«Álvaro Cunhal é uma personalidade marcante, em Portugal e no mundo

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O Cinema que Amamos




O Cinema que Amamos
Fui ver (e gostei muito!) a recente versão para cinema da adaptação para a TV, de 2005, realizada pelo cineasta Joaquim Leitão (Lisboa, 21-Dez-1956), com argumento de outro cineasta, Luís Filipe Rocha (Lisboa, 16-Nov-1947), de “ATÉ AMANHÃ, CAMARADAS”, obra maior, em minha opinião, da literatura portuguesa, por retratar, julgo que como nenhuma outra, a luta da Resistência Clandestina contra o fascismo. É em 1944 que se situa a acção do romance de Manuel Tiago, pseudónimo literário de Álvaro Cunhal (Coimbra, 10-Nov-1913 – Lisboa, 13-Jun-2005).
A propósito, devo dizer, numa opinião muito pessoal, que a Literatura tem para mim uma significativa vantagem sobre o Cinema, do ponto de vista da liberdade de interpretação pelo leitor/espectador. Será por isso que as adaptações ao cinema das grandes obras literárias raramente conseguem atingir o mesmo nível de qualidade. Ressalvem-se algumas excepções, como Kubrick / Nabukov, em “Lolita” ou Oliveira / Agustina, emVale Abraão”. Não se espere por isso que uma obra de inegável qualidade como é este filme de Joaquim Leitão consiga guindar-se ao nível da obra-prima que é o romance. Mas julgo que se trata de um belíssima obra de cinema, com uma notabílissima direcção de actores, de que não vou destacar nomes porque me parece haver uma grande sintonia entre eles e a obra que representaram e dá a sensação de terem feito o seu melhor e são todos muito bons! Obra que julgo nos consegue apesar de tudo dar o essencial daqueles retratos humanos que o romance nos oferece em toda a sua complexidade inerente à natureza humana.
Para o espectador, a imagem que fica da obra, apesar da luta sem tréguas travada contra o fascismo, pelos militantes clandestinos do Partido Comunista Português, ilegal para o regime, luta que se salda por vezes por uma enorme repressão, sangrenta, impiedosa e desumana, contra quem não utiliza a violência e apenas encabeça as lutas pelas reivindicações de melhorias de vida e conquista de direitos inerentes à condição humana, a obra constitui um grito de esperança e não nos esqueçamos que se desenrola quando ainda a Segunda Guerra Mundial decorria (1939-1945), de esperança na medida em que os fascistas, mesmo prendendo, torturando, assassinando os resistentes mais destacados, nunca conseguem calar a revolta do povo, e novos elementos revolucionários surgem para substituir os presos e os assassinados pelos fascistas. Esta luta iria terminar em 1974, com a vitória da Resistência e a eclosão da Revolução de Abril. E o filme também mostra, muito bem, que raramentedesumanidade entre os oprimidos, porque são superiores os seus objectivos, de transformação da sociedade, no sentido da justiça social, da liberdade, da igualdade e da fraternidade entre os homens.
Peço aos amigos que não deixem de ver  a obra, embora ela esteja restringida a duas únicas sessões diárias, em salas diferentes, nesta grande urbe de um milhão de habitantes onde vivemos onde proliferam os cinemas “multiplexes”, mas em geral com programações muito medíocres. Porquê?
Gostava de terminar com o parágrafo final de um belo prefácio sobre o romanceATÉ AMANHÃ, CAMARADAS”, escrito por um dos maiores especialistas portugueses em Literatura, o professor universitário Óscar Lopes (Leça da Palmeira, 2-Out-1917 – Matosinhos, 22-Mar-2013):
 “(...) Evidenciam-nos que a vida é inesgotável; repetindo Guimarães Rosa, diria que a lição do livro é a de que viver (ou Viver, com maíscula) é perigoso. Sentem-no aqueles que inteiramente se comprometem a melhorá-la. E eles até mesmo nos ajudam a sentir que muito existe ainda sem nome, à espera de coragem, pois de coragem é, em grande parte, feita a capacidade de entender, de sentir a fundo, e de acertar.” 
Também a imagem anexa mostra parte desse prefácio. Para aqueles que, por preconceito, não leram a obra talvez estas frases sirvam de incentivo.
Nota:
Este texto foi escrito a pensar no Facebook, na Internet e em quem nos e também nos Amigos que por se encontram, que sabemos que arriscaram a sua vida para melhorar a de todos nós. Tenho uma enorme admiração por eles. Afinal são eles os heróis da obra  “ATÉ AMANHÃ, CAMARADAS”.
Adendas à posteriori:
Passe a publicidade, este texto e tal como outros do modesto escriba, podem ser lidos em http://www.na-cidadebranca.blogspot.com
Se algum dos amigos chegar, obrigado.
E para terminar, se algum dos amigos vier argumentar contra a minha polémica afirmação sobre as relações entre Cinema e Literatura, talvez eu aceite a inversa, se me falarem por exemplo de Federico Fellini e, principalmente, de Ingmar Bergman (lembrar a sua derradeira obra-prima "Sarabanda" ...

