«Álvaro Cunhal é uma personalidade marcante, em Portugal e no mundo

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Colóquio

«Álvaro Cunhal e a luta e organização dos Pequenos Agricultores e Compartes dos Baldios, em Moimenta da Beira»


Pelo exemplo de concelho de pequena propriedade agrícola e de agricultura familiar onde os agricultores adoptaram formas de organização cooperativa bem sucedidas. Pela sua ligação intrínseca ao escritor Aquilino Ribeiro, que imortalizou na sua obraQuando os Lobos Uivam” a gesta heroica dos povos serranos em defesa da propriedade comunitária dos Baldios, o PCP escolheu Moimenta da Beira, para a realização do Colóquio: “Álvaro Cunhal e a Luta dos Pequenos Agricultores e Compartes dos Baldios”.
Esta iniciativa, que se insere no programa nacional de comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal, terá dois momentos distintos, sendo o primeiro às 12 horas, em Soutosa, junto ao busto de Aquilino Ribeiro, com a Evocação do Cinquentenário da sua morte e a deposição de uma coroa de flores. Pelas 14 horas e 30 minutos, no Auditório Padre Bento da Guia, em Moimenta da Beira, iniciar-se-á o Colóquio, que terá intervenções de Agostinho Lopes, ex-deputado e membro do Comité Central do PCP, de João Frazão, da Comissão Política do Comité Central do PCP, do Professor João Silva, Presidente da Cooperativa Agrícola do Távora, de José Eduardo Ferreira, Presidente da Câmara Municipal de Moimenta da Beira e de Manuel Rodrigues, Presidente da Balflora – Secretariado Distrital dos Baldios e membro do DORV e do Comité Central do PCP.
Ao contrário do que os inimigos da Revolução de Abril mentirosamente propalaram, O PCP nunca defendeu a colectivização da terra fora das zonas do grande latifúndio subaproveitado e improdutivo, do Alentejo e Ribatejo. Desmentindo essa atoarda maldosa, o PCP dedicou sempre uma atenção especial à posse da terra pelos pequenos agricultores e rendeiros, bem como à sua organização de classe, apoiando e dinamizando a criação de estruturas que deram sustentabilidade à actividade agrícola e apoio à comercialização das produções, com vista à elevação dos rendimentos e consequente melhoria da condição de vida dos agricultores.
Foi a luta e a proposta do PCP que conduziram antes e depois do 25 de Abril a formas inovadoras de organização dos agricultores do norte e centro do país: O MARN e o MAPRU, movimentos dos agricultores que pugnavam pelos direitos dos camponeses rendeiros e pela generalização da Previdência Rural. Os Secretariados dos Baldios, que organizaram a luta pela posse e gestão dos baldios pelos compartes. As Ligas e Associações camponesas que desempenharam e em muitas regiões ainda desempenham um papel determinante na capacidade reivindicativa das populações rurais. A par de uma persistente luta para que fossem criados organismos de apoio à melhoria da produtividade e ao escoamento dos produtos agrícolas e pecuários, como são exemplo a EPAC, o IROMA, o SADA, e alguns mais.
Todo este labor e actividade política do PCP tiveram sempre o contributo e acompanhamento do camarada Álvaro Cunhal, quer através da responsabilidade de organismos de direcção para este trabalho, quer através da redação de documentos e publicações direccionadas para os pequenos agricultores, como foram “O Camponês”, ou o Jornal “A Terra”, órgão de unidade dos camponeses do norte.
Esta iniciativa está aberta à participação de todos os que se queiram deslocar ao Auditório Padre Bento da Guia. No final será servido umTávora de Honra.

Castro Verde

Castro Verde assinala Centenário do Nascimento de Álvaro Cunhal
Álvaro Cunhal é, no século XX e na passagem para o século XXI em Portugal, uma das personalidades que mais se destacou na luta pelos valores da emancipação social e humana, com forte projeção no plano mundial. Cedo fez uma opção de classe pelos direitos dos trabalhadores, foi militante e dirigente comunista. Interligou a sua intervenção política com um apaixonado interesse em todas as esferas da vida, nomeadamente pela criação artística.

