«Álvaro Cunhal é uma personalidade marcante, em Portugal e no mundo

quarta-feira, 27 de março de 2013

O QUE EM ALEGRIA APREGOASTE


 
O QUE EM ALEGRIA APREGOASTE

É como morto que não procurarás novos lugares,
e, para onde olhares, não verás nem as altas montanhas
nem o fundo do mar, apenas o vento envelhecerá o
que agora te cobre e outros pisam – nãobarco
para navegar, nem ofertas para arrecadar, outros
querem a tua alma, outros deuses conhecer
ou os fragores sábios do povo nomear,

seguir-te, ou de múltiplas e notáveis vénias
se equivocam, e cedem ao deleite e à glória
o que em alegria apregoaste, fazendo
amanhecer as manhãs e os caminhos
pela primeira vez para que fôssemos
compreender quanto poder existe
numa palavra ou no brilho
simples de um olhar.

Jorge Velhote

(poema de Jorge Velhote a Álvaro Cunhal)

segunda-feira, 25 de março de 2013

Sessão Cultural Evocativa

Lisboa, 23 de Março



Fotografias
Intervenção de Jerónimo de Sousa

Iniciativa na Mealhada

(de uma espécie de diário)
24.03.2013
(...)
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Para depois ir à Mealhada, a uma sessão do centenário.
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(...)
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Uma muito boa sessão, iniciada com um vídeo, apresentada pela Mafalda (está linda e vivíssima a Paz!), duas boas  intervenção do João Louceiro e do Domingos Abrantes, um adequado e bem interpretado apontamento cultural, de leitura de textos e poemas.
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Uma sala cheia. A deitar por fora.



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Como de costume, encontrei muita gente, alguma surpreendida por me ver ali.
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Foi uma ida e volta (1h e 20 + 1h e 20) para participação militante (de base, que é o que sempre fui, e somos todos... os que o são).
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O carrinho portou-se bem. Eu também,,,
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O dia não acabou mal.
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Que a semana comece bem!

domingo, 24 de março de 2013

A diferença


 
«É uma visão idílica imaginar que o Mercado Comum é uma associação de países ricos e filantrópicos, prontos a ajudar os países mais atrasados. O PCP tem assumido a defesa das relações económicas e comerciais com a CEE. Mas tem considerado que uma integração provocaria ainda maiores dificuldades à economia portuguesa… Os países do Mercado Comum defendem os seus interesses próprios e por eles estão prontos a sacrificar os interesses dos outros. Mesmo quando admitem o alargamento da comunidade a Portugal, Espanha e Grécia, não é para ajudarem os países que estão de fora mas para que a entrada destes sirva os interesses dos nove que já estão lá dentro... Nós, comunistas, não aceitamos que as decisões acerca dos problemas nacionais caibam ao imperialismo, caibam ao estrangeiro!»

(Álvaro Cunhal, «Discursos», 1980)

A todos nós, que estávamos lá

Há certas maneiras de encarar e entender a vida (e as coisas da vida) que, reduzem tudo a sim ou não., em que escolher é rejeitar. Para nós, não. Escolher pode ser não rejeitar. Como o sim também é não, e também pode ser outros sins que não só aquele que emerge.
Estávamos lá, na Reitoria. Éramos 2 mil ou mais. Contando com os que passaram pelo palco. Num acontecimento que as desgraçadas opções do tempo que vivemos rejeitaram para um plano secundaríssimo, escolhendo as eleições do Sporting, a manobra e aintrigalhada dos partidos e respectivas personalidades do dito (ridiculamente) arco do poder.
Nós estivemos lá, sentimo-nos tão bem por lá ter estado!, por termos vivido aquelas horas de lembrança, convívio, comunhão, arte, cultura. Futuro.
Escolher uma referência? Sim!, desde que na nossa maneira de encarar e entender a vida (e as coisas da vida), nesta nossa maneira em que, ao ter de escolher uma referência, não excluímos outras. Tão-só não temos tempo, nem espaço, nem disponibilidade, para todas referir. Porque todas mereceriam.
Escolhemos a intervenção de António Sampaio da Nóvoa. Como a ouvimos e lembramos, e cansados de passar uma manhã à procura de onde a reler e, talvez e decerto, saborear. Ficou-nos uma impressão de fala construída como quem compõe um mosaico para o momento. Com frases e títulos e versos  que são de todos nós porque de todos nós os queremos. Aos versos, aos títulos, às frases. Que o Reitor da Universidade de Lisboa a todos nós nos quis oferecer, em momento e sítio adequado, o que de todos nós é. Nem por isso menor a prenda.
Que havemos de colher. Com a ajuda da gente.