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Momentos da vida política de Cunhal na Torre do Tombo



Por São José Almeida e Joana Bourgard

 
A Torre do Tombo assinala o centenário de Álvaro Cunhal com uma exposição até 14 de Fevereiro onde mostra peças do Arquivo da PIDE referentes aos processos das três prisões (1937, 1940 e 1949) do líder histórico do PCP. Além dos processos e documentos apreendidos pela polícia política são também mostrados textos ficcionais de Cunhal, como o inédito "Lascas do Diário de X”. Percurso por alguns destes registos da vida política de um dos mais marcantes líderes partidários do século XX português.

sábado, 16 de novembro de 2013

De Mestre...

Calhou-me, ontem, intervir na iniciativa pública da União dos Sindicatos de Lisboa relativa ao centenário do nascimento de Álvaro Cunhal, sob o tema "As nacionalizações e o controlo operário".

Para a preparação dessa tarefa-intervenção, reli de novo, folheando, o relatório de Álvaro Cunhal "Rumo à Vitória", de 1964 (volume III de Obras Escolhidas).
No meio de outras intervenções, procurei contribuir para a iniciativa com o que outro interveniente chamou a "visão antecipada" que exemplarmente se ilustra naquele relatório (e livro).
Citei trechos em que, nesse relatório, Álvaro Cunhal - como um Mestre (tal qual ele próprio definiu referindo-se a Lenine) - procura, em colectivo, a verdade dialéctica do constante desenvolvimento da sociedade. E acertou. Nos passos em frente e nos passos atrás. Não para "adivinhar" mas para intervir no sentido do progresso social.
Mas não é esta "informação" que me traz aqui ao blog. É, sim, a comprovação, mais uma vez repetida, do fundamento teórico-ideológico (de classe) em que Álvaro Cunhal escorava as suas "visões antecipadas" para uma intervenção adequada aos objectivos sociais e à correlação de forças.
Nesse e noutros textos que adrede consultei, lá estão as referências - nem sempre explicitadas - a Marx e a Lenine, lá está, a propósito de sindicalismo, o problema do sectarismo, lá se encontra a questão do trabalho não pago, lá se releva a importância do horário de trabalho, lá se desenvolvem considerações, hoje mais que confirmadas, sobre o processo de integração económica europeia (então, em 1964, com Portugal "a 7" e com "um pé dentro e outro fora do Mercado Comum"), com a advertência para a prevista dominação dos monopólios a partir da recuperação da Alemanha (então Ocidental).

Como nós precisamos de estudar, de aprender sempre, para melhor intervir! Como nos ensinam os mestres.

Rumo a Paris...



Álvaro Cunhal teve uma breve, mas intensa relação com Paris. Ou melhor, com alguns seres humanos que, nessa altura habitavam Paris, uma cidade em que se respirava a liberdade que em Portugal ainda não passava de um projecto dolorosamente trabalhado e incansavelmente sonhado... liberdade da qual, convenhamos, mesmo estando em Paris não podia desfrutar abertamente, já que os olhos e ouvidos da PIDE se encarregavam de vigiar de perto aqueles que tinham emigrado, fosse por razões políticas, fosse apenas para matar a fome.
Dessa “vida de Paris” de Cunhal, vida tão menos dourada do que a de outros conhecidos exilados, não posso falar, por assumida “incompetência” para o fazer. Outros amigos, nomeadamente os companheiros deste blog, têm certamente um mundo de estórias e História para partilhar sobre o tema.
Pela parte que me toca, folgo em saber que foi ali criado Le Cercle Álvaro Cunhal” que, entre outras iniciativas, promove um encontro de dois dias, a começar hoje mesmo e a acabar amanhã, Domingo 17, encontro/convívio onde se lembrará o exilado, o lutador anti-fascista, o político, o artista... o amigo comum.
Como podem ver no programa "afixado" aqui em cima (clicar sobre imagem), amanhã, Domingo, haverá um déjeuner convivial (gastronomie portugaise). Mesmo atendendo a que o Palais des Congrès de Nanterre fica um pouquinho fora de mão... como resistir a um almoço assim?
Lá estarei, se tudo correr de forma tecnicamente escorreita! Parece que a seguir também haverá umas canções…

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Convite

Le Cercle Álvaro Cunhal 
a le plaisir de vous inviter
à un week-end dédié 
à la vie et à l'oeuvre d' Álvaro Cunhal
pour l’occasion du centenaire de sa naissance
les 16 et 17 novembre 2013 
au Palais des Congrès de Nanterre

Programa/ Programme

Samedi, 16 novembre

15h - Ouverture par le Président du Cercle Álvaro Cunhal

15h15 - Conférence-Débat : "L'immigration: le flux migratoire portugais vers la France entre 1962 et 1974" par Victor Pereira (Université de Pau)

16h30 - Présentation de la photobiographie d'Alvaro Cunhal (éd. Avante, 2013) par Manuel Rodrigues (du CC du Parti communiste Portugais)

17h - Vernissage\Inauguration de l'exposition "Alvaro Cunhal: Vie pensée et lutte"

Dimanche, 17 novembre

11h - Conférence-Débat- L'heritage d'Álvaro Cunhal autour du livre "Le Parti en toute transparence" (éd. Delga, 2013) avec Jean SALEM (Université Panthéon-Sorbonne) et Manuel Rodrigues

13h - Déjeuner convivial* (gastronomie portugaise)

 16h - Spectacle musical avec SAMUEL et LUISA BASTO (chanson portugaise)

*inscription obligatoire pour le déjeuner
informations/inscriptions: cerclealvarocunhal@gmail.com
06. 08.73.86.95


 Nous vous rappellons que l'inscription pour le déjeuner est obligatoire. Pour toutes les autres activités du week-end, l'entrée est libre.  

A inscripção para o almoço é obrigatoria. Todas as outras actividades do fim-de-semana têm entrada livre.

domingo, 10 de novembro de 2013

AGENDA

10Nov.

Comício Comemorativo do centenário de Álvaro Cunhal

Lisboa, 15:00

Comício Comemorativo do centenário de Álvaro Cunhal, 
pelas 15h00, no Campo Pequeno, em Lisboa.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Álvaro Cunhal - Torre do tombo

Pela reportagem que me foi dado ouvir na Antena2 trata-se de uma exposição a não perder.


Emissão especial dia 8 de novembro às 17h00

Para assinalar o centenário do nascimento de Álvaro Cunhal. A pretexto da data, a Antena 2 prepara uma emissão especial, no dia 8 de Novembro, entre as 17 e as 19h evocativa das várias facetas desta personalidade marcante da vida política portuguesa. Serão convidados os historiadores Irene Pimentel e José Neves, o jornalista Joaquim Vieira (autor da biografia ilustrada de Álvaro Cunhal), os ensaístas Manuel Gusmão e Miguel Real e, da Torre do Tombo, Silvestre Lacerda. (este programa pode ser ouvido na gravação automática)




quinta-feira, 7 de novembro de 2013

5ª feira... e que 5ª feira ESPECIAL! e avante!



No dia em que se cumprem 100 anos do nascimento de Álvaro Cunhal, o PCP realiza no Campo Pequeno, em Lisboa, um comício de homenagem àquele que foi o seu mais destacado dirigente e uma das figuras cimeiras do panorama político nacional e internacional do século XX e da passagem para o século XXI na luta pelos valores da emancipação social e humana.
Evocativo da vida, do pensamento e da obra de Álvaro Cunhal enquanto político, intelectual e artista, o comício – fazendo jus ao seu legado – reafirmará as propostas e projecto do Partido Comunista Português e o seu papel necessário e insubstituível ao serviço dos trabalhadores, do povo e do País.
O comício tem início marcado para as 15 horas, mas as celebrações começam às 13h45 com quatro desfiles partindo de outras tantas ruas e convergindo para o Campo Pequeno. O suplemento distribuído com esta edição, dedicado a Álvaro Cunhal, é um testemunho – oito anos passados sobre o seu desaparecimento –, da importância e actualidade do seu pensamento, e da vida que dedicou por inteiro à construção em Portugal do socialismo e do comunismo.

São Paulo - Brasil

Centenário Álvaro Cunhal

Localização


Rua Rego Freitas 192 - República
São Paulo

terça-feira, 5 de novembro de 2013

«Até Amanhã, Camaradas» tem antestreia no Parlamento

Assembleia da República recebe, esta terça-feira, a primeira apresentação do filme de Joaquim Leitão baseado no romance de Álvaro Cunha

2013-11-05

O filme «Até Amanhã, Camaradas», de Joaquim Leitão, baseado no romance homónimo de Álvaro Cunhal, tem antestreia esta terça-feira na Assembleia da República, dias antes de se assinalar o centenário do nascimento do antigo líder do PCP.

«É uma
figura que merece ter um destaque num sítio que estivesse à altura», afirmou à agência Lusa o realizador.


Na sessão, no salão nobre da Assembleia da República, estarão presentes, entre outros, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, os deputados João Oliveira, António Filipe, o secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, Maria Eugénia Cunhal, Joaquim Leitão, o produtor Tino Navarro e os atores Cândido Ferreira, Nuno Nunes, Adriano Luz e São José Correia.

Joaquim
Leitão voltou a pegar nas filmagens que tinham sido feitasquase uma década, quando a série televisiva «Até Amanhã, Camaradas» teve estreia na SIC, em 2005.

Com argumento de Luís Filipe Rocha e produção de Tino Navarro, a série partiu do romance homónimo de Manuel Tiago, pseudónimo literário que Álvaro Cunhal desvendou em 1994.

A
obra, que gira em torno da vida do PCP nos anos 1950 e 1960, da clandestinidade, das lutas populares e da resistência ao regime fascista, foi publicada em 1974 pelas Edições Avante e Manuel Tiago era, então, um autor desconhecido.

Quando a série televisiva foi apresentada, em 2004, Joaquim Leitão afirmou que «Até Amanhã, Camaradas» era «uma história de amor e aventura, de militância, de dedicação de uma vida a lutar por aquilo em que se acredita, com um fundo histórico e político exaltante e de uma época da história pouco conhecida».

Hoje, passados estes anos, Joaquim Leitão é da opinião que a mensagem do romance ultrapassa o contexto histórico: «No fundo a mensagem é vale a pena lutar pelo que se acredita».

Depois da exibição no salão nobre da Assembleia da República, o filme terá estreia comercial na quinta-feira.

Com três horas de duração, o filme conta no elenco com mais de 130 atores, como Gonçalo Waddington, Leonor Seixas, Marco D'Almeida, Carla Chambel, Paulo Pires, Cândido Ferreira, Adriano Luz e São José Correia, além de alguns milhares de figurantes.

Joaquim
Leitão afirmou que o filme não tem cenas inéditas por comparação com a série televisiva, mas «há uma montagem e organização das cenas diferente».

Casa Municipal da Cultura de Seia



Comemorações do Centenário do Nascimento de Álvaro Cunhal em Seia
No âmbito das Comemorações do Centenário do Nascimento de Álvaro Cunhal, a Comissão das Comemorações e o Município de Seia organizam, entre 1 a 10 de Novembro, a exposição "Álvaro Cunhal - Vida, pensamento e luta: exemplo que se projecta na actualidade e no futuro", na Casa Municipal da Cultura de Seia.
A
exposição estará patente nos dias úteis das 10 às 18 horas e aos sábados e domingo das 15 às 18 horas.
No
dia 9 de Novembro, sábado, pelas 15h30, realiza-se no auditório da Casa Municipal da Cultura de Seia a sessão de encerramento das comemorações no distrito, que contará com a participação de Francisco Lopes, membro do Secretariado do Comité Central do PCP.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Coimbra | Cartaz Cultural

ÓLEOS DE ÁLVARO CUNHAL “Projectos”
Patente até 15 de Novembro
Galeria de Exposições Temporárias do Edifício Chiado

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Em TERRAeTEMPO -

Terra e Tempo. Dixital Galego de pensamento nacionalista.
01-11-2013

Álvaro Cunhal: “ (…) O domínio mundial do capitalismo como sistema único e final teria como resultado e componente, segundo os seus teóricos, o «fim das ideologias» e o «pensamento único» 

Álvaro Cunhal, un exemplo de loita

DUARTE CORREA PIÑEIRO

O vindeiro 10 de novembro cúmprense 100 anos do nacemento de Álvaro Cunhal dirixente histórico do Partido Comunista Português, un centenario que o seu partido conmemora cun comicio no Campo Pequeno en Lisboa rematando así un intenso ano cheo de actividades arredor da figura política, artística e intelectual de quen foi o seu secretario xeral entre 1961 e 1992 e forma parte xa da historia de Portugal e da historia da loita polo socialismo.


Non son eu persoa de ídolos pero mentiría se non recoñecera que a obra e a traxectoria de Álvaro Cunhal tiveron unha grande importancia na miña primeira formación como militante desde aquel inverno de 1985 no que cae nas miñas mans un exemplar de “O Partido com Paredes de Vidro”, libro que tiven posibilidade de mercar un ano despois, libro que desde aquela teño agasallado en diversas ocasións a compañeir@s e camaradas e que me permito recomendar  a calquer mozo ou moza que se inicie na militancia política;  se ben é certo que co paso do tempo algúns aspectos están desactualizados entendo que no fundamental “O Partido com Paredes de Vidro”  segue a ser unha útil introdución ao funcionamento dun partido comunista e ás características que debe ter a militancia comunista.



Tamén son moi recomendábeis entre a súa abondosa obra política “A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril: A Contra-Revolução Confessa-se” para quen queira adentrase nunha visión non oficial do que foi o proceso revolucionario portugués aberto 0 25 de abril de 1974 e “O Radicalismo Pequeno-Burguês de Fachada Socialista” libro moi útil no momento actual para desenmascarar determinadas actuacións e discursos que son presentados como moi modernos e rompedores pero non deixan de ser vellos coñecidos que sempre estiveron presentes da man do oportunismo.na loita política.



Teño dúbidas de se foi no teatro Rívoli do Porto en 1987 ou na Festa da Alegría en Braga en 1988 cando asistín por primeira vez a un comicio de Álvaro Cunhal pero nunca esquecerei a súa firme voz e o seu discurso exento de artificios teatrais que puideran distraer do contido, un xeito de falar para min exemplo de cómo debe actuar  un bo orador que con seriedade e rigurosidade é quen de atraer a atención dos e das ouvintes; así o Palacio de Cristal do Porto no XII Congreso do PCP e os comicios do domingo á tarde no  Palco 25 de abril das distintas edicións da Festa do Avante! foron citas memorábeis con Álvaro Cunhal.



Álvaro Cunhal foi un exemplo de compromiso e firmeza na defensa das súas ideas non renunciando a elas nin diante do fascismo que o torturou e o mantivo en prisión 15 anos, deles 8 en total aillamento, nin posteriormente no réxime democrático diante das manobras que tentaron domesticalo co obxecto de integralo no sistema como fixeron cos PCs español e italiano e ao non conseguilo despregaron contra el e contra o seu partido unha longa campaña de demonización que aínda non rematou.



