«Álvaro Cunhal é uma personalidade marcante, em Portugal e no mundo

terça-feira, 2 de abril de 2013

Discurso de Álvaro Cunhal no dia da promulgação da Constituição


Comício do PCP em Odivelas


No dia que se comemora os 37 anos da Constituição da República, a Comissão das Comemorações do Centenário disponibiliza o discurso realizado por Álvaro Cunhal no comício do PCP realizado nas horas seguintes à promulgação da nova Constituição.
Álvaro Cunhal começou assim a sua intervenção:

"Camaradas, eu peço desculpa de ter chegado tão tarde a este magnífico comício. Mas a razão é simples. Tive ocasião de, como representante do nosso Partido, assistir à sessão da Assembleia Constituinte onde foi promulgada a nova Constituição. Trata-se de um acontecimento verdadeiramente importante na Revolução portuguesa, de um acontecimento importante para a consolidação da nossa democracia. As forças reaccionárias fizeram tudo, sobretudo nos últimos tempos, para impedir a aprovação e a promulgação da Constituição actual. Porque viram que a Constituição, no fim de contas, não correspondia àquilo que elas queriam que fosse, mas, pelo contrário, consagrou as liberdades e as conquistas fundamentais da Revolução. Consideramos por isso que é legítimo considerar a Constituição agora aprovada e promulgada como uma conquista das forças revolucionárias portuguesas, do nosso povo, dos militares do 25 de Abril. Há uma Constituição que está feita, que está promulgada, que é actualmente a lei fundamental do nosso país, e não só há que cumpri-la, como há que exigir a todos os reaccionários, a todos aqueles que querem liquidar as liberdades, que cumpram também esta Constituição, que é obrigatória para todos os portugueses
(...)"
Ler na íntegra aqui 

segunda-feira, 1 de abril de 2013

De vez em quando, um desenho - desenhos originais -12-

Esta série de desenhos têm uma "história".
Com alguma emoção, comecei a contá-la no "blog" de 24 de Janeiro, dos primeiros deste "blog".
Melhor a procurarei contar noutras oportunidades e por outras vias.
Para este "post", deixo a chamada de atenção para a data no canto inferior direito!


de cadernosemcapa.blogspot


com saudações de amizade e camaradagem:

28/03/13

O Partido com paredes de vidro - Matosinhos

 
No próximo dia 6 de abril, a partir das 16 horas, realiza-se na Biblioteca Municipal Florbela Espanca, em Matosinhos, um debate com o tema «O Partido com paredes de vidro».
Esta iniciativa constitui a sessão inaugural da exposição sobre Álvaro Cunhal, «Vida, pensamento e obra: o exemplo que se projeta na atualidade e no futuro».

sábado, 30 de março de 2013

Sessão Cultural Evocativa - Carta aberta



Um dos maiores restos de salazarismo que perdura na nossa comunicação social, diria mesmo, um dos maiores tiques fascistas que regressam ostensivamente, é canalhice de, sempre com a desculpa dos “critérios jornalísticos” censurar e boicotar da pior forma as actividades políticas e culturais que desagradam ao poder e aos donos dos meios de comunicação.
Digo “da pior forma”, porque bastante mais ofensivo do que uma crítica má, é o fazer-se de conta que um acontecimento... não aconteceu. Ofensivo pela censura descarada e pelo facto de se ver um exército de gente que se diz jornalista, pactuando com este estado (novo) de coisas.
Assim aconteceu, mais uma vez, com o fantástico momento político/artístico que um elenco “tremendo” de artistas de várias áreas protagonizou em amizade, camaradagem e espírito de unidade, na sessão que há dias teve lugar na Aula Magna, em homenagem à figura de Álvaro Cunhal.
O silêncio que se seguiu na comunicação social foi, como “ouvimos”, verdadeiramente ensurdecedor!
Assim sendo, o nosso companheiro e autor João Monge, que escreveu boa parte do guião que acompanhou todo o espectáculo, decidiu não se ficar... e escreveu um texto para fazer correr pelas redes sociais e pela própria comunicação social que nos ignorou. Fê-lo na forma de uma carta aberta que muitos de nós, participantes ou não, já assinámos por baixo.
Para não ser injusto para com aqueles que, entretanto, já juntaram os seus nomes à carta aberta, desde que o texto me chegou às mãos, direi apenas não há participante que não se reveja neste texto do João Monge. Aqui fica:

