«Álvaro Cunhal é uma personalidade marcante, em Portugal e no mundo

domingo, 5 de maio de 2013

"A resistência em Portugal"

[palavras de A. Cunhal, em tribunal, in "A resistência em Portugal",
 José Dias Coelho, Inova, Agosto 1974] 
 
"A primeira vez que fui preso, como me negasse a prestar declarações, algemaram-me, meteram-me no meio de uma roda de agentes e espancaram-me a murro, pontapés, cavalo-marinho, e com umas grossas tábuas com uns cabos apropriados. Depois de me terem assim espancado longo tempo, deixaram-me cair, imobilizaram-me no solo, descalçaram-me sapatos e meias e deram-me violentas pancadas nas plantas dos pés. Quando cansados, levantaram-me, obrigaram-me a marchar sobre os pés feridos e inchados, ao mesmo tempo que voltavam a espancar-me pelo primeiro processo. Isto repetiu-se numerosas vezes durante largo tempo até que perdi os sentidos, estando cinco dias sem praticamente dar acordo de mim" [palavras de A. Cunhal, em tribunal, in "A resistência em Portugal", de José Dias Coelho, Inova, Agosto 1974]

Clube Estefânia

Prosseguem as merecidas iniciativas por todo o país.

sábado, 4 de maio de 2013

«Na Cinemateca Portuguesa» CICLO Centenário de Álvaro Cunhal


«Na Cinemateca Portuguesa»
CICLO
Centenário de Álvaro Cunhal
O filme de José Fonseca e Costa a partir do romance de Manuel Tiago é projetado numa sessão organizada no contexto das iniciativas promovidas pela Comissão das Comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal (1913-2005).


21-05-2013, 21h30 | Sala Dr. Félix Ribeiro
Centenário de Álvaro Cunhal
Em colaboração com a
 Comissão das Comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal
Cinco Dias, Cinco Noites
de José Fonseca e Costa
com Vitor Norte, Paulo Pires, Ana Padrão, Canto e Castro, Teresa Roby, Miguel Guilherme
Portugal, 1996 - 102 min
Portugal
CINCO DIAS, CINCO NOITES adapta um romance de Manuel Tiago (Álvaro Cunhal) numa revisitação dos anos quarenta portugueses e a uma história de resistência ao regime: a história de um fugitivo à polícia política que passa a fronteira a salto. O argumento é de Fonseca e Costa e Jennifer Field, a música de António Pinho Vargas. “Um filme é, em si mesmo, uma obra de arte. Com uma característica particular: a de que nele intervêm e se complementam para o resultado global muito diversas formas de criação artística. Tomar à partida a história de uma novela, mesmo que respeitando a sua mensagem fundamental não significa mera transposição da novela para o cinema. […] O filme "Cinco dias, cinco noites" poderá neste sentido justamente chamar-se um filme de Fonseca e Costa” (Álvaro Cunhal, março de 1996).

sexta-feira, 3 de maio de 2013

ÁLVARO CUNHAL Y LA UTOPÍA PORTUGUESA


 

ÁLVARO CUNHAL Y LA UTOPÍA PORTUGUESA


por Moisés Cayetano Rosado [in A Viagem dos Argonautas]


Mediado abril, entre la conmemoración de la Constitución Portuguesa  - que el pasado día 2 cumplió 37 años -, y la celebración de la Revolução dos Cravos -que  el 25 de abril rememora su 39 aniversario-, he vuelto a visitar el Forte de Peniche.
Ahora -en la imponente fortaleza construida para defensa contra los ataques de la piratería en el siglo XVI, perfeccionado en el XVII por los enfrentamientos con España, que en los siglos posteriores va a propiciar nuevos reforzamientos- hay una exposición dedicada a Álvaro Cunhal, que estuvo preso en esta inmensa fortificación, como tantos de sus compañeros antifascistas.
También -formando parte permanente del Museo- los locutorios de la planta baja recuerdan su estancia en esta desgarradora prisión, como ocurre con las celdas del tercer piso, donde se conservan dibujos y recuerdos del líder comunista, que con tanta entereza soportó la privación de libertad y las torturas.
Uno va recorriendo los espacios terribles y oyendo el mar batir contra los muros en un constante golpeteo que ahora se nos hace relajante y que a los heroicos resistentes del salazarismo se les debió volver una añadida tortura, en su persistencia de olas rompiendo con fuerza en la masa rocosa del Forte.
Y observo allí, en el cartel de entrada, la mirada serena y a la vez intensa de Cunhal, su postura sosegada de intelectual, de artista, que baja hasta la arena de la lucha cotidiana para bregar por la justicia, por la igualdad y por la libertad.
Es admirable cómo Álvaro Cunhal mantuvo su entereza y convicciones a lo largo de su vida dilatada, agitada, combativa y combatida. Leyendo su A Revolução Portuguesa. O Passado e o Futuro, de 1976 y A Verdade e as Mentira na Revolução de Abril, de 1999, nos podemos hacer idea de lo que fue un sueño utópico, revolucionario, en marcha activa, que sería doblegado y convertido en sueño domesticado, perdiéndose conquistas y realizaciones que -como la Reforma Agraria en los campos del Sur- habían llevado el pan, la posesión colectiva y el desenvolvimiento a las tierras más olvidadas y caciquiles de Portugal.
Conocí a Álvaro Cunhal en Campo Maior, en acto organizado por el Partido Comunista Portugués hace más de veinte años. Había cumplido ya los ochenta, pero conservaba su discurso revolucionario como en los tiempos de la clandestinidad y los ilusionados del “Processo Revolucionário em Curso” de 1975. Varios años después volví a escucharlo en Évora, en acto conmemorativo de la Reforma Agraria, rodeado de antiguos “colectivistas” que participaron de aquella experiencia única y frustrada. Estaba cercano a la muerte, que tendría lugar en 2005, y que supuso una de las mayores manifestaciones de duelo del país.
En Évora le entregué la maqueta de mi libro de poemas Siempre Abril, en el que le dedico la composición “Levantando siempre las espigas”. La recogió como se coge una gavilla, un haz de trigo: fijando con viveza la mirada y adelantando con decisión las manos sarmentosas. Agradecido y generoso como siempre fue; elegante y sereno. “¿No estás cansado/ de levantar tus manos hacia la nada inmensa,/ hacia la nada?”, digo al comienzo del poema.
Ahora, en el año en que se cumple el centenario de su nacimiento, las manos de Álvaro Cunhal, su presencia, me recuerdan el mensaje de esperanza que siempre mantuvo y lo mantuvo. ¿Qué somos las personas si nos falta fortaleza para seguir construyendo siempre la utopía, por mucho que una vez y otra destrocen nuestros sueños desde los muros carcelarios del egoísmo y la brutalidad del poderoso, dispuesto a sojuzgar a la inmensa y tantas veces indefensa mayoría?