A defensa do ideal comunista, a defensa das conquistas e dos principios recollidos na Constitución Portuguesa saída do proceso revolucionario posterior ao 25 de abril, a oposición á entrada de Portugal no Mercado Común Europeo… son posicionamentos de Cunhal e do PCP polos que foi acusado de dogmático e de non saber adaptarse aos novos tempos e á modernidade. Pero ninguén que teña seguido con atención a traxectoria do PCP ou lido os seus documentos pode acreditar en descalificativos que sempre veñen de parte, é máis, a historia acabou por demostrar que ese apelo á modernidade e á adaptación aos novos tempos era realmente un apelo a pasarse ás fileiras do inimigo de clase.



Álvaro Cunhal
A firmeza de conviccións nunca impediu a Cunhal ser flexíbel cando era preciso, procedendo a axustamentos tácticos que en non poucas ocasións amosaron a súa grande capacidade de análise das situacións concretas que se daban na sociedade portuguesa, uns axustamentos tácticos froito da disposición de Cunhal e do seu partido a intervir do xeito máis eficaz posíbel na loita real e a non quedarse en discursos teóricos que podían estar moi ben construídos pero eran inútiles.


Neses axustamentos creo que un dos máis salientábeis e pouco coñecido foi a decisión de eliminar a expresión “ditadura do proletariado” do programa aprobado no VII Congreso extraordinario do PCP celebrado seis meses despois do inicio da revolución, o 20 de outubro de 1974; unha decisión sobre a que comentaba Cunhal en 1976:



“(…)O nosso povo, depois de 50 anos de ditadura fascista, se se fala em ditadura do proletariado está a ver repressão, está a ver a perda das liberdades, no fim de contas aquilo que caracterizava o regime fascista nos aspectos repressivos. Nada facilitava a nossa tarefa, o esclarecimento do nosso povo e o caminho para socialismo utilizarnos a expresão ‘ditadura do proletariado’. Isto daría logo a ideia que nós, os comunistas, queremos instaurar un poder violento sugerido pela palabra ‘ditadura’, que no espírito do nosso povo está ligada á repressão e à ausencia de liberdades, quando a ditadura do proletariado é uma forma de organização social em que há muito mais liberdades do que num regime democrático burgués por muito democrático que seja(…)”   Unha vez iniciado o período contra-revolucionario da man fundamentalmente do Partido Socialista foron diversas as ocasións nas que se anunciou o declinio do PCP, sendo coa caída do muro de Berlín e a desaparición do chamado bloque socialista cando moitos agoireiros anunciaron a súa morte definitiva ao consideraren que o PCP era simplemente un apéndice da URSS, pero unha vez máis erraron. O PCP nun momento moi delicado para quen defendíamos e defendemos o ideal comunista mantívose firme, con feridas pero firme, e foi quen de superar esa etapa na que ademais dos ataques externos houbo de afrontar a disensión interna por parte de militantes críticos que na meirande parte dos casos e con poucas excepcións baixo o discurso de modernizar o partido e actualizar as súas ideas agachaban realmente a disposición a realizar un rápido traxecto cara o social-liberalismo representado polo PS de Mário Soares ou directamente cara as fileiras conservadoras do PSD de Cavaco Silva.  Sobre a desaparición da URSS dicía Cunhal en 1993

“(…)o que fracassou não foi o ideal comunista, mas um ‘modelo’ de sociedade que em aspectos fundamentais se afastou de tal ideal. Não foram apenas ‘erros humanos’, embora também o tenha havido, mas uma concepção, uma prática política e um exercício do poder que de facto se afastaram do ideal comunista(… ), uma tão grave situação exigia não apenas a correcção de erros pontuais, mas mudança radical nas orientações e uma real reestruturação da sociedade no plano económico, social e político. Consolidando as grandes conquistas revolucionárias, restabelecendo o poder político do povo, instaurando efectivamente a democracia no Estado, no partido e na sociedade, superando a estagnação, aproveitando as potencialidades do sistema sócio-económico muito longe de estarem esgotadas, — impunha-se promover a renovação criativa e o reforço da sociedade socialista.

A evolução da situação na URSS e países do leste da Europa comprovaram infelizmente as reservas e atitudes do PCP relativamente ao processo em curso da ‘perestroika’. A derrocada e liquidação da URSS e a catastrófica situação que foi criada nesses países, a mudança da correlação de forças a nível mundial, e o aproveitamento da nova situação pelo imperialismo para tentar de novo impor a sua hegemonia mundial, contra a luta libertadora dos trabalhadores e dos povos, utilizando todas as armas (económicas, financeiras, políticas, diplomáticas, militares), as ingerências, intervenções, agressões e guerras a que diariamente assistimos indicam que não só subsiste como se reforça a necessidade da luta dos comunistas por aqueles objectivos que foram através do século a razão de ser da sua existência e da sua luta (.…). Nós, os comunistas portugueses, não tínhamos realizado em todos os seus elementos, e muito menos explicado antes da derrocada da URSS e noutros países do leste da Europa análises e críticas que actualmente fazemos. Tivemos esperança (que os acontecimentos mostraram ser demasiado optimista) numa correcção dos apontados aspectos negativos da evolução e da política nesses países(…)”



Cando empezaba este artigo lembrei que o semanario A Nosa Terra chegou a publicar unha entrevista a Álvaro Cunhal e despois de revolver no faiado din atopado o exemplar no que aparece, foi en xullo de 1988 e nela fálase entre outras cuestións da existencia de diferentes nacións no estado español e pregúntaselle sobre as razóns do PCP para non ter relacións oficiais con partidos comunistas e frontes progresistas desas nacións. Cunhal como é lóxico explica a política oficial do seu partido naquel entón que era manter relacións oficiais só cun partido en cada estado, pero ademais engade o seguinte

“(…)tambén temos outras relacións non oficializadas con outros partidos comunistas que son contactos fraternais coñecidos polo PCE(…)Sabemos que há un problema nacional no Estado da España, sabemos que os povos que vosté menciona teñen conseguido unha autonomía muito forte, sabemos desa aspiración mas é un problema complexo que só a vostedes compete. Há diferentes solucións segundo cada forza política, Coñecemos mal a outras forzas revolucionárias por non ter elas dirixido a nós calquer iniciativa de relacionamento(…)”.



Está claro que un membro da UPG non pode coincidir co posicionamento que naquel momento tiña o PCP ao respecto da realidade plurinacional existente no estado español e do xeito de relacionarse cos partidos comunistas actuantes nas distintas nacións, pero sendo unha entrevista feita en 1988 a resposta dun Cunhal secretario xeral do seu partido entendo que amosa a súa capacidade para o diálogo e a súa disposición e apertura ao coñecemento de outras realidades.



Van alá máis de duas décadas do fin da Unión Soviética e o PCP de Álvaro Cunhal non desapareceu, cos seus problemas e deficiencias pero sobre todo coa súa firmeza é unha forza política organizada actuante na sociedade portuguesa con forte presenza nas organizacións de masas e un apoio electoral importante que se veu reforzado nas duas últimas convocatorias electorais tanto á Assembleia  da República como ás autarquías.



Un dos últimos textos de Álvaro Cunhal escrito en decembro de 2003 e titulado O Mundo de Hoje remata dicindo

“(…)O domínio mundial do capitalismo como sistema único e final teria como resultado e componente, segundo os seus teóricos, o «fim das ideologias» e o «pensamento único».

Trata-se de uma utopia da ofensiva global do capitalismo.

O ser humano continua pensando. E o pensamento e a ideologia dos trabalhadores e dos povos oprimidos serão sempre inevitavelmente opostos à das potências e classes exploradoras e opressoras.

Princípios fundamentais do marxismo (filosofia, economia, socialismo), respondendo criativamente às mudanças no mundo, mantêm inteira validade.”