A propósito da Sessão Cultural Evocativa do Centenário de Álvaro Cunhal

CARTA ABERTA A UM AMIGO QUE NÃO SOUBE

Fizeste-me falta, pá! Não por mim, que lá estive, mas por ti que não soubeste… Eu sei da felicidade que retiras destas coisas e da partilha que dela fazes. Foi isso que me fez falta: a tua felicidade.
Sabes como a malta é, pusemos a mesa com microfones e tudo, chamámos os jornais, chamámos as rádios, chamámos as televisões… Só para te avisar, pá. Era a forma mais expedita que tínhamos à mão, e gostávamos tanto de te ter por perto. Mas não, a coisa não saiu, ou saiu envergonhadamente. Sinais destes tempos sem vergonha.
Depois o Álvaro não é tipo que se ignore e o número era redondo – o centenário – mas mesmo assim tu ficaste sem saber. Tiraram-te esse direito.
Foi tão bonita a festa, pá.
Lembras-te daquela tirada do Álvaro que começa assim: «Arte é liberdade. É imaginação, é fantasia, é descoberta e é sonho. É criação e recriação da beleza pelo ser humano e não apenas imitação da beleza que o ser humano considera descobrir na realidade que o cerca»? Lembras-te? Foi o nosso guião. Foi o guião dos músicos, dos cantores e dos actores que passaram pelo palco. A melhor maneira de comemorar a liberdade é exercê-la e, como tu sabes, pá, evocar o Álvaro é projectá-la para os dias que hão-de vir, para as liberdades que hão-de vir. E são tantas, amigo, e são tantas as liberdades que nos faltam…
O Álvaro teve a casa cheia, pelas costuras. Tu sabes como a malta é, abrimos as portas de casa para que alguém te fizesse chegar uma pequena luz do que lá se passou. Mas, enfim, foi o costume: tiraram-te esse direito.
Fizeste-me falta, pá. Mas ainda te vou ver a sorrir. Temos uma prenda para ti: filmámos tudo. E assim damos um outro sentido à falta que me fizeste.
É que, como diz o Palma, “enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar, a gente vai continuar”. 

Um abraço, pá
E até já!

João Monge

De conversavinagrada.blogspot.com

Álvaro Cunhal, 

"Porque nenhum de nós anda sozinho/E até mortos vão a nosso lado"


"Como, estás louco? Mesmo sem olhos um homem pode ver como anda o mundo. Olha com as orelhas. como aquele juiz ofende aquele humilde ladrão. Escuta com o ouvido, troca os dois de lugar, como pedras nas mãos; qual o juiz, qual o ladrão?"  (Rei Lear)

(A morte de Cordelia – filha do Rei Lear)


Eu, que sou corpo e apenas porta-voz do que decidem o Meu Contrário e a Minha Alma, venho cumprir o compromisso de aqui escrever sobre o homem, o escritor, o artista, o ensaísta, o resistente, o lutador, o político, todas as semanas durante todo um ano em que se celebrará o centenário o seu nascimento. Escolheram, Minha Alma e Meu Contrário, que escrevesse hoje sobre Rei Lear, peça de William Shakespeare, e que Álvaro Cunhal traduziu em reclusão (entre 1953 e 1955, na cadeia de Lisboa, sob o pseudónimo Maria Manuela Serpa). Minha Alma e Meu Contrário me aconselharam a que o fizesse: sem esquecer o que terá sido o feito, em tais condições de privação da liberdade; o que terá sido o feito, sobre a pressão de quem levava vida perseguida; o que terá sido o feito, se quem o fez não saberia se o dia seguinte iria existir... Não saberemos nós como o pensar, por ser inimaginável que tivesse superado a adversidade e deixado tal obra acabada e em condições de merecer elevados elogios, por quem faz oficio de tradução o seu próprio ganha pão. Sobre a escolha de Rei Lear para tal trabalho, Minha Alma não tem dúvidas, a trama e o drama, além de permanecerem actuais, reúnem todos os valores (e a sua ausência) que justificam e explicam a sua luta. Meu Contrário realça o desafio, vencido, que expõe o intelectual  perante si mesmo, e acha o feito extraordinário: como foi possível, rodeado de esbirros e de ratos?


In “blog” – Conversa avinagrada.
Obrigados!

Um texto "à medida"


- Edição Nº2052  -  28-3-2013

Do Vietname, com amor,
para Álvaro Cunhal


As quartas de manhã, nos idos do dealbar de 1976, eram o pedaço mais desejado da semana para um grupo de jornalistas empenhados em escrever, nem sempre bem, nem sempre conseguindo esse desiderato, «a verdade a que temos direito». Não era, nessas alturas, preciso arranjar desculpas para o atraso ao encontro, nada de o trânsito estar de morrer, o metro, nem imaginam, o autocarro atrasou-se, o despertador, vejam lá, deu-lhe para não tocar. Chegávamos todos a tempo e horas, enchíamos a sala com a nossa vontade de ouvir e de aprender, muitos de nós licenciados, experts em coisas várias, diplomados em filologias, histórias e economias. E depois chegava o Álvaro, sorriso encorajador, uns papéis ou um bloco-notas debaixo do braço, um cumprimento às vezes afável, às vezes contundente, às vezes enrugado, consoante os ventos que sopravam contra ou a favor dos que, honesta e fraternalmente, queríamos que soprassem.

As quartas feiras de manhã eram o contacto com a experiência, a humanidade, a força inabalável, a inflexibilidade e a ternura do Secretário-geral do Partido Comunista Português, ali sentado connosco, a ouvir-nos preocupações e sonhos, a sugerir-nos caminhos e atitudes, a saber de cada um de nós, dos nossos problemas, das nossas vidas, a contar-nos pouco da sua intimidade e muito do seu sonho acordado, da sua inabalável confiança nos operários da terra ou da fábrica, da tela ou dos livros, da vida e do futuro. Era um de nós sendo o que todos nós queríamos vir a ser, não líderes ou dirigentes de um colectivo incomparável, mas homens e mulheres tão íntegros, empenhados, seguros, revolucionários e confiantes como ele porque, com ele, com o seu exemplo, com as suas palavras, ficaríamos envergonhados de ser menos do que aquilo que nos propunha que fossemos e que desejávamos ou passávamos a desejar ser.

Pelo meio destes afazeres andava eu às voltas com as cantigas e calhou, integrado no grupo «Introito» e tendo como parceiro o Samuel, dar uma saltada a Dusseldorf para participar numa festa do DKP (Partido Comunista Alemão na, então, Alemanha Ocidental). Cantigas em palcos de solidariedade, conversas impensáveis com Hartmut Friekenbrink, nosso guia e militante do DKP que falava um português correctíssimo e, depois, já no poente da festa, uma visita de despedida arredondada ao recinto dela, na bebericagem de uns scnhapps de variados e gulosos sabores em stands que representavam vários movimentos e partidos progressistas do mundo e que, por honra à casa que os hospedava e ao bom gosto dos seus frequentadores, dispunham da apetecível bebida.

Vai daí, estávamos nós na prática do desporto líquido (como diria na altura o Baptistas-Bastos), eis que nos surge um grupo de caras risonhas e afáveis, mostrando nos seus traços sua origem asiática. Dirigiram-se a nós e quiseram confirmar se éramos portugueses. Perante a nossa resposta afirmativa alargaram os sorrisos e um deles estendeu-nos um ramo de cravos vermelhos. Disse-nos: para dar a Álvaro Cunhal.

Abraços, algumas lágrimas, sorrisos redondos, saúdes, e eu a olhar para um ramo de cravos vermelhos que um grupo de vietnamitas me depositara nos braços e com a responsabilidade de o entregar, com indicação de remetente, a Álvaro Cunhal.

No dia seguinte entrei pela António Serpa e entreguei a quem devia os cravos e a estória deles. Ainda estavam viçosos.

Acho que ainda hoje estão viçosos.

Nuno Gomes dos Santos 

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Ora aqui está um texto "à medida" deste "blog". A uma das suas muitas "medidas"... tal como o desejámos e vamos cumprindo. Como tantas outras mensagens já aqui colocadas.
Obrigados, Nuno!
S.R.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Excertos

“(...) Uma análise atenta da história, tanto do exercício do poder político como do exercício da direcção de partidos, mostra que o abuso do Poder é fácil e a impunidade também. Esta conclusão não significa que a posição correcta seja a desconfiança sistemática. Nem tão-pouco a ideia de que o mal é irremediável porque o defeito está na natureza humana. Se a história é pródiga em abusos do Poder e coberturas de impunidade, regista – e é imperativo que não só registe mas valorize – os que exercem o Poder com respeito pelos direitos e pela dignidade dos que são abrangidos pelas suas decisões (...)”

Álvaro Cunhal, Julho de 1997,
no prefácio à publicação do relatório
para o IV congresso do PCP (1946)

Uma homenagem singular

António Sampaio da Nóvoa
Reitor da Universidade de Lisboa

Na homenagem a Álvaro Cunhal na Aula Magna da Universidade de Lisboa

quarta-feira, 27 de março de 2013

Sessão Pública CGTP


Com muito gosto aceitei o convite


Pedro Pezarat Correia
No passado sábado, 23 de Março, numa Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa completamente lotada, teve lugar uma sessão cultural evocativa da figura de Álvaro Cunhal, que inicia um ano dedicado às comemorações do centenário do seu nascimento. Não pertencendo nem nunca tendo pertencido ao Partido Comunista Português (PCP) situo-me, porém, no grupo daqueles que consideram que o PCP se inscreve na área política que gostariam de ver o povo português escolher para liderar os destinos do país. Aqui fica o meu registo de interesses para que não haja equívocos com esta nota no GDH.
Com muito gosto aceitei o convite que me dirigiram para integrar a Comissão Promotora e estive presente na Aula Magna onde, entre muitas vantagens, beneficiei da oportunidade de ouvir mais um magnífico discurso do reitor da Universidade, professor Sampaio da Nóvoa. Guardo de Álvaro Cunhal, do cidadão, do resistente e precursor do 25 de Abril, do político, do estadista, do intelectual multifacetado, um profundo respeito. Particularmente agora, quando as figuras menores que têm passado pelo poder sem honra e sem dignidade vêm aviltando a imagem dos políticos e da democracia – e este é dos pecados maiores que lhes devem ser cobrados –, é justo e é pedagógico, evocar alguém que se empenhou profundamente na política sem mácula, sem cedências susceptíveis de violarem os princípios, os valores, os compromissos. Álvaro Cunhal era uma referência para quantos, independentemente dos sectores ideológicos e partidários em que se situassem, cultivavam o rigor na gestão da polis, na política, porque era de uma enorme exigência. Mas começava por ser exigente consigo próprio. Concordasse-se ou discordasse-se dele, confiava-se nele.
Recordo que, quando partilhei algumas responsabilidades no país e, com os meus camaradas, discutíamos ou analisávamos a situação política, o sentimento generalizado em relação a Álvaro Cunhal era o de que se tratava de um homem de carácter, credível no que dizia, fiável naquilo com que se comprometia. pela década de 90, quando eu estava reformado da vida militar e Álvaro Cunhal deixara a liderança do PCP, encontrávamo-nos, não com muita frequência mas com alguma regularidade, por vezes com mais dois ou três amigos. Eram conversas privadas, interessantíssimas, trocas de impressões passando em revista as conjunturas nacional e internacional. E Álvaro Cunhal gostava de frisar o que mais o marcara quando teve de lidar com os militares na política no período revolucionário e nos anos em que perdurou o Conselho da Revolução e um militar na presidência da República: eram homens de palavra. E isso fora decisivo na manutenção de relações de respeito mútuo.
um aspecto que não posso deixar de registar. Hoje, quando a União Europeia navega em águas agitadas sem rumo perceptível e em que os chamados países periféricos sofrem as consequências de decisões que parecem tudo menos inocentes, é oportuno recordara voz lúcida de Álvaro Cunhal que na altura muitos acusaram de “velho do Restelo”. Quando os responsáveis políticos embandeiravam em arco com a adesão à Comunidade Económica Europeia e a entrada no “clube dos ricos”, quando a maioria do povo português embarcava na euforia da festa das remessas dos fundos estruturais e se empanturrava em betão a troco do abandono da agricultura, da extinção da frota pesqueira, do esvaziamento da marinha mercante, do encerramento de indústrias de base, Álvaro Cunhal alertava e repetia: os portugueses irão pagar isto. Era ouvido com cepticismo. Não me excluo, a palavra de Álvaro Cunhal levava-me a reflectir, mas deixava-me dúvidas.
Álvaro Cunhal tinha razão. Os portugueses estão a pagar isso.
25 de Março de 2013

Hoje, Dia Mundial do Teatro - anúncio

 O teatro Fórum de Moura apresenta em parceria com o Teatro Extremo


Integrado nas comemorações do centenário do nascimento de Álvaro Cunhal, a peça para a infância "Os Barrigas e os Magriços” a partir do conto homónimo de Álvaro Cunhal estreia a 6 de Abril em Moura e a 7 de Abril em Almada, seguindo em digressão nacional.

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Este conto-peça infantil foi ilustrada pelos alunos do pré-escolar das escolas do Fojo, Quinta do Amparo e Major David Neto,  em edição comemorativa do 35º aniversário do 25 de Abril,. A peça reproduz-se integralmente neste blog, em citações e outras páginas, e deixam-se aqui as quatro primeiras páginas da edição das escolas de Portimão.








Frases

O QUE EM ALEGRIA APREGOASTE


 
O QUE EM ALEGRIA APREGOASTE

É como morto que não procurarás novos lugares,
e, para onde olhares, não verás nem as altas montanhas
nem o fundo do mar, apenas o vento envelhecerá o
que agora te cobre e outros pisam – nãobarco
para navegar, nem ofertas para arrecadar, outros
querem a tua alma, outros deuses conhecer
ou os fragores sábios do povo nomear,

seguir-te, ou de múltiplas e notáveis vénias
se equivocam, e cedem ao deleite e à glória
o que em alegria apregoaste, fazendo
amanhecer as manhãs e os caminhos
pela primeira vez para que fôssemos
compreender quanto poder existe
numa palavra ou no brilho
simples de um olhar.

Jorge Velhote

(poema de Jorge Velhote a Álvaro Cunhal)