Alguns testemunhos interessantes
sábado, 19 de novembro de 2016
sexta-feira, 18 de novembro de 2016
Álvaro Cunhal Obreiro e construtor da unidade
103.º
aniversário do nascimento
Mais de 200
pessoas participaram, no dia 10, na evocação de Álvaro Cunhal por ocasião do
seu 103.º aniversário, realizada no Porto.
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
10 DE NOVEMBRO, RECORDAR ÁLVARO CUNHAL
O QUE EM ALEGRIA APREGOASTE
É como morto que não procurarás novos lugares,
e, para onde olhares, não verás nem as altas montanhas
nem o fundo do mar, apenas o vento envelhecerá o pó
que agora te cobre e outros pisam – não há barco
para navegar, nem ofertas para arrecadar, outros
querem a tua alma, outros deuses conhecer
ou os fragores sábios do povo nomear,
seguir-te, ou de múltiplas e notáveis vénias
se equivocam, e cedem ao deleite e à glória
o que em alegria apregoaste, fazendo
amanhecer as manhãs e os caminhos
pela primeira vez para que fôssemos
compreender quanto poder existe
numa palavra ou no brilho
simples de um olhar.
Jorge Velhote
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
segunda-feira, 13 de junho de 2016
sexta-feira, 25 de março de 2016
Álvaro Cunhal e a Arte
Óleo sobre platex, 96X168cm
"Beleza é um critério e um
juizo humano. Desaparecido o sujeito que tem tal critério ou formula tal juizo,
o mundo poderia ficar tal qual é, mas como afirmar que, sem o homem,
continuaria a ser belo? Belo para quem?"
A.C. em A arte, o artista e a
sociedade.
“publicado por divagares”
domingo, 17 de janeiro de 2016
Apontamento sobre a metamorfose de Pacheco Pereira - Miguel Urbano Rodrigues
Apontamento sobre a
metamorfose de Pacheco Pereira
O 4º tomo da biografia política de
Álvaro Cunhal é, como os anteriores, uma obra semeada de contradições. É
entretanto indiscutível que Pacheco Pereira realizou um importante trabalho de
investigação, sem precedentes no tocante ao tema. Contém erros, deturpações,
omissões, juízos de pessoas e análises (para mim inaceitáveis) de
acontecimentos históricos. Umas vezes por atribuir crédito a fontes que o não
justificam, outras por insuficiente ou deficiente informação, como sucede
nomeadamente com a posição do PCP face à guerra colonial e o muito importante
trabalho político desenvolvido pelos antifascistas exilados no Brasil.
O 4º tomo da obra biográfica que
Pacheco Pereira dedicou a Álvaro Cunhal recebeu da intelectualidade burguesa um
coro de elogios muito superior ao que ela dispensara aos anteriores.
Uma nota prévia sobre o autor.
Conheci- o em casa de Manuel
Sertório, em 1975. Apresentou-o como um estudioso do marxismo muito talentoso.
Estava ligado a uma organização maoista, o PCPML, e era ainda quase
desconhecido fora do Porto.
Reencontrei-o quinze anos depois na
Assembleia da Republica como líder da bancada do PSD. Tinha trocado o maoismo
pelo partido de Sá Carneiro no qual ascendeu rapidamente como estrela. Muitas
das suas intervenções destilavam anticomunismo.
A sua metamorfose fora rápida e
complexa. O admirador de Mao, Marx, Lenin e Ho Chi Minh tinha aderido no final
dos anos 80 ao PSD e assumira como seu deputado a defesa e apologia do
liberalismo rotulado de social-democracia. Mas não era, ao contrário de outros
companheiros da sua bancada, um parlamentar truculento.
Na Assembleia da Republica, mantivemos
relações frias, mas corteses. Recordo que, para surpresa minha, contribuiu para
viabilizar a ida a Cuba de uma delegação multipartidária da Assembleia que foi
a primeira de um parlamento europeu a visitar a Ilha revolucionária.