por Moisés Cayetano Rosado [in A Viagem dos Argonautas]

Em Memória e Louvor de Álvaro Cunhal por interposto Shakespeare



Uma Tragédia Intemporal
Rei Lear é, provavelmente, a mais paradigmática obra de Shakespeare. Muito mais que um drama, é uma tragédia. Lear, senhor de enorme sageza e exímio na arte de governar, que tinha ganho com saber e experiência, acaba vítima das suas paixões, da egomania. Cego pela vaidade pessoal decide a sua sucessão o que desencadeia uma tragédia de complexa magnitude em que chocam violentamente o amor, a amizade, a frontalidade, a coragem, a generosidade, a gratidão, o perdão, a hipocrisia, o egoísmo, a traição, a perfídia, a ambição. Uma densa rede de inter-relacionamentos, sociais e psicológicos, magnificamente descrita pelo génio de Shakespeare com profundo sentido crítico da época,  fazendo brilhar o que é melhor e o que vale a pena no comportamento humano. Ver no palco ou na versão cinematográfica de Kurosawa, Ran, é experiência excepcional. Mas ler esta “tradução” portuguesa do Rei Lear é usufruir o raro prazer de uma leitura límpida, como se O Rei Leartivesse sido escrito em português, sem trair ou desvirtuar o espírito da obra do grande dramaturgo. A tradução (1953-1956) é de Álvaro Cunhal, a que se devem também as notas que iluminam, histórica e socialmente a tragédia. Feita nas condições duríssimas da sua reclusão, quando viveu onze anos de rigoroso isolamento na Penitenciária, burlando a vigilância policial traduziu e fez passar para o exterior em segredo o seu notável trabalho. No ano em que se celebra o Centenário de Álvaro de Cunhal, é da maior justeza lembrar o notável intelectual, o homem de cultura, o artista que Álvaro Cunhal foi transpondo as fronteiras da área de actividade em que foi mais conhecido enquanto político, revolucionário, um dos mais importantes teóricos do marxismo-leninismo. Esta versão do Rei Lear, as notas são exemplares e demonstram, como isso fosse necessário, a enorme estatura de uma dos maiores políticos e intelectuais portugueses.
 O Rei Lear
William Shakespeare
Editorial Caminho
Tradução e Notas Álvaro Cunhal
Capa: José Serrão com desenho de Álvaro Cunhal
2ª edição Setembro 2002
1ª edição Tipografia Scarpa (em fascículos de 1961-1966)
tradução de Maria Manuela Serpa (nome escolhido pelo editor para ocultar o do tradutor)
( texto publicado no Guia de Eventos de Setúbal Maio/Junho 2013 e aqui chegado via Praça do Bocage)

terça-feira, 30 de abril de 2013

"Um Dia os Réus Serão Vocês"

O julgamento de Álvaro Cunhal


A peça "Um Dia os Réus Serão Vocês: O Julgamento de Álvaro Cunhal" subiu ao palco do Teatro Municipal Joaquim Benite.
No ano que marca o centenário do nascimento de Álvaro Cunhal (1913-2005), o espectáculo lembra esta figura histórica, baseando-se na defesa que o líder comunista apresentou para si próprio em Maio de 1950. Uma ideia original do recentemente falecido Joaquim Benite, com encenação e dramaturgia de Rodrigo Francisco e participação de Luís Vicente, João Farraia e Manuel Mendonça. Até 28 de Abril, no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, com sessões às 21h30, domingo às 16h.

Luís Vicente por Rui Carlos Mateus

A peça segue depois para  Faro, de 1 a 4 de Maio, e Portimão, a 5.




segunda-feira, 29 de abril de 2013

Vídeo de abertura da grande exposição sobre Álvaro Cunhal

A vida e a obra de Álvaro Cunhal são o mote de uma exposição patente no Pátio da Galé, no Terreiro do Paço, em Lisboa. Esta é uma das iniciativas que assinalam o centenário do nascimento do líder histórico do Partido Comunista Português.