«Álvaro Cunhal é uma personalidade marcante, em Portugal e no mundo

domingo, 22 de setembro de 2013

Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros



Centenário de Álvaro Cunhal reportado em fotobiografia patente no Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros

Álvaro Cunhal, uma figura emblemática do Partido Comunista Português é motivo de uma exposição biográfica sobre a vida de um homem que marcou a vida política no país.
No Centro Cultural de Macedo de Cavaleiros está patente até dia 30 de setembro, uma mostra itinerante, intitulada “Vida, pensamento e luta: exemplo que se projeta na atualidade e no futuro.

COIMBRA Exposição evocativa no Edifício Chiado



Uma exposição evocativa de Álvaro Cunhal, por ocasião do centenário do seu nascimento, está patente ao público, no Edifício Chiado (Museu Municipal de Coimbra), de 23 de Setembro a 30 de Novembro.
Nascido a 10 de Novembro de 1913, em Coimbra, Álvaro Barreirinhas Cunhal faleceu a 13 de Junho de 2005, tendo sido, durante décadas, líder do Partido Comunista Português.
Além de dirigente partidário, foi um conceituado intelectual e autor de vários livros sob o pseudónimo de Manuel Tiago.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Centenário Álvaro Cunhal em Setúbal

Exposições, colóquios, cinema e teatro

Exposições, colóquios, cinema e teatro evocam, a partir do dia 27, em Setúbal, a vida política, social e artística de Álvaro Cunhal, que faria 100 anos a 10 de novembro.

A iniciativa da Comissão das Comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal, organizada, em Setúbal, pela Câmara Municipal, recorda o líder histórico do Partido Comunista Português, falecido em 2005, aos 92 anos, com um conjunto de atividades a realizar até ao final do ano na Casa da Cultura e na Biblioteca Pública.

As ilustrações feitas paraEsteiros”, romance de Soeiro Pereira Gomes, e desenhos elaborados na prisão integram uma mostra a inaugurar no dia 27, na Galeria de Exposições da Casa da Cultura, antecedida, às 18h00, por um colóquio sobre a vertente de artista plástico de Álvaro Cunhal, proferido por Felipe Diniz.

A
exposição, patente até 8 de outubro, pode ser visitada de terça-feira a domingo, a partir das 10h00, encerrando de terça a quinta às 24h00, à sexta e ao sábado à 01h00 e ao domingo às 20h00.

Em outubro, uma exposição biográfica é inaugurada no dia 2, na Biblioteca Municipal, enquanto a 3, às 21h30, na Casa da Cultura, é exibida, no âmbito do ciclo “Álvaro Cunhal e o Cinema”, a obraCinco Dias, Cinco Noites”, com a presença do realizador, José Fonseca e Costa.

Nas restantes quintas-feiras do
mês, dias 10, 17, 24 e 30, à mesma hora, a Casa da Cultura passaAté Amanhã, Camaradas”, de Joaquim Leitão, dividido em quatro partes, com debate na última, filme baseado na obra homónima de Manuel Tiago, pseudónimo literário de Álvaro Cunhal.

“Álvaro Cunhal e a
política” é a temática de um ciclo de colóquios, que decorre nos três primeiros domingos de outubro, às 16h00, na Biblioteca Pública Municipal.

“O
jovem Cunhal, a reorganização do PCP (1940-1949) e a luta política em Portugal no contexto da Guerra Fria (1950-1960)”, no dia 6 , “Álvaro Cunhal, o programa do PCP aprovado no VI Congresso. O 25 de Abril”, sobre a luta revolucionária contra o fascismo, a 13, e “Álvaro Cunhal, o Partido Comunista Português no pós-25 de Abril”, no dia 20, são as sessões marcadas neste ciclo.

Em outubroainda “Álvaro Cunhal e o Teatro”, com o espetáculo “A Casa de Eulália”, pelo Teatro do Elefante, baseado no livro de Manuel Tiago, dias 4 e 5, às 21h30, no Fórum Municipal Luísa Todi, com bilhetes a cinco euros.

O
programa comemorativo inclui até ao final do ano, em Setúbal, diversas iniciativas, como mais duas exposições, um segundo ciclo de colóquios, com o tema “Álvaro Cunhal e as Artes”, e uma entrevista televisiva.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Álvaro Cunhal e o Partido com Paredes de Vidro


 
Miguel Urbano Rodrigues

O Partido com Paredes de Vidro não é apenas como ensaio uma demonstração brilhante do domínio pelo autor do materialismo dialéctico. O livro não seria o que é sem o talento e a imaginação que fazem dele uma obra marcada por poderosa criatividade.

No âmbito das comemorações do centenário de Álvaro Cunhal, a Editora Expressão Popular, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, publicou no Brasil a 6ª edição de O Partido Com Paredes de Vidro.
Em 1985, quando foi lançada em Lisboa a 1ª edição dessa obra, era inimaginável a tragédia que destruiu a URSS e transformou a Rússia num país capitalista. No horizonte próximo o que se esboçava era a vitória do socialismo sobre o capitalismo.

Mas a História tomou outro rumo.
No prefácio a esta 6ª edição, Álvaro Cunhal apresenta por isso com espírito autocrítico a perspectiva histórica da 1ª, mas reafirma que o capitalismo está condenado a desaparecer porque não pode superar «insanáveis contradições internas e continua a mostrar-se incapaz de responder às legítimas aspirações económicas, sociais, políticas e culturais da humanidade
Este livro traz respostas a questões relativas aos comunistas. Ajuda a compreender porque resistiu o PCP ao desaparecimento da União Soviética e é um dos poucos partidos comunistas que na Europa sobreviveu intacto ao vendaval que desnaturou ou destruiu a maioria deles.Enquanto outros, como o italiano, o francês e o espanhol, aderiram ao anti sovietismo, e adotaram linhas reformistas que os tornaram cúmplices do neoliberalismo, o PCP manteve-se fiel aos princípios e valores do marxismo-leninismo.
O Partido com Paredes de Vidro não é apenas como ensaio uma demonstração brilhante do domínio pelo autor do materialismo dialectico. O livro não seria o que é sem o talento e a imaginação que fazem dele uma obra marcada por poderosa criatividade.
«Como somos, como pensamos, como atuamos, como lutamos, como vivemos, nós, os comunistas portugueses.»
Na sua resposta, Álvaro Cunhal procura e consegue com frequência imprimir força de revelação à própria evidência. A personagem central é sempre o Partido.
É nele que se inserem o abstracto - as ideias, a concepção do mundo - e o concreto, os homens que fazem do Partido um grande coletivo revolucionário.
O tratamento de questões teóricas surge entrosado em exemplos de uma praxis viva. Está ali praticamente tudo, exposto, comentado e explicado sem véus, nem omissões: a organização, o trabalho colectivo, o estilo e o tipo de direcção do centralismo democrático, as eleições internas, o voto secreto, a prestação de contas, a experiência, a renovação permanente, o consenso, a unanimidade, os quadros, a democracia, os deveres e direitos, a crítica e a autocrítica, a moral comunista. Com transparência cristalina.
A estrutura orgânica do Partido e a sua praxis revelam a natureza de classe, inseparável da raiz ideológica e da firmeza política e revolucionária. Alias, a manutenção da regra de ouro de uma maioria de operários nos organismos de direção tem sido justificada pelas respostas da História. Sem ela o PCP seria um partido muito diferente.
O tema do individuo, do militante inserido no coletivo, merece uma atenção especial.
«Ser comunista – sublinha - não impede que se ria mais ou se ria menos, que se goste de estar em casa ou de passear ao ar livre, que se aprecie ou não se aprecie um bom petisco, que se fume ou não se fume, que se beba ou não se beba um copo, que se viva mais ou menos intensamente o amor (...) Amar o sol, o ar livre, a natureza, a terra e o mar, o ar e a água, as plantas e as flores, os animais, as pedras, a luz, a cor, o som,o movimento, a alegria, o riso, o prazer, é da própria natureza do ser humano (...) Que ninguém tenha vergonha de ser feliz. Alem do mais porque a felicidade do ser humano é um dos objetivos da luta dos comunistas
Trechos como estes, pela mundividência que expressam, derrubam pirâmides de mentiras erguidas pela propaganda anticomunista.
Álvaro Cunhal sabe
que nãocomunistas perfeitos. Não apresenta portanto o PCP como um partido de santos. Mas acha que a exigência moral dos comunistas favorece o seu aperfeiçoamento individual.
«Em cada ser humano – recorda - há imensas potencialidades de evolução para o bem e de evolução para o mal. O Partido, em relação aos seus membros tem de confiar que com a sua ajuda a evolução será para o bem».
Aos que, caluniando o Partido, insistem em apresentá-lo como uma máquina que tritura os seus membros, Álvaro Cunhal responde com uma crítica profunda ao dogmatismo e ao sectarismo. Apontando erros cometidos, condena como inadmissível a tendência de alguns dirigentes e quadros a ingerir-se na vida privada dos militantes.
Não surpreendeu que o livro de Álvaro Cunhal tenha suscitado reparos no Leste europeu. Em alguns países foi publicado com cortes. A transparência do PCP incomodou dirigentes que se sentiram retratados em críticas ao autoritarismo e ao dogmatismo.
Uma
certeza: a publicação pela Editora Expressão Popular do Partido com Paredes de Vidros é uma contribuição valiosa para um melhor conhecimento no Brasil do Partido Comunista Português, do seu coletivo revolucionário, da sua luta por um Portugal democrático, soberano, progressista.
O livro de Álvaro Cunhal, sendo pessoal, é de todo o Partido, um ser único, com vida e vontade próprias cujo caminhar é traçado por todos e cada um.