Nos últimos anos, apos ter
regressado a Portugal – depois de renunciar ao seu mandato de deputado no
Parlamento Europeu - passou a criticar com dureza o governo de Passos
Coelho-Portas, condenando como negativa a sua política de austeridade. Mas
permanece no PSD como militante.
É dos intelectuais da direita que
conheço o mais inteligente e culto.
CONTRADIÇÕES.
O 4º tomo da biografia política de
Álvaro Cunhal é, como os anteriores, uma obra semeada de contradições, algumas
de compreensão difícil.
Os primeiros capítulos incidem sobre o esforço de AC para reorganizar o Partido apos a fuga de Peniche. A clandestinidade rigorosa em que viveu, mudando repetidamente de residência, não o impediu de desenvolver uma atividade intensa, orientada prioritariamente para o combate ao desvio de direita que caracterizara a estratégia do PCP sob a direção de Fogaça.
Os primeiros capítulos incidem sobre o esforço de AC para reorganizar o Partido apos a fuga de Peniche. A clandestinidade rigorosa em que viveu, mudando repetidamente de residência, não o impediu de desenvolver uma atividade intensa, orientada prioritariamente para o combate ao desvio de direita que caracterizara a estratégia do PCP sob a direção de Fogaça.
Pacheco evoca os acontecimentos do
ano 60 na perspetiva de historiador. Recorre aliás às Obras Escolhidas para as
transcrições de textos de AC.
Essa tentativa de objetividade transparece
nas páginas dedicadas à instalação de AC em Moscovo, em 61, ao seu trabalho
politico na URSS e à sua vida familiar ali.
Pacheco Pereira, para escrever a sua
biografia política de AC, terá tido acesso a documentos desclassificados dos
Arquivos Soviéticos. Daí a minucia e o volume da informação sobre os contactos
de AC com as mais destacadas personalidades do PCUS. Transcorrido apenas um
ano, já era um dos dirigentes comunistas estrangeiros mais respeitados e
admirados pela hierarquia do Estado e do partido soviéticos. O Pravda e outros
órgãos da imprensa soviética publicavam com frequência artigos seus e a
televisão e a radio abriram-lhe as portas.
Utilizando um passaporte checo, pôde
visitar as democracias populares do leste europeu, reforçando as relações do
PCP com os partidos da RDA, da Polonia, da Hungria, da Bulgária, da Roménia e
da Checoslováquia. Em Praga instalou membros influentes do PCP em tarefas
internacionalistas.
Fica transparente para os leitores
que Pacheco, superando antagonismos ideológicos, sente uma admiração grande por
Álvaro Cunhal, pela sua inteligência fulgurante, pela profundidade do seu
conhecimento do marxismo–leninismo, pela seriedade no respeito dos
compromissos, pelo rigor com que aplicava a teoria à prática, e também pela
amplitude da sua cultura humanista, pela sua enorme capacidade de trabalho e
uma abertura à arte pouco comum na URSS que naqueles anos acusava ainda a
herança pesada do jdanovismo.
O conhecimento dos clássicos do
marxismo é identificável no discurso de Pacheco e na sua escrita, diferentes do
habitual nos políticos anticomunistas.
Reservado no tocante à sua vida
privada, mesmo em conversas com os camaradas mais íntimos, Álvaro Cunhal –
refere Pacheco Pereira mais de uma vez - tinha um amor profundo pela filha,
Anita, e aproveitava as férias para a visitar na Roménia onde ela vivia com a
mãe.
Não é porem surpreendente que os intelectuais da burguesia, incluindo escritores da direita, tenham recebido com entusiasmo este 4º tomo da biografia política de AC.
Não é porem surpreendente que os intelectuais da burguesia, incluindo escritores da direita, tenham recebido com entusiasmo este 4º tomo da biografia política de AC.
Essa atitude não seria possível se o
autor do livro, em muitos capítulos, não deturpasse acontecimentos políticos
importantes, atribuindo a Álvaro Cunhal comportamentos, atitudes e até opiniões
incompatíveis com o seu pensamento, caracter e mundividência de comunista.
O confuso capítulo relacionado com conflitos que precederam a instalação em Argel da Frente Portuguesa de Libertação Nacional-FPLN, como prólogo de cisões que golpearam a oposição antifascista, deforma ostensivamente a realidade.