Com o objetivo de assinalar, a nível nacional, o Centenário do Nascimento de Álvaro Cunhal foi criada uma Comissão Nacional constituída pela Associação Povo Alentejano, a Cooperativa Cultural Alentejana e a Casa do Alentejo, às quais se associaram um conjunto alargado de autarquias, entre as quais, a Câmara Municipal de Castro Verde, que vai promover um conjunto de iniciativas para assinalar a efeméride.

O
Programa das Comemorações do Centenário do Nascimento de Álvaro Cunhal em Castro Verde inicia no dia 3 de junho, com a abertura das exposiçõesVida, Pensamento e Luta: Exemplo que se projeta na atualidade e no futuro”, “Desenhos de Prisão de Álvaro Cunhal” e “Desenhos de Rogério Ribeiro, Ilustrações para o livroAté Amanhã, Camaradas”, programada para as 18h00, no Fórum Municipal de Castro Verde.

no dia 4 de Junho, o Fórum Municipal recebe a peça de Teatro “Os Barrigas e os Magriços”, pelo Teatro Fórum de Moura e Teatro Extremo, em duas sessões dedicadas aos alunos do Agrupamento de Escolas de Castro Verde, a 6 de Junho, 21h30, o mesmo espaço acolhe o ColóquioVida e Obra de Álvaro Cunhal”, por Abílio Fernandes e a 7 de junho será projeto o filmeAté Amanhã, Camaradas”, numa sessão que decorre no Auditório do Fórum Municipal, pelas 21h30.

As Comemorações do
Centenário do Nascimento de Álvaro Cunhal terminam no dia 8 de junho com um espetáculo musical evocativo, a ter lugar no Cineteatro Municipal de Castro Verde, pelas 21h30, e que conta com a participação de Luísa Bastos, Lúcia Moniz, Samuel e do Grupo Coral “Os Ganhões” de Castro Verde, que será apresentado por Cândido Mota.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Aprender, aprender sempre - 3

Continuação do ponto 3. Sectarismo e oportunismo da carta de Álvaro Cunhal, enviada  à Direcção do Partido em 1952 (!), da Cadeia Penitenciária de Lisboa, onde estava em regime de isolamento - que durou 8 anos! -, e que se transcreve apenas para ilustrar algumas características da personalidade (e da influência) de Álvaro Cunhal no colectivo que integrava e que sempre fez prevalecer. Assim se pensa, muito modestamente, contribuir para que o seu exemplo se projecte na actualidade e no futuro
À primeira vista (ou leitura) poderá parecer que estes trechos têm uma valia histórica, ultrapassada para a acção de hoje, porque "as condições portuguesas" são outras, não se vive em fascismo, não há a explícita, clara, dicotomia entre actividade legal e actividade ilegal, mas - a nosso ver, na nossa leitura - muito se aprende, para hoje, com o estudo destes textos. Sobretudo, a lição da permanente base da reflexão, as massas e a sua luta, como esclarece-las, como mobilizá-las e fazer delas o que são: o motor da História. E tal é o papel da vanguarda.
Escrevia Álvaro Cunhal: 

