«Álvaro Cunhal é uma personalidade marcante, em Portugal e no mundo

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Depoimento/extrato de António Pina


Uma das «Estelas» de Victor Segalen, intitulada «Libation Mongole»,* fala de um guerreiro inimigo aprisionado no final de uma batalha a quem, por se ter batido com grande coragem, é proposto que se passe para o lado dos vencedores. É um texto admirável sobre lealdade e a inteireza de carácter: «Cortámos-lhe as pernas pelos joelhos […]. / Cortámos-lhe os braços […]. / Fendemos-lhe a boca de orelha a orelha: com o olhar, continuou a dizer-nos que permanecia fiel. / Não lhe espetemos os olhos como se faz aos cobardes. Em vez disso, cortemos-lhe respeitosamente a cabeça, derramemos o koumys dos bravos, & esta libação: / Quando renasceres, Tch’en Houo-chang, dá-nos a honra de renascer entre nós

Primeiro parágrafo do depoimento de Manuel António Pina sobre Álvaro Cunhal no livro Retratos de Álvaro Cunhal’ de José da Cruz Santos, editado pela Afrontamento.

*      *      *
* - Libation Mongole*
C'est ici que nous l'avons pris vivant. Comme il se battait bien nous lui offrîmes du service : il préféra servir son Prince dans la mort.
Nous avons coupé ses jarrets : il agitait les bras pour témoigner son zèle.
Nous avons coupé ses bras : il hurlait de dévouement pour Lui.
Nous avons fendu sa bouche d'une oreille à l'autre : il a fait signe, des yeux, qu'il restait toujours fidèle.
Ne crevons pas ses yeux comme au lâche ; mais tranchant sa tête avec respect, versons le koumys des braves, et cette libation :
Quand tu renaîtras, Tch'en Houo-chang, fais-nous l'honneur de renaître chez nous.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

De comentário a depoimento


Iluminar um comentário tal como foi escrito ao correr da pena:


«Nos meses que se seguiram à Revolução de Abril e com tanto a acontecer no nosso país quando todos eram convocados para defender as conquistas houve tempo para formar núcleos de Pioneiros. No final de 1974, início de 1975 formou-se um núcleo em Sacavém e eu e a minha irmã começamos a participar nas atividades. Eu tinha pouco mais de dez anos e guardo gratas recordações desses anos
Enquadrando-me no que nos dás a conhecer neste texto também me recordo do Álvaro estar connosco: nos encontros e no espaço dedicado às crianças desde a primeira Festa do "Avante!" (Parque D?). De ter essa mesma atitude: ser um de nós no cumprimento das tarefas. De chegar junto de nós e de falar connosco: perguntava-nos o nome, o que gostávamos de fazer, o que gostávamos de estudar
Ana Alves Miguel

Um dia os réus serão vocês! - o julgamento de Álvaro Cunhal





A História nos julgará!
A defesa acusa!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

"Ouvendo" o vídeo dedicado a Álvaro Cunhal - 4

O camarada Álvaro! Só...
Presente. Vivo no seu legado.




Obrigado, Pedro!

"Ouvendo" o vídeo dedicado a Álvaro Cunhal - 3

Respeito e saudade. Força!




"Ouvendo" o vídeo dedicado a Álvaro Cunhal - 2

Vivendo emoção, a acolher razão e força. Luta!




"Ouvendo " o vídeo dedicado a Álvaro Cunhal - 1

No XVIII Congresso do PCP, de 2008, convidei um amigo que é  fotógrafo a assistir, e tratei.que lhe fosse dado acesso como comunicação social, a que aliás tinha direito. Fez uma extensa e excelente reportagem fotográfica, que por vezes revejo, e dela retiro 16 fotos de delegados ao congresso enquanto passava o vídeo sobre Álvaro Cunhal.
Com autorização (e todo o apoio) do Pedro Gonçalves, como tributo a Álvaro Cunhal, publicam-se essas fotos neste blog. Estas são as primeiras 4: 





sábado, 9 de fevereiro de 2013

Fevereiro - Iniciativas

(ou vice-versa!)

algumas...

DIZEM ALGUNS...

Álvaro Cunhal
[Desenho de Álvaro Siza Vieira]

*
DIZEM ALGUNS

Dizem
alguns que tu
foste uma lenda arrancada
das páginas da história. Que a tua
palavra ardia
como uma tocha, às vezes
como uma lança cravada
na carne da ignomínia.
Eu diria
apenas que foste
a encarnação dum sonho, o rosto
humano da utopia.

Albano Martins

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Por causa de algumas dúvidas...

... o melhor é ir às fontes, aos Mestres!

















Aliás,,, esta transcrição de
O Partido com paredes de vidro,
podia ser ojecto de edição revista
(e de autor coletivo...)
e onde está Lenine
pôr-se Marx ou Cunhal!
(e por aqui nos ficaríamos)

Redactor do avante!






























...

Gestos que ficam


Quem se não lembra do Centro de Trabalho da António Serpa e da azáfama que por se vivia? Reuniões até às tantas da manhã, conferências, debatescamaradas entrando e saindo, num constante rodopio, salas repletas de cartazes, cola, pincéis, tintas. Um verdadeiro Centro de Trabalho,!...

Em contraste com as amplas instalações, a cozinha era minúscula e vetusta, com lava loiças de pedra e chaminé a condizer. Localizada nas traseiras do andar, dava para uma escada de salvação, que como tarefa de segurança mantínhamos sempre sob vigia.

Porque se iria realizar uma reunião, não posso recordar a que nível, foram convocados uns tantos camaradas para tarefas de apoio, entre os quais me encontrei.

Na cozinha, sobre uma mesa, estavam os pratos, um cestinho com pão e os talheres na gaveta, um pano da loiça junto à chaminé e sobre o fogão um tacho com arroz de ervilhas e uma travessa com pastéis de bacalhau. Chegada a hora de almoço, cada um de nós deu início, ao pantagruélico repasto, de , como se nos encontrássemos num qualquer festival, com a pequena diferença de que, à medida que terminávamos a refeição, lavávamos os nossos pratos e talheres, deixando tudo em condições para que outros camaradas pudessem encontrar a cozinha pronta a servir outra refeição. O camarada Álvaro, como qualquer um de nós, e porque não, chegou, serviu-se e, quando se aproximou para lavar o prato e o talher que utilizara, um outro camarada que estava lavando a loiça de que se servira, e porque estava com as mãos na massa, como é costume dizer-se, estendeu o braço para pegar no prato do Álvaro Cunhal que delicadamente declinou a atenção, lavando e enxugando a sua loiça, deixando tudo como qualquer um de nós devia proceder.

São também estes pequenos gestos, aparentemente sem importância, que desenham e caracterizam a personalidade de um indivíduo e servem de exemplo, sobretudo para os que não se consideram iguais a todos os outros.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Por todo o país



Terei, dentro de muito poucos dias, pormenores sobre o andamento do projecto de espectáculo colectivo que percorrerá várias localidades alentejanas e do novo CD que o acompanhará, espectáculo e CD onde lembraremos algumas canções ligadas à “mais bonita conquista de Abril”, a Reforma Agrária... e a profunda ligação que Álvaro Cunhal teve com as lutas dos camponeses e com a terra.
Entretanto, como a imagem ilustra, as iniciativas sucedem-se por todo o país, como é o caso desta, em Viana do Castelo, já na próxima sexta-feira.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Monsieur Morisi

Mais um flash extraído do blog "duasoutrescoisas" de Francisco Seixas da Costa.
  
«Num café de Montreuil, nos arredores de Paris, a surpresa foi imensa, nesses últimos dias de abril de 1974. As imagens que a televisão trazia da "révolution des oeillets", que, à época, marcava a atualidade portuguesa em França, mostravam a chegada triunfal ao aeroporto de Lisboa de um homem de cabelos brancos, gabardine parda, olhar firme e determinado:
- "
Mais c'est Monsieur Morisi!", exclamaram, surpreendidos, alguns clientes.

Era Álvaro Cunhal, o líder histórico dos comunistas portugueses, que tinha vivido clandestinamente em Montreuil nos últimos anos antes do 25 de abril, quando muitos achavam que essa figura mítica se encontrava em Moscovo ou em Praga. Para a vizinhança, ele era apenas o discreto "M. Morisi", como ontem me contou o deputado Jean-Pierre Brard, que foi "maire" da localidade que, como militante comunista, conheceu pessoalmente Cunhal.
Está ainda por fazer, de forma organizada e não sectária, a história do papel desempenhado pela França como terra de acolhimento dos exilados portugueses durante a ditadura. Neste tempo de "Festa do Avante", que tanto diz aos militantes comunistas portugueses, aqui fica esta pequena nota, dos tempos de um certo "M. Morisi". »

Quantos pseudónimos não teria gerido durante todos esses longos anos de clandestinidade?
 


Desenhos de prisão (e não só)