que desempenhou no mais importante e justo processo de transformação social e política operada em todo o mundo durante o século XX”
Álvaro Cunhal proposto por unanimidade para a toponímia de Santarém
O nome do histórico líder comunista Álvaro Cunhal, falecido em 2005, vai integrar a toponímia de Santarém caso a câmara siga a proposta aprovada por unanimidade na última sessão da assembleia municipal, realizada a 28 de Fevereiro.
A proposta da CDU defendia a atribuição do nome do carismático político comunista a uma avenida, rua ou praceta da cidade de Santarém e sugeria depois que essa designação fosse dada à Praceta Pedro Escuro, onde se situa a sede do PCP na cidade.
Uma sugestão que não foi bem acolhida pelo presidente da Junta de Freguesia de Marvila, Carlos Marçal (PSD), que ameaçou votar contra (tal como a bancada do PSD) caso ficasse em aberto a possibilidade de substituir a denominação da Praceta Pedro Escuro pelo nome de Álvaro Cunhal, por considerar um desrespeito pelos autarcas que aprovaram noutros tempos o nome para a praceta.
Além disso, referiu Carlos Marçal, a substituição do nome da praceta acarretaria incómodos e despesas para os moradores e comerciantes do local. Face à argumentação exposta, ficou assente que o nome de Álvaro Cunhal deve ser dado a uma artéria ou praça da cidade que não tenha designação.
sábado, 2 de março de 2013
Dois excertos...
Dois excertos de uma carta de Álvaro Cunhal, de 7 de Dezembro de 1938, que consultei por outras razões que não as deste blog... nem as deste dia:
- «Diz o camarada que saíu da sua "tragédia íntima" - que, mais ou menos intensa, é a de todos os intelectuais sinceros que se esforçam por se fundirem com as massas anónimas - "sem pátria, sem classe e sem preconceitos... mesmo intelectuais"»
- «Quem não tenha classe não pode compreender a luta de classes. Quem não tenha classe não pode com exatidão definir os símbolos das classes antagónicas.»
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