Sessão na Reitoria - postal


Da Lusa, no meio das eleições do Sporting e das trapalhadas PS-PSD-CDS


Homenagem a Álvaro Cunhal junta dezenas de artistas em Lisboa

As comemorações do centenário do nascimento de Álvaro Cunhal, antigo líder do Partido Comunista Português (PCP), reuniram hoje na Aula Magna da Universidade de Lisboa várias dezenas de artistas, numa iniciativa que contou com a presença de Jerónimo de Sousa.
MARIO CRUZ/LUSA
© 2013 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
MARIO CRUZ/LUSA
"Homenageamos essa figura fascinante e de invulgar inteligência do nosso Portugal contemporâneo que se afirmou como uma referência na luta pela liberdade, a democracia, a emancipação social e humana. O homem de coerência, de firmes convicções e inteireza de caráter. O político de ação e de diversificada e profunda produção teórica, o estadista, mas também o homem de cultura e o artista", salientou na sua intervenção o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, em referência a Álvaro Cunhal.
Perante um auditório completamente preenchido, tendo os 1.600 lugares sentados sido poucos para acolher todo o público que acorreu ao evento, Jerónimo de Sousa sublinhou que "Álvaro Cunhal via e defendia o fenómeno da criação artística como ato autónomo e profundamente livre de imposições".
E acrescentou: "O exemplo de vida de Álvaro Cunhal, a sua força interior, a sua luta e a sua obra, continuam a ser fonte de otimismo e confiança, e um incentivo para quem luta e acredita na força criadora e libertadora dos homens e dos povos, armados com as armas da sua identidade e da sua cultura".
Já António Sampaio da Nóvoa, reitor da Universidade de Lisboa, destacou durante um discurso que cativou a plateia a sua "alegria de ver a sala cheia numa homenagem a um antigo aluno" da instituição, na qual Álvaro Cunhal tirou o curso Direito.
À atriz e encenadora Fernanda Lapa coube o lançamento do espetáculo, que contou com dança, música popular e de intervenção, canto lírico e fado.
Nesta sessão cultural dedicada a Álvaro Cunhal, iniciada às 15:00 e que se estendeu durante toda a tarde, participaram os seguintes artistas: Cândido Mota, Maria do Céu Guerra, Rita Lello, Luísa Ortigoso, José Wallenstein, Joana Manuel, Tavares Marques, Fernanda Lapa, Teresa Sobral, Companhia de Dança de Almada, Ana Maria Pinto, Joana Resende, Cantadores do Redondo, Vitorino, Janita Salomé, João Paulo Esteves da Silva, Hélder Moutinho, Ricardo Parreira, André Ramos, Yami, Camané, Mário Laginha, Sebastião Antunes, Samuel, Uxia, Paulo Borges, Zeca Medeiros, Jorge Silva, Gil Alves, Rogério Cardoso Pires, Manuel Pires da Rocha, Rui Júnior, Tocá Rufar, Magna Tuna do ISCSP e Tim.
DN // MBA

sábado, 23 de março de 2013

Sublinhados



A Questão do Estado 

Questão Central de cada Revolução

Álvaro Cunhal

Novembro de 1967


Primeira Edição: Revista «O Militante», nº 152, novembro de 1967


«(...) Nada tem a ver com o marxismo-leninismo a opinião anarquizante segundo a qual é indiferente à classe operária que o poder da burguesia se exerça num regime parlamentar ou numa ditadura fascista, uma vez que num caso e noutro se trata de capitalismo. A repressão e o terror são utilizados precisamente para impedir o desenvolvimento da sua organização e da sua luta, para aniquilar os seus quadros, para cortar o caminho à revolução socialista. Enquanto subsistir o capitalismo, o proletariado está interessado em lutar para que a ditadura da burguesia se exerça através de formas o mais democráticas possível, pois estas não só são as que menos sofrimentos lhe acarretam, como são aquelas que melhor lhe permitem defender os seus direitos, forjar a sua unidade, reforçar as suas organizações, limitar e enfraquecer o poder dos monopólios, ganhar as massas para a causa da revolução socialista. Nesse sentido se afirma que a luta pela democracia é parte constitutiva da luta pelo socialismo.
Nada tem também a ver com o marxismo-leninismo a posição de alguns «ultra-revolucionários» ao afirmarem que, nas condições do Portugal de hoje, a instauração das liberdades democráticas, se não fosse acompanhada pela conquista do poder pelo proletariado, seria ainda pior que a ditadura fascista, uma vez que representaria a consolidação do poder da burguesia, cuja crise se agrava nas condições do fascismo. (...)»

a incluir no 
4º volume das OBRAS ESCOLHIDAS,
a editar no âmbito das comemorações 
do centenário

sexta-feira, 22 de março de 2013

quarta-feira, 20 de março de 2013

Yvette K. Centeno


Yvette K. Centeno

NA MORTE DE ÁLVARO CUNHAL

Morreu um Bravo:
nem tudo sombra
nem tudo glória

Fica o exemplo:
a voz que não se renega
o corpo que não se encolhe

a luz da utopia
nas grades da memória

De vez em quando, um desenho - desenhos originais - 11


segunda-feira, 18 de março de 2013

Sessão cultural evocativa no âmbito das Comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal

Dado o "excepcional" relevo dado a esta conferência da imprensa, em que esteve presente, em funcões, um profissional da comunicação social (!), será talvez (não) dispensável insistir na sua divulgação.
Por isso, aqui se volta a fazer-lhe larga referência:

A Comissão Promotora da Sessão cultural evocativa no âmbito das Comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal realizou, no Jardim de Inverno do São Luiz Teatro Municipal, uma conferência de imprensa de apresentação do Programa da respectiva Sessão, que terá lugar no próximo dia 23 de Março, na Aula Magna).
A apresentação do programa coube a Armando Caldas (Actor e Encenador), Fernanda Lapa (Actriz e Encenadora) e Samuel (Cantor).
A comissão promotora disponibilizou uma nota, que abaixo se reproduz.
"Sessão evocativa – a dimensão intelectual, artística, humana e militante de Álvaro Cunhal
Um conjunto de personalidades - homens, mulheres e jovens – oriundas das mais variadas expressões artísticas, da cultura, da ciência e do ensino, do desporto e do trabalho, promovem a Sessão evocativa cultural de homenagem a Álvaro Cunhal, a ter lugar no próximo dia 23, às 15H, na Aula Magna da Reitoria Universidade de Lisboa, em cuja Faculdade de Direito Álvaro Cunhal fez a sua licenciatura, razão pela qual esta Universidade se associou à homenagem.
No próximo dia 10 de Novembro faz 100 anos que nasceu Álvaro Cunhal, uma das figuras mais marcantes da sociedade portuguesa no século XX e na passagem para o século XXI. Referência incontornável da luta pela liberdade, a democracia, a emancipação social e humana dos trabalhadores e dos povos. Álvaro Cunhal foi também o homem, o intelectual, o artista com um apaixonado interesse por todas as esferas da vida, nomeadamente, pela actividade de criação artística que se expressa nas suas obras, quer no plano da literatura, com o romance e o conto, quer no plano das artes plásticas com o desenho e a pintura, quer ainda no plano da reflexão teórica sobre a estética e a criação cultural.
Poucos portugueses marcaram tão profundamente a história do nosso país, razão pela qual este conjunto de personalidades independentes, decidiu promover a homenagem ao homem, ao intelectual, ao artista, ao militante. Na sessão cultural evocativa, um espectáculo cujo guião está centrado nos momentos mais significativos da vida e acção de Álvaro Cunhal ao longo de 92 anos, participam um conjunto de artistas que se quiseram associar a esta homenagem:

Ana Maria Pinto (cantora lírica), acompanhada ao piano por Joana Resende; Cândido Mota; Companhia de Dança de Almada; Hélder Moutinho com Ricardo Pereira, André Ramos e Yami; Janita Salomé e Vitorino com os Cantadores do Redondo; Joana Manuel; João Paulo Esteves da Silva; João Reis; José Wallenstein; Luísa Ortigoso; Magna Tuna Apocaliscspiana do ISCSP; Maria do Céu Guerra; Mário Laginha e Camané; Rita Lello; Samuel; Sebastião Antunes; Teresa Gafeira; Tavares Marques; Tim; Tocá Rufar com Rui Júnior; Uxia, acompanhada ao piano por Paulo Borges; Zeca Medeiros com Jorge da Silva, Gil Alves, Rogério Cardoso Pires e Manuel Pires da Rocha."

KING LEAR - Inês Lourenço


KING LEAR

O tempo descobrirá o que a astúcia agora encobre;
a vergonha acaba sempre por escarnecer
daqueles que escondem crimes.
Prosperai, se puderdes.

Acto 1. Cena I (fala de Cordélia)
Tradução de Álvaro Cunhal

Viaja entre línguas, o tradutor
na noite do presídio. Masmorra vigiada
é ainda o cenário
que séculos não mudaram
nas tragédias do Poder. O filial amor
de Cordélia, tem no óculo viajante
de idiomas, uma outra trágica
filiação, que excede os tempos
da Bretanha e de Peniche: a demanda
total da liberdade.

Inês Lourenço

(Poema dedicado a Álvaro Cunhal)

sexta-feira, 15 de março de 2013

Sessão Cultural evocativa - 23.03.2013


Em conferência de imprensa
Quarta, 13 de Março de 2013
A Comissão Promotora da Sessão cultural evocativa no âmbito das Comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal realizou, no Jardim de Inverno do São Luiz Teatro Municipal, uma conferência de imprensa de apresentação do Programa da respectiva Sessão, que terá lugar no próximo dia 23 de Março, na Aula Magna).

quinta-feira, 14 de março de 2013

Reflexões lentas - a partir de leituras que são mais do que isso


Na leitura, mastigada, saboreada, de José Gomes Ferreira (Dias Comuns-VI-Memória Possível), anoto trechos que me levam a outras paragens.
A 29 de Novembro de 1968, José Gomes Ferreira comentava um artigo de José Régio em que este se vangloriava de nunca ter adulado os jovens e se ter posto ao serviço de partidos ou modas (vangloriava?, ou lamentava o isolamento que tal postura lhe provocara e justificaria o "auto-epitáfio"?).
Do comentário, retiro o trecho relativo aos partidos (e lembra-se que, então, apenas havia um partido em Portugal, resistente ao fascismo e clandestino):
«Os partidos devem pesar muito na liberdade, por certo... Mas não terão algumas vezes a vantagem de nos obrigar a vencer as mesmas dificuldades dos gigantes que dançam com cadeias nos tornozelos?»

Esta leitura lembrou outras, muito recentes, de artigos e textos (como cartas) de Álvaro Cunhal, sobre Cartas Intemporais do mesmo José Régio na Seara Nova em 1939 (quase trinta anos antes), em que Cunhal termina o primeiro artigo escrevendo:
«Não importa o homem isolado dos efeitos das suas acções. Para os homens que se digladiam na encruzilhada, um homem interessa ou vale na medida em que os acompanha na dor, na luta e na esperança.»
E, ainda a propósito de partidos - e de classe, e de tomar partido - em carta a Abel Salazar, de 1938:
«O camarada diz "não ter classe". Isso seria uma explicação. Porém, eu recuso-me a aceitá-la totalmente . O camarada ama uma classe. Compreende e sente as suas dores e as suas insatisfações. A sua atitude na vida é já uma posição tomada em relação aos combates que hoje - como sempre - se travam no mundo, combates de classes, afinal.
Apenas é necessário conhecer ainda de mais perto as grandes riquezas de sentimentos e a grande força criadora das camadas oprimidas, e ainda a beleza da energia e da luta. É necessária uma integração na classe a que se pertence, ou que se ama. (...)».

Além da convergência que leituras distantes (no tempo de escrita) suscita e se releva, há também que sublinhar que assinalar o centenário de Álvaro Cunhal é lê-lo, relê-lo, aprender com a sua vida, o seu pensamento, a sua luta. Que continua.

(também no blog
anónimo do século xxi)

quarta-feira, 13 de março de 2013

De António Vilarigues


em ocastendo:

Fim do comunismo? Olhe que não, olhe que não!
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Escrevi este artigo para o jornal «Público» em 19 de Junho de 2005, após a morte de Álvaro Cunhal. Achei por bem recordá-lo agora.
-
De tudo o que os inimigos e adversários de Álvaro Cunhal têm dito e escrito a seu propósito sobressaem alguns traços comuns.
Desde logo que era um derrotado, fora do seu tempo. Defensor cego duma doutrina totalitária condenada ao caixote do lixo da história. Em particular, rematam triunfantes, depois da queda do muro de Berlim e da impulsão da União Soviética e dos países do leste europeu. Demonstração inequívoca, proclamam, do fim do comunismo.
Se os pudesse ler o Álvaro pela certa sorriria e diria: “Olhe que não! Olhe que não”.
Os raciocínios são perfeitamente silogísticos. Como tal limitados. Só que o Álvaro amava a dialéctica, que manejava como poucos. Chegam ao ponto de pôr, não na sua boca o que era complicado, mas na sua cabeça ideias que nunca foram as dele. Convém-lhes...
Aos que isso fazem apetece responder como o Álvaro: “contra tais argumentos batatas!
Mas, tal como o Álvaro faria, descasquemos as “batatas”.
Fim do comunismo? Não se apressem!
O comunismo é uma ideologia cuja matriz principal é a da construção de uma sociedade sem classes, de homens e mulheres iguais, sem exploradores nem explorados. Onde vigorará o conceito “de cada um segundo as suas possibilidades a cada um segundo as suas necessidades”.
Durante milénios a sociedade sem classes foi um sonho da humanidade. Sonho e “Utopia” desenhada por Thomas More, no século XVI, no seu livro com o mesmo titulo.
No século XIX, com Marx, Engels e os seus companheiros, o sonho e a utopia passaram a projecto de sociedade claramente delineado. Dá-se, com a Comuna de Paris, a primeira tentativa de concretização do projecto duma nova sociedade sem classes. Durou quase cem dias. Foi “democraticamente” esmagado a tiro de canhão e espingarda. Então, como agora, proclamou-se o fim do comunismo. Estávamos em 1870...
No século XX, com Lénine e os seus discípulos, com os Partidos Comunistas, a luta pela sociedade sem explorados subiu a um novo patamar. Ganhou novos e decisivos contornos, aprofundados pelos seus seguidores e que a moldaram até aos nossos dias. Com a União Soviética, primeiro, com os países socialistas nos pós II Guerra Mundial, depois. Esclareça-se que até hoje em nenhum país se atingiu o comunismo. Afirmá-lo só por ignorância, má fé, ou ambas.
As tentativas nesses países falharam no essencial. Por erros próprios sobretudo. Por intervenção externa também. Em nome do comunismo cometeram-se inúmeros crimes.
Significa isso a invalidade e o enterro da doutrina? Claro que não.
Confesso que pertenço àqueles que não gostam de fazer comparações com o cristianismo. Porque vem sempre à baila a questão da fé. E lutar por uma sociedade sem exploração do homem pelo homem, como gostava de dizer o Álvaro, não envolve fé.
Feita a ressalva, seria como se as diferentes inquisições (católica e protestante), que duraram séculos e se traduziram em intolerância, tortura e morte em nome de Deus, tivessem conduzido ao fim do cristianismo.
Eu sei que custa, mas sejamos sérios. Questões hoje dadas como adquiridas por todos nós, só o foram, e são, porque existiam países que tentavam edificar uma nova sociedade. E porque havia, e há, quem em todo o mundo lute por essa causa. Duvidam?
Direito de voto para todos (um homem, um voto). Ensino e saúde gratuitos. Igualdade da mulher e do homem (na democrática Suíça só nos anos 80 do século XX...). Salário igual para trabalho igual. Libertação e independência dos povos do chamado Terceiro Mundo oprimidos pelas potências coloniais. Direito à greve e à manifestação. Liberdade política e sindical. Fim da discriminação por questões de raça (nos EUA só em 1964...). Férias pagas. Segurança Social. Etc., etc., etc..
Sejamos honestos. Façamos como tanto gosta de dizer o José Manuel Fernandes: discutam-se as ideias. Leia-se o Programa do PCP sobre a democracia avançada, o socialismo e o comunismo. Critique-se, ou apoie-se, o que lá está e não as vulgatas do que dizem lá estar.
Segundo traço comum a alguns escritos e ditos sobre Álvaro Cunhal, é a acusação recorrente de falta de flexibilidade.
Só para rir. O homem e o político que recusava os modelos e os clichés. Que defendia, sempre, 24h por dia, 365 dias no ano, a “análise concreta da realidade concreta”. Que alertava que o que era verdade numa determinada situação, ou sector, ou região, ou país, podia não o ser noutro. O homem que proclamava, tal como os clássicos, que a realidade era sempre mil vezes, um milhão de vezes, mais rica e criadora que o melhor dos sonhos, ou o mais criativo dos projectos, esquemático!!!
Alguns episódios ilustrativos. Que, na minha opinião, devem ser contados. Até para desmitificar as calúnias e as ideias feitas.
A determinada altura o Álvaro é convidado pela Revista Internacional Problemas da Paz e do Socialismo a escrever um artigo sobre as ditaduras fascistas no mundo. Recusa por considerar que cada caso deveria ser estudado individualmente. Para depois se poderem então tirar conclusões gerais. Se fosse caso disso. E o tempo que tal estudo lhe tomaria era incompatível com a actividade prática. E apesar das insistências não aceita.
O Álvaro encarna como poucos a célebre tese marxista de que “nada do que é humano nos é estranho”. Discutia durante horas com estudantes do secundário o filme de Antonioni  “Blow-up" e o significado das principais cenas. Torceu por John McEnroe contra Bjorn Borg na mítica final de Wimbledon de 1980.
A cena conta-se em poucas palavras. Domingo de 1980. Final de Wimbledon. Terceira hora de jogo. Vai começar o célebre tiebreak do 4º set. O Álvaro desce para o lanche. Vê-nos empolgados. Pergunta o que se passa. Explicamos. Pergunta quem é o mais fraco. John McEnroe, dizemos. Senta-se, sorri e diz que vai torcer por ele. Um camarada provoca-lo. “Mas é um americano, símbolo do imperialismo”. O Álvaro volta a sorrir e diz, “mas é o mais fraco e os comunistas estão sempre do lado dos mais fracos”. Como se sabe o resultado do tiebreak foi 18-16 a favor de John McEnroe. Borg salvou 6 pontos de set e McEnroe 5 de encontro. O Álvaro, também ele entusiasmado, deixa-se ficar até ao fim do encontro (vitória de Borg 3-2). Todos os seus comentários iam no sentido da beleza daquele encontro. Pacheco Pereira (P.P.) dirá, catedrático, que foi encenação. “Olhe que não! Olhe que não”.
Duas notas ainda. Pela negativa. Constato que P.P. também pertence aos que padece do complexo do canudo. Tudo o que nestes dias disse sobre Álvaro Cunhal e Júlio Fogaça vai nesse sentido. Como historiador não devia. Os outros vinte ou trinta dirigentes do PCP na clandestinidade deveriam ser verbos de encher. Em especial se de origem operária ou camponesa.
O Vasco Valente Correia Guedes, depois do seu artigo “Crescer com o Álvaro”, (que me recuso a comentar por o considerar inqualificável do ponto de vista ético e moral) deveria, em coerência, deixar de assinar Vasco Pulido Valente. A memória de resistente antifascista e intelectual de vulto do seu avô assim o exige.

Sector intelectual


Iniciativa do Sector Intelectual
no âmbito do centenário
do nascimento de Álvaro Cunhal
15 de Março | 16h30 | FBAUL

Notícias sobre iniciativas


Em Borba
Terça, 12 de Março de 2013
Realizou-se em Borba, no passado dia 23 de Fevereiro, um colóquio sobre a dimensão cultural e artística de Álvaro Cunhal. Esta encontro contou com a participação de João Oliveira, membro do Comité Central e Deputado à Assembleia da República e Manuel Branco.



Em Alverca do Ribatejo
Terça, 12 de Março de 2013
A Comissão de Freguesia de Alverca do Ribatejo do Partido Comunista Português realizou no passado sábado dia 9 pelas 15h30, no Salão Nobre da Junta de Freguesia de Alverca do Ribatejo, uma sessão comemorativa do Centenário do Nascimento de Álvaro Cunhal.

Nome de rua na cidade de Santarém

terça-feira, 12 de março de 2013

Rostos ou três retratos


«cultura rostos.pt - o seu diário digital

Regina Janeiro, Vereadora da Cultura da Câmara Municipal do Barreiro: Álvaro Cunhal «foi um grande homem político, da escrita, da arte e da estética»

Regina Janeiro, Vereadora da Cultura da Câmara Municipal do Barreiro<br>
Álvaro Cunhal  «foi um grande homem político, da escrita, da arte e da estética»
“O Dr. Álvaro Cunhal foi sempre uma pessoa muito afável e disponível, embora fosse uma pessoa que impunha respeito, impunha distância intelectual, sentimos que não temos bagagem para chegar até ele”, lembrou Judite de Sousa, no decorrer da iniciativa “À Conversa sobre as Conversas de Cunhal”, que se realizou no Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro . 

“Era uma pessoa muito generosa e curioso, com vontade de saber o que uma jovem de 24 anos pensava sobre uma série de coisas”, referiu Catarina Pires, afirmando que “quando fazem um retrato dogmático e fechado, não corresponde à realidade, não foi essa a pessoa que eu conheci."

O Auditório da Biblioteca Municipal do Barreiro encheu no dia 9 de março, para a iniciativa “À Conversa sobre as Conversas de Cunhal”. Quase 200 pessoas participaram num debate em que as jornalistas Judite de Sousa e Catarina Pires recordaram as entrevistas que realizaram a Álvaro Cunhal. Recordações emotivas, das oradoras e do público, lembraram o Homem, o Pensador e o Artista como uma pessoa “inteligente”, “coerente”, “afetuoso”.

A moderadora, Professora Carla Marina Santos, enquadrou a iniciativa, recordando o Dia Internacional da Mulher (comemorado a 8 de março) e a defesa de Álvaro Cunhal pela independência e emancipação das mulheres e pela paridade entre homens e mulheres. Lembrou ainda a tese de Licenciatura apresentada por Álvaro Cunhal “O Aborto: Causas e Soluções”, apresentada em 1940, considerando ainda hoje, um tema bastante atual. “É inteiramente justa” esta homenagem a um homem “ímpar na História de Portugal”, referiu, salientando a sua “personalidade singular”, a vida de resistência à ditadura, a sua obra política, filosófica e artística. “É um exemplo de seriedade e coragem que lhe deram prestígio nacional e internacional”, salientou.
Carla Marina Santos apresentou as duas jornalistas convidadas: Judite de Sousa, jornalista da RTP durante muitos anos, onde fez inúmeras entrevistas politicas, nomeadamente a Álvaro Cunhal. Atualmente exerce funções na TVI; e Catarina Pires, jornalista na Notícias Magazine. Editou o livro “Cinco Conversas com Álvaro Cunhal”, sobre “História”, “O Mundo”, “A Política”, “A Arte” e “As coisas da Vida”.

Judite de Sousa lembrou que, a partir de 1991/93, no âmbito do seu trabalho no jornalismo televisivo, entrevistou regularmente Álvaro Cunhal, lembrando que, em televisão, as entrevistas são diferentes devido aos condicionalismos do tempo, do facto de serem em direto, sendo também muito factuais, cingidas aos acontecimentos que marcam a atualidade. “Se não fossem as circunstâncias do meio televisivo, as entrevistas a Álvaro Cunhal poderiam ter sido mais ricas”. Judite de Sousa lembrou, em particular, a última entrevista, realizada a 6 de março de 2001, lendo um texto que escreveu na altura sobre aquele momento, que era especial, porque “pela primeira vez, o líder histórico do Partido Comunista Português (PCP) abriu as portas do seu espaço privado”, nos Olivais, em Lisboa. “Aproximavam-se os 80 anos do PCP. Já há um tempo que Álvaro Cunhal estava afastado das lides partidárias”, embora mantendo-se “vigilante” em relação ao que se passava no País e no Partido. No âmbito das comemorações dos 80 anos do PCP, Judite de Sousa solicitou ao assessor de imprensa do Partido um testemunho de Álvaro Cunhal. “Passado uns dias toca o telemóvel e, do outro lado, era o Dr. Álvaro Cunhal que disse que dava o testemunho e, para minha surpresa, dá-me a morada da sua casa”. A entrevista seria feita no seu apartamento, onde “provavelmente nunca nenhum jornalista tinha estado”.
“Na sala da sua casa, tinha, à minha frente, um homem simples”, referiu Judite de Sousa, salientando que “coerência” é a palavra indicada quando se fala de Álvaro Cunhal. “O seu discurso político e ideológico era coerente com a vida que levou e isso estava evidente perante os meus olhos”, referiu. “Havia uma relação muito direta entre a forma como vivia, simples, austera, sóbria, e o discurso político para o exterior”.
“Naquela meia hora na casa dele não tive a perceção que seria a última entrevista que ele iria dar”, refere a jornalista, afirmando que se tivesse tido essa noção, teria tentando uma entrevista diferente, com mais conteúdo.
Nas entrevistas políticas em estúdio, Judite de Sousa lembrou que Álvaro Cunhal chegava sempre antes da hora marcada e respondia às perguntas, dizendo “aquilo que queria dizer e não aquilo que os jornalistas queriam que ele dissesse”, por mais talentoso que fosse o entrevistador. Por mais tensas e pulsantes que fossem as entrevistas, Álvaro Cunhal, despedia-se com a mesma cordialidade e o mesmo semblante com que tinha entrado.
“O Dr. Álvaro Cunhal foi sempre uma pessoa muito afável e disponível, embora fosse uma pessoa que impunha respeito, impunha distância intelectual, sentimos que não temos bagagem para chegar até ele”, lembrou a jornalista, concluindo “era disponível, afável, generoso, mas inatingível”.
Judite de Sousa lembrou as imagens do funeral de Álvaro Cunhal. “Estava ali o País. Era muita gente e, portanto, era algo mais do que o mundo próprio da pessoa e isso significa que ele era olhado com muito respeito pelos seus adversários políticos, o que se materializou nas multidões que acompanharam o funeral”. Concluiu “é uma pessoa transversal em termos de respeito na sociedade portuguesa”.

Catarina Pires escreveu, com 24 anos, logo após ter concluído a licenciatura em Ciências da Comunicação, o livro “Cinco Conversas com Álvaro Cunhal”. Depois do livro, “tornei-me amiga dele e visitava-o”. A jornalista considera que, muito do que se escrevia na imprensa sobre Álvaro Cunhal “não lhe faz justiça”. “Há muitas pessoas que escrevem sobre ele e nem o conheceram”, considerando que o percurso de Álvaro Cunhal “impõe respeito”.
Catarina Pires lembrou que, no âmbito do curso de Comunicação, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, teve de fazer um trabalho sobre uma personalidade política portuguesa viva e decidiu que fosse sobre Álvaro Cunhal. Após o contato inicial com a sede do PCP, apresentou a ideia ao líder comunista. Apesar de Álvaro Cunhal lhe dizer que preferia que Catarina Pires não fizesse o trabalho sobre ele, a ‘aspirante’ a jornalista fez, mostrou-lhe depois e “ele gostou”. “Aí começou a história do livro”, referiu, explicando que, quando estava como estagiária no Notícias Magazine, teve “a lata”, como referiu, de pedir, outra vez, uma entrevista a Álvaro Cunhal, à qual ele respondeu positivamente. “Passado uns dias telefonou-me e perguntou se, em vez de uma entrevista, fizéssemos um livro e entrei nesta aventura um bocadinho louca. Foram 18 horas de conversas e mais uns meses de trabalho”.
“Era uma pessoa muito generosa e curioso, com vontade de saber o que uma jovem de 24 anos pensava sobre uma série de coisas”, referiu, afirmando que “quando fazem um retrato dogmático e fechado, não corresponde à realidade, não foi essa a pessoa que eu conheci. Acho que nunca mais vou entrevistar ninguém como ele. Ao longo de 14 anos de jornalismo, deu-me a responsabilidade de fazer coisas bonitas, como ele dizia”. Salientou, inclusive, que “quando ia visitá-lo e conversávamos, perguntava sempre isso, se estava a fazer coisas bonitas. Foi uma entrevista e um amigo para o resto da vida”, concluiu.

Muitas pessoas intervieram no período do debate, recordando situações em que privaram com Álvaro Cunhal, colocando questões às oradoras, salientando a capacidade intelectual do homem político e do artista, mas também referindo a forma afável como tratava os outros. Reforçando esta ideia, Catarina Pires salientou que Álvaro Cunhal “era um homem afetuoso, que dava afeto e também o recebia. O amor era um lado importante da vida dele que ele cultivava muito. Um homem com 87 anos era capaz de se tornar amigo de uma miúda de 24”, exemplificou.

Iniciativas no âmbito das Comemorações do Centenário do Nascimento de Álvaro Cunhal
No final do debate, Regina Janeiro, Vereadora responsável pela Cultura da Câmara Municipal do Barreiro, referiu que Álvaro Cunhal “marca determinantemente a revolução em Portugal”. Em conjunto com diversos parceiros, a Autarquia decidiu assinalar o centenário do seu nascimento com diversas iniciativas, sendo que a próxima, com a colaboração do Cineclube do Barreiro, será a exibição de dois filmes adaptados de romances de Álvaro Cunhal.
“Era um grande homem, com sensibilidades, opiniões, algumas vezes vincadas e outras mais flexíveis. Foi um grande homem político, da escrita, da arte e da estética”, referiu Regina Janeiro.
Por seu lado, o Presidente da CMB, Carlos Humberto de Carvalho, considerou que, nestas iniciativas, “mais importante do que intervenção cívica, social, política, ideológica e de cidadania de Álvaro Cunhal e todo o seu percurso, a sua coerência e a capacidade de não desistir perante as dificuldades, é reconhecermos o papel histórico da sua intervenção e ver como retiramos conhecimentos e experiências para os dias de hoje. As comemorações devem olhar para trás e ver o que foi a experiência histórica destes cem anos para os nossos dias”».
A reprodução textual da informação
 implica a referência da sua autoria: CMB 
Câmara Municipal do Barreiro

De vez em quando um desenho - desenhos originais - 10


ver post de 24 de Janeiro
(que traz uma história
sobre estes desenhos de Álvaro Cunhal)

segunda-feira, 11 de março de 2013

Ano de centenário e dia de aniversário


Notícias

No 92º aniversário do PCP
Quinta, 7 de Março de 2013
Duas centenas de jovens comunistas encheram por completo o salão da Casa do Alentejo, em Lisboa, para um encontro com o Secretário-geral do Partido no âmbito das comemorações do centenário do nascimento de Álvaro Cunhal e do 92.º aniversário do PCP. O lema não podia ser mais claro quanto aos objectivos da sessão: «Na tua mão o destino da tua vida. Toma Partido». Isso foi, aliás, o que fizeram nos últimos meses ou anos muitos dos que enchiam a sala: transformaram a sua revolta contra as injustiças em luta concreta, quotidiana e abnegada. Tomaram partido pela justiça, pela igualdade, pela liberdade.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Uma "entrevista" de Álvaro Cunhal


Do Expresso:

«A primeira entrevista 

de Álvaro Cunhal

Quando o censor tinha dúvidas recorria ao carimbo de 'Demorado'. Era a antecâmara da posterior proibição.
José Pedro Castanheira
6 de Fevereiro de 2009
 
Seria a primeira entrevista de Álvaro Cunhal a um órgão de informação português - não clandestino, entenda-se. Entre duas dezenas de delegações à Conferência dos Partidos Comunistas dos países capitalistas da Europa, que se realizou em Bruxelas, figurava a do PCP, presidida pelo secretário-geral, Álvaro Cunhal. 
O enviado do Expresso, A. Martins Lopes, entrevistou o líder comunista, ainda que lhe tenha sido "proibido levar máquina fotográfica". Cunhal sublinhou que foi "a primeira vez que um jornalista português, portanto um jornal legal, me pede uma entrevista". E começou por salientar: "Antes de mais, devo dizer-lhe que tenho poucas esperanças de que a censura autorize a publicação do que eu possa pensar sobre o assunto. No entanto..." Relação dos artigos idos à censura. Na quarta linha, figura a entrevista com Álvaro Cunhal, objecto de “corte total” 
Relação dos artigos idos à censura. 
Na quarta linha, figura a entrevista 
com Álvaro Cunhal, 
objecto de “corte total".

Estava na cara: o Exame Prévio nada autorizou. Nem a entrevista nem duas outras peças sobre a conferência. Numa, o repórter (...)»
 
Ler mais: http://expresso.sapo.pt/a-primeira-entrevista-de-alvaro-cunhal=f496364#ixzz2Myuv4TQy

De vez em quando, um desenho - desenhos originais - 9






Neste

terça-feira, 5 de março de 2013

Viva a Reforma Agrária - Arraiolos



Poderia ter feito assim... poderia ter feito assado... poderia ter escolhido outras canções... no limite, até outra profissão mais “sossegada”. Nada que me possa ajudar, nesta fase do andamento do projecto de espectáculo colectivo que me pediram para criar, onde se fala da Reforma Agrária e da sua memória, espectáculo integrado nas comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal.
Agora, o que está feito, está feito. Hoje é dia de “reflexão” e amanhã, dia 6 de Março, rumaremos a Arraiolos para a primeira de uma série de apresentações que fará escala em várias localidades do Alentejo... e desconfio que não só do Alentejo (a agenda ainda tem muitos dias livres!).
Lá estaremos, à noite, acompanhados por uma exposição multimédia (trabalho que tocou a outros companheiros) e com a presença das pessoas que queiram prestigiar a figura de homem, artista plástico, escritor e político que se pretende homenagear e que se sentem afectivamente ligadas à História da “mais bonita conquista do 25 de Abril”... e a algumas canções que formaram a sua banda sonora.
Nestas apresentações de espectáculos construídos para percorrer várias salas, há sempre um conjunto de pessoas que têm o (discutível) “privilégio” de estar na primeira apresentação. Aquela apresentação que, por muito que se tenha ensaiado... é sempre uma espécie de grande ensaio geral com público presente na sala. Aquela com uma dose mais elevada de nervos e inseguranças... justificadas ou não.
Lá estaremos, eu, a Luísa Basto, a Lúcia Moniz (que estará apenas nos espectáculos em que isso lhe for possível, como é o caso amanhã), dando a cara por algumas dessas canções. Acompanham-nos a Beta, a Alexandra e o Paulo, nos coros, o Cândido Mota lendo o guião que vai servindo de fio condutor, o Nuno, o Ivo, o Mil-Homens e o André, tocando os vários instrumentos, os técnicos de som e luz... e todos aqueles de entre vós que quiserem ou puderem aparecer por lá.
 

segunda-feira, 4 de março de 2013

Iniciativas - Bencatel

Em Bencatel

A Reforma Agrária e a obra de Álvaro Cunhal

Por iniciativa da Comissão Concelhia de Vila Viçosa realizou ontem em Bencatel na Junta de Freguesia a abertura de uma exposição sobre a vida e obra de Álvaro Cunhal, a qual foi apresentada pelo camarada António Gavela da Comissão das Comemorações, cuja intervenção foi muito bem recebido pelas dezenas de camaradas e amigos presentes.
Seguiu-se depois um debate sobre a Reforma Agrária e a obra de Álvaro Cunhal, que foi moderado por João Frazão da Comissão Politica do Comité Central do PCP. A intervenção de João Frazão mostrou a importância da luta pela reforma agrária e como se mantém actual a luta pela posse da terra.
Foram ainda abordados a importância do Programa do Partido aprovado no XIX Congresso o qual acolhe muito do pensamento e da obra de Álvaro Cunhal, bem como os problemas do défice alimentar que o País hoje tem. Foram mais de 70 camaradas e amigos que estiveram nas duas iniciativas numa clara afirmação do papel insubstituível do Partido Comunista Português.