«(...) Nas condições portuguesas, o legalismo da actividade pode em muitos casos ser uma manifestação sectária. Quando, por exemplo, a actividade legal expõe imediata e directamente os combatentes à repressão,  o apresentar como únicas formas de organização e de luta essas formas legais e exigir que as massas as adoptem pode levar a vanguarda a expor-se isolada à ofensiva fascista, separando-se das massas e incapacitando-se para conduzir estas. Também nas condições portuguesas, a defesa da actividade clandestina pode ser uma manifestação oportunista. Quando, por exemplo, certos democratas e certos camaradas dizem que nada se pode fazer legalmente, que agir legalmente é queimar camaradas, que se opõem à constituição e acção dos organismos do MND*, abaixo assinados, etc., etc., eles estão efectivamente defendendo uma política oportunista e procurando esconder a sua insuficiente diligência para atrair massas a formas legais de luta. O sectarismo e o oportunismo manifestam-se tanto no "legalismo" como na oposição à actividade legal nas condições fascistas. A melhor forma de luta contra essas tendências prejudiciais é a justa associação do trabalho legal e ilegal, o que é muito difícil fazer com correcção, mas que se deve esperar que a Direcção do Partido o consiga. Isto são termos bastante vagos que os camaradas desculparão. Mas não nos sentimos infelizmente preparados para abordar questões práticas de organização e de acção de massas.» (pág. 234 do Tomo II)

* - Movimento Nacional Democrático

Um belo testemunho... por tão vivo e vivido



Cose a camisola

António Borges Coelho*

Nos meados de Junho de 1957 entraram na Fortaleza de Peniche os dirigentes do MUD Juvenil condenados no dia 12 pelo Tribunal Plenário do Porto: Ângelo Veloso, Pedro Ramos de Almeida, Hernâni Silva, e eu próprio. A carrinha da Pide entrou na parada da Fortaleza. Quando abriram as portas, o Ângelo desatou a correr pela rampa acima:
- Ó Coelho, olha como é belo! - Apontaram-lhe as metralhadoras.
Subimos então a rampa para o pavilhão C, o da máxima segurança, que dominava o porto e o Largo onde as mulheres de sete saias cosiam as redes e jogavam a pela.
O Ângelo entrou na primeira cela para ver como era. O guarda fechou com violência as duas portas e correu a chave. O Ângelo tocou. O guarda abriu: - O que é que quer? - E atirou outra vez com brutalidade as portas. Verificamos a seguir que não tinham outra forma de fechar.
Pelas cinco horas, tocou o apito e abriram as celas. Olhamos para o corredor e vimos aproximar-se Álvaro Cunhal. Sorria e estendeu a mão a cada um de nós. – Boa tarde, camaradas! - Era uma aparição. Muito jovem nos seus quarenta e três anos. Os cabelos Brancos que despontavam acrescentavam-lhe a auréola. Seguia-o o Rogério de Carvalho, um companheiro humaníssimo, mas o Álvaro dominava inteiramente a cena.
A foto de Cunhal, a preto e branco, passava na imprensa clandestina. O rosto jovem, anguloso e austero, olhava para nós com uma impressionante força interior. Circulavam narrativas. Falava-se do espancamento brutal a que fora sujeito, do seu papel na organização do Partido. Líamos copiografadas as suas palavras no Tribunal Plenário. Os oito anos de isolamento na Penitenciária de Lisboa douravam-lhe a aura. Alguns de nós tinham lido o seu relatório ao III Congresso Ilegal do PCP e o opúsculo “Se fores Preso, camarada”. Havia ainda o poema “A Lâmpada Marinha” que Pablo Neruda lhe dedicara, a ele, e a Militão Bessa Ribeiro. Eu próprio, em liberdade, escrevi-lhe um poema. Mostrei-lho meses depois deste nosso encontro. - Não tens outro tema mais interessante? -
Depois do XX Congresso e do relatório de Krutchev, o culto da personalidade não era politicamente correto. A reação desfavorável de Cunhal foi genuína. Destruí o poema.
Este encontro ocorrera porque todos os dias às cinco horas, desde que não estivessem de castigo, os presos tinham uma hora de convívio no refeitório. Deixavam-nos ler, jogar xadrez, escrever à família, mas conversa só por intermédio do guarda: - Ó senhor guarda, posso perguntar…
“Pode”.
“Não pode falar em política!”
Álvaro Cunhal, como qualquer de nós, viveu aqueles dias sempre iguais. Às sete horas tocava o apito. Levantar, lavar, despejar o balde, regresso às celas. Os presos, a quem, por escala, cabiam as limpezas do dia, varriam o corredor, arranjavam o quarto de banho, lavavam a loiça e, acompanhados pelo guarda, com o mar a soprar pelas furnas, lançavam o lixo do alto das muralhas.
Ao meio-dia e ao fim da tarde, desciam a rampa em direção à cozinha onde presos comuns confecionavam o almoço e o jantar. Comíamos no refeitório em silêncio. Chicharro cosido ao almoço, chicharro frito ao jantar. Se atirássemos o arroz à parede, ficaria colado como argamassa.
Depois do almoço, quando não estávamos de castigo ou não chovia, era o recreio, uma hora ao ar livre no pequeno largo travado pela muralha. Para a frente, volta, para trás. A voz estava treinada para chegar ao ouvido do vizinho. Cunhal era o alvo principal dos presos e dos guardas. O guarda do turno andava no meio:
- Fale mais alto que eu também quero ouvir!
No recreio as conversas andavam à volta da situação política, mais animadas se chegavam mensagens clandestinas. E discutíamos literatura e pintura, os clássicos e os modernos, trocávamos ideias sobre economia política e filosofia.
Nas celas os nossos passos ficavam marcados na humidade do chão. Não havia cadeira nem mesa, só a cama onde não nos podíamos sentar e muito menos escrever. Escrevíamos, sentávamo-nos. Vivíamos em transgressão permanente.
Fechados quase todo o dia e a noite, sem mesa e sem cadeira, por vezes em condições psicológicas extremamente penosas, estudávamos. Mas faltavam os materiais de base. Para receber um livro, o preso tinha de devolver o que tinha entrado. “Não são permitidas bibliotecas”. E sempre o olho do guarda a controlar os nossos movimentos pelo ralo. Aproveitando a nossa ausência no refeitório ou no trabalho de limpeza, o Bolas passava revista aos papéis e ia mostrá-los ao chefe.
Nestas condições, o trabalho, realizado por Álvaro Cunhal na prisão, foi impressionante. Na Penitenciária traduziu o “Rei Lear” e trouxe de lá, já elaborado, o ensaio “As lutas de Classes em Portugal nos fins da Idade Média”. Na Fortaleza escreveu “A Arte, o Artista e a Sociedade”, possivelmente ainda com outro título, um outro ensaio sobre a literatura portuguesa dos anos quarenta-cinquenta, a novela “Cinco Dias e Cinco Noites” e “A Mulher do Lenço Preto” que receberia o título final de “Até amanhã, camaradas”. Todos estes manuscritos, menos “A Mulher do Lenço Preto”, viajaram para a minha cela debaixo das camisolas, uma delas, rota no cotovelo.
- Cose a camisola!
Eu fazia ouvidos de mercador. Insistiu que lha desse para a coser. E coseu.
Na Penitenciária e na Fortaleza, Álvaro Cunhal desenhou a carvão o povo operário e camponês, os pescadores e as mulheres de Peniche no jogo da pela, as assembleias do povo em luta. Tinha obtido uma autorização especial que lhe permitia receber livros de arte. Ao pavilhão C chegaram álbuns de Velasquez, El Grego, Bruegel o Velho, Goya, Delacroix, Van Gogh. “O Filho Pródigo”, “Las Meninas” ou “A Velha Fritando Ovos”, “Os Céus de Toledo”, “As Seara e os Corvos”, de Van Gogh, ou o “Saturno”,  de Goya, iluminaram clandestinamente o branco das nossas paredes.
As janelas gradeadas das celas eram altas e em guilhotina. A vista para o exterior ficava cortada. Pedi ao meu pai uns socos que me permitiram chegar com os olhos à frincha e ver as ondas do mar a bater no Baleal ao fundo. O Álvaro ficava na segunda cela virada para o porto, o Rogério de Carvalho na cela do lado, depois ocupada pelo Carlos Costa.
É quase impossível inserir acontecimentos nos quase dois anos e meio que vivemos na Fortaleza de Peniche. Os dias corriam iguais, alterados pela saída de camaradas ou a chegada de uma nova fornada. Perdemos a luta contra a construção do parlatório. Blindado por um vidro espesso, impedia qualquer contacto entre o preso e o familiar e obrigavam-nos a falar muito alto com guardas dum lado e do outro lado. Mas ganhamos outras pequenas batalhas.
O enfermeiro da prisão descobriu o que os médicos não tinham descoberto. Cunhal tinha de ser operado a uma fístula provocada, ainda em liberdade, pelas longas viagens de bicicleta. As greves de 1943, de 1944 e 1947 tinham alargado a influência do Partido clandestino no meio operário, em muitos sectores da população camponesa, na pequena burguesia e também entre os intelectuais. A bicicleta ficou como símbolo da entrega revolucionária. Ela ligava o Partido ao País dos humilhados e dos ofendidos.
Quando levaram o Álvaro para ser operado, a Fortaleza ficou mais vazia. Faltava a sua palavra, a alegria contagiante e diária, mesmo nos momentos mais difíceis, a sua fé. Peso da palavra.
Nada nem ninguém consegue travar um preso, mesmo mergulhado numa cela ou num buraco, aparentemente com o nada como destino. Há sempre qualquer falha que escapa ao carcereiro.
Álvaro Cunhal, Jaime Serra e mais oito companheiros fugiram da Fortaleza de Peniche no princípio da noite de 3 de Janeiro de 1960. Salazar tremeu.
Dessa noite ficou-me nos ouvidos o grito:
- Ó da guarda, fugiram os presos!
Ficou também o ruído das botas da ronda que vinha render a guarda e os disparos sem nexo e intermináveis das metralhadoras. O guarda prisional chorava. Toda a noite, o abrir e fechar das celas, o cheirar dos cães e na parada as portas dos carros a bater.
Uma tarde, durante a lavagem da louça, falei ao Álvaro na prática socrática e cartesiana da dúvida para atingir a verdade. Não a punha em causa, mas respondeu-me que as dúvidas não o atormentavam, querendo significar que não alteravam o caminho que traçara.
A queda do muro de Berlim e o colapso da União Soviética feriram-no profundamente, mas não destruíram a sua confiança nas promessas da história e da teoria.
Nos últimos anos, meio cego, compararam-no ao rei Lear, mas a mente continuava ágil. Não saía. Queria preservar a imagem e a dignidade. Ele sabia que era símbolo, quase mítico, de décadas de luta e de sacrifício.


*Historiador

(publicado na revista Seara Nova, nº1723,

Obrigado, Ana Goulart)

iniciativa do SINTEL na cidade do Porto

Centenário de Álvaro Cunhal

iniciativa do SINTEL na cidade do Porto

Foi bastante bem conseguido o evento realizado na Cooperativa Árvore no Porto, organizado pelo setor intelectual da DORP do PCP, sobre a OBRA de Álvaro Cunhal.
As intervenções de José António Gomes (Obra Literária), Nuno Higino (Obra Artística), e Ruben de Carvalho (Ação política), foram brilhantes.
A sessão foi aberta pelo Coral de Letras do Porto que interpretou, com grande força e beleza, algumas das Canções Heróicas de Fernando Lopes Graça.
A escolha da Cooperativa Árvore para realização da sessão foi bem adequada ao acontecimento, dado que esta organização, hoje remodelada, continua a ser, contra todos os obstáculos que se lhe deparam, um baluarte da cultura nesta cidade.


De vez em quando, um desenho - 17

... dos desenhos que me vieram parar às mãos, e nelas guardo com... uma enorme alegria (Pires Jorge!... a quem os devo).
(relembra-se a característica de desenhos
feitos em reuniões,
em papeis avulso e deixados
... para serem queimados ou irem para o lixo)

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Aprender, aprender sempre - 2

Na carta para a Direcção do Partido, que Álvaro Cunhal escreveu e fez chegar (como?!), em 1952, há trechos que convidam/convocam à reflexão e à divulgação. No “post” que ontem se editou, há posições interessantes (e práticas) sobre a imprensa do Partido e, neste de hoje, retiram-se alguns excertos do ponto 3. Sectarismmo e oportunismo que estão, como tantos outros, entre os que não só se querem dar a conhecer como se retiram não fotocopiados das páginas das Obras Escolhidas (no caso, páginas 233/4 do Tomo II) mas transcritos para o computador, em trabalho de estudo e retenção, a procurar aprender, aprender sempre,… antes de os editar neste "blog":
 







«(…) não nos parecem correctos os termos em que é colocada na imprensa do Partido a questão das assinaturas de funcionários públicos em exposições apoiadas pelo Partido e pelo MND. Diz-se e insiste-se em que devem assinar mesmo sabendo que isso representará a sua demissão. Não será isto uma consigna sectária? Não afastará em vez de aproximar certas camadas da população da luta política pela paz? Não é verdade que, perante esse receio manifestado por funcionários públicos e outros indivíduos que temem (e com fundamento) perder o pão, o dever do Partido não é dizer-lhes: “Assinai, mesmo perdendo o pão”, mas encontrar formas de luta (legal, semilegal e ilegal) em que possam participar sem perder necessariamente o pão? Em O Militante diz-se muito justamente o seguinte: “É preciso ter-se muito em conta as condições de repressão e de terror fascista em que vivemos e em que é travada a BATALHA DA PAZ.” “Não comparar, não confundir as condições fascistas em que vivemos e em que é travada a luta pela paz com as condições em que vivem e travam a luta os partidários da Paz doutros países não fascistas.” Estas justíssimas palavras de O Militante devem estar sempre presentes na actividade prática do Partido e elas indicam não ser justa a forma como é colocada a questão das assinaturas dos funcionários públicos e outros vários empregados. No nosso país, em virtude da existência de um regime fascista, a questão do sectarismo e do oportunismo é em grande parte a questão da conjugação da actividade legal e ilegal. Mas contra o que é vulgar pensar-se, nem o sectarismo se manifesta apenas na actividade ilegal nem o oportunismo apenas na legal.
(…)»

Amanhã, publicar-se-á o parágrafo seguinte,
com que Álvaro Cunhal termina este ponto
da sua carta à direcção do Partido.

domingo, 26 de maio de 2013

Na XX Feira do Livro de Ponte da Barca


Apresentação do livro “O Comunismo hoje e amanhã

Precisamente 20 anos depois da Conferência "O Comunismo hoje e amanhã", proferida por Álvaro Cunhal em 21 de Maio de 1993 em Ponte da Barca, no âmbito do ciclo "Conversas com Endereço", foi apresentado o livro com o mesmo título no decurso da XX Feira do Livro de Ponte da Barca.


Vila Nova de Gaia


Centenário de Álvaro Cunhal

e a Juventude Trabalhadora

Na Colectividade “Os Mareantes do Rio Douro”, realizou-se um Debate sobre o Centenário de Álvaro Cunhal e a Juventude Trabalhadora organizado pelo Colectivo da Juventude Trabalhadora de Vila Nova de Gaia.
O debate foi lançado pela camarada Débora Santos da Comissão Política da Direcção Nacional da JCP abordando a vida e obra de Álvaro Cunhal, a história do Partido Comunista Português e a sua relação com a luta da juventude no passado, no presente e no futuro.
Dos camaradas e amigos presentes vieram intervenções ligadas à vida, à luta e às dificuldades que a juventude atravessa hoje em dia: a exploração, a precariedade, o desemprego, a emigração, a negação do direito à felicidade no seu País. Discutiram-se também as experiências passadas e os passos a dar na intervenção junto dos jovens trabalhadores, o papel da CGTP-IN, a importância de estar sindicalizado e o contributo a dar ao movimento sindical de classe, a intervenção necessária junto dos desempregados, a importância da luta e resistência dentro das empresas e locais de trabalho contra estas políticas. Caminho difícil mas necessário onde “as vitórias não nos descansam e as derrotas não nos abalam” como disse Álvaro Cunhal.
Presente esteve a necessidade de tomar partido e aderir à JCP, de afirmar o projecto do PCP e a alternativa patriótica e de esquerda que temos para o País.
 

Aprender, aprender sempre

A consigna de Lenine deve ser (e é!, mesmo que o sujeito isso desconheça) de prática permanente e consciente.
Aprender, aprender sempre… aprende-se, sempre. Embora haja momentos e circunstâncias em que mais se aprende. Sempre.
A assinalação do centenário de Álvaro Cunhal tem provocado momentos desses e circunstâncias dessas.
Cada um/a terá as suas experiências.
Pelo meu lado, além de outros momentos e de outras circunstâncias, a leitura (nalguns casos, releitura) de trechos nas Obras Escolhidas tem sido uma aprendizagem, um treino, um exercício, um prazer, um sofrimento, dependendo das obras escolhidas.
Os “Documentos da Cadeia Penitenciária de Lisboa” (páginas 109 a 228 do Tomo II – 1947-1964) são documentos impressionantes de resistência pessoal, de luta quotidiana, exemplos de contenção e firmeza.
Já conhecendo o CD-Rom Cadernos da prisão,
a sua leitura em papel oferece outra… leitura. E transcrição.
A grande dificuldade, que decerto – e muito maior e bem mais responsável – confrontou quem teve a tarefa de “escolher as obras escolhidas”, está na selecção de tudo o que convida (ou convoca) a ser transcrito.
São verdadeiras lições de luta sem tréguas, quotidiana, coerente e sempre conciliando dignidade com correcção para com o outro (mesmo sendo o outro o carcereiro em prisão do fascismo).
O que ainda mais impressiona é que, além dessa luta quotidiana, do estudo e produção constantes, Álvaro Cunhal tenha conseguido manter contactos com o Partido –por meios que nem se conseguem imaginar, dado o apertadíssimo controlo e vigilância –, como o provam duas cartas desse período (uma de 1952, outra de 1954, com uma “Nota sobre o programa do PCP” ). Na primeira, Álvaro Cunhal começa por dizer aos “queridos camaradas” não poder “ir além de pontos dispersos abordados ligeiramente pois para mais não nos encontramos preparados”!
E esses pontos dispersos estão arrumados por 1. Defesa da repressão. 2. Novas perspectivas, 3. Sectarismo e oportunismo, 4. Imprensa do Partido, 5. Atitude ante a polícia, 6. “Política de transição”, 7. Estímulo aos camaradas presos.
Em cada um destes pontos muito se aprenderia, e muito se aprende… e ficaria tempos perdidos ganhos a ler e a transcrever. Deixo uma nota curiosa sobre a imprensa do Partido:

«… Apenas três objecções:

1.     – papel demasiado grosso o que, com as 6 páginas do Avante!, deve criar dificuldades conspirativas de transporte;
2.     – tipo demasiado pequeno e impressão pouco nítida;
3.     – frequentes e graves erros tipográficos.
Os camaradas certamente notaram já e procuram eliminar na medida do possível estas deficiências. Em relação à última aqui se faz entretanto uma sugestão prática: que cada tipografia do Partido seja equipada com um Prontuário Ortográfico e que seja colocada a tarefa aos camaradas compositores de aprenderem a escrever correctamente o português.»

Mais excertos procurarei transcrever.

sábado, 25 de maio de 2013

A OUVIR

Jerónimo de Sousa - Apresentação do Tomo IV das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal

SESIMBRA, SESSÃO EVOCATIVA


 
SESIMBRA
SESSÃO EVOCATIVA
Centenário do Nascimento de Álvaro Cunhal

«Foi uma figura única no panorama do século XX português. Foi alguém que ao longo da sua vida teve uma enorme intervenção quer na política, o seu principal capital, quer nas artes. Sempre com uma postura moral exemplar, nunca confundiu a vida profissional com a pessoal. Apesar das origens nobres, que poderiam tê-lo afastado da participação de um partido com este carisma como é o PCP, esteve sempre na luta pelos valores da emancipação social de Portugal. Por isso, era impossível para a Câmara Municipal de Sesimbra passar ao lado do dever cívico de exaltar a obra de um homem com o perfil do Álvaro Cunhal».
Com estas palavras, Augusto Pólvora, presidente da autarquia, exprimiu o porquê de Sesimbra se ter associado às Comemorações do Centenário do Nascimento de Álvaro Cunhal, a decorrer por todo o país.
Na sessão evocativa Vida e Obra de Álvaro Cunhal, que teve lugar no dia 19 de maio, no Cineteatro Municipal, o autarca enalteceu a capacidade de antevisão e previsão de Álvaro Cunhal.

«O tempo deu razão a Álvaro Cunhal e reconhecemos que tinha toda a razão nas previsões que fez, nomeadamente no processo que nós portugueses conhecemos de perto e que são os anos a seguir à revolução de Abril, e na adesão de Portugal à então CEE. Este último processo levou à dissociação de um país, à aniquilação das nossas pescas e da nossa agricultura, e como Álvaro Cunhal previa, a adesão à União Europeia teve várias consequências».
Apesar da posição partidária do executivo municipal, Augusto Pólvora lembrou na cerimónia que «são muitos os municípios, inclusive alguns com posições militantes opostas às de Álvaro Cunhal, que estão a assinalar o centenário do seu nascimento», acrescentando que «só isso comprova o papel que teve como cidadão no país».
Carlos Gonçalves, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP, recordou o homem, o comunista, o intelectual e o artista. «Esta é uma justa e a incontornável homenagem a Álvaro Cunhal, figura central do século XX português, que se afirmou como uma referência na luta pelos valores sociais no seu país e nos quatro cantos do mundo, como um dos principais rostos da luta contra a ditadura salazarista, mas também pela sua enorme craveira intelectual e cultural».
Também para o político, as advertências do PCP, ontem como hoje, confirmam-se. «Hoje é evidente que Álvaro Cunhal tinha toda a razão – a atualidade confirma – a pobreza e a dependência de Portugal no domínio do capital financeiro é uma realidade».
Contudo, Carlos Gonçalves fez questão de reafirmar que «apesar da situação difícil e complexa a que esta política nos está a conduzir - ao crescente isolamento social e inevitavelmente ao desastre do país - a luta do PCP irá persistir, como há 50 anos atrás».
A cerimónia, que contou com a presença de munícipes, autarcas e individualidades, começou com um momento musical com os Vox Cantatis e do Sexteto de Flautas da Associação Musical e Cultural da Quinta do Conde, à qual se seguiu a apresentação do filme Álvaro Cunhal – Vida, Pensamento e Luta, para terminar com atuação do Grupo Coral de Sesimbra.

EM VILA REAL


25 de Maio - dia de luta, como sempre, como todos os dias

Nas leituras das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal, a passagem pelos anos (e muitos foram, 8!) na Cadeia Penitenciária de Lisboa é impressionante. 
Diz Álvaro Cunhal que «o que me salvou foi o trabalho», e essas páginas, além do trabalho que a tradução de Rei Lear, os Desenhos da Prisão, e tanta e tanta outra coisa documentam, ilustram a sua luta quotidiana para não se deixar abater, mantendo uma postura quase desconcertante (e que teria sido para os carcereiros...) de enorme dignidade, de exigência reivindicativa fundamentada, de protesto veemente e sempre correcto, de vigilância, antes de tudo, sobre si próprio.
E de humor, de alegria de viver, de confiança. Naquelas condições!
Neste dia 25 de Maio, reproduzem-se duas páginas com uma exposição de 25 de Maio de 1956, a exemplo de dezenas que a edição de Obras Escolhidas felizmente guarda. Como verdadeiras lições para a luta quotidiana e para quotidianos de luta. Em quaisquer condições.