O confuso capítulo relacionado com conflitos que precederam a instalação em Argel da Frente Portuguesa de Libertação Nacional-FPLN, como prólogo de cisões que golpearam a oposição antifascista, deforma ostensivamente a realidade.
Pacheco não esconde aliás simpatia e
antipatia por alguns dos participantes em acontecimentos que envolveram o
general Humberto Delgado. Nos capítulos em que aborda o tema do choque
URSS-China e os seus reflexos no movimento comunista internacional e a vaga de
anti sovietismo que então irrompeu, Pacheco Pereira, que é sempre benevolente
nas referências aos ex-comunistas portugueses que posteriormente se deslocaram
para a direita (como Silva Marques e o Chico da CUF), concede espaço e atenção
a intelectuais camaleónicos como Manuel de Lucena (que anos depois elogiaria os
coronéis gregos).
O tom de seriedade que se esforçou
por imprimir ao texto é prejudicado por afirmações grotescas como o disparate
calunioso de que a PIDE e o KGB trocavam presentes.
Mas é sobretudo no tratamento dos
acontecimentos de 1968 na Checoslováquia que Pacheco Pereira abandona a postura
de historiador. Deturpa a atitude de Álvaro Cunhal, atribui-lhe hesitações
imaginárias perante a grave crise gerada pela entrada na Checoslováquia das
tropas do Tratado de Varsóvia, crise que abalou então o movimento comunista
internacional e assinalou o início da social-democratização do PCI, do PCF e do
PCE. Citando opiniões de gente sem credibilidade, insinua que Álvaro Cunhal
sentiu inicialmente muita simpatia por Alexandr Dubcek.
É uma inverdade. Julgo útil recordar
que Dubcek, alguns anos apos a desagregação da URSS, quando a Rússia era já uns
país capitalista, declarou em entrevista a um jornal francês - de Grenoble, se
a memória não me atraiçoa - que nunca se sentiu marxista. Confissão
esclarecedora do aventureirismo e da ambição de um político que foi
secretário-geral do Partido Comunista da Eslováquia e, depois, do Partido
Comunista da Checoslováquia.
Os ataques a Álvaro Cunhal de
Flausino Torres e de outros portugueses residentes na Checoslováquia, que na
época eram membros do PCP, merecem atenção especial de Pacheco Pereira, que
evoca com simpatia a adesão desse grupo à chamada «Primavera de Praga».
Recordo que a incompatibilidade de
Dubcek com o socialismo não pôde mais ser negada quando Ota Sik - o seu super
ministro da Economia - em conferências em capitais do Ocidente teceu tais
elogios ao capitalismo que até John Kenneth Galbraith o denunciou como político
reacionário.
A GUERRA
COLONIAL
O capítulo sobre a Guerra Colonial e
a atitude do PCP perante a luta dos Movimentos de Libertação é aquele em que
Pacheco Pereira, independentemente do seu posicionamento, revela, por erros
cometidos e omissões, a insuficiência das informações de que dispunha sobre o
tema.
Fica óbvio que desconhece o
importante papel que as organizações da oposição democrática portuguesa do
Brasil desempenharam na luta contra o fascismo, nomeadamente na solidariedade
com os movimentos de libertação africanos.
Faz uma referência breve ao jornal
Portugal Democrático e lembra que foi no Brasil que a A Questão Agrária em
Portugal foi editada pela primeira vez. Cita com frequência a luta dos exilados
portugueses em França e noutros países, mas ignora a dimensão do combate da diáspora
portuguesa antifascista do Brasil.
Sem consulta à coleção do Portugal
Democrático – unitário, mas dirigido por um coletivo de comunistas - não é
possível avaliar o significado e importância desse trabalho. O jornal foi
durante anos o polo aglutinador da resistência da oposição antifascista em
diferentes países da América, do Canadá à Argentina.
A edição da Resistência em Portugal,
da Questão Agrária em Portugal, de Angola Cinco Seculos de Colonização
Portuguesa, (de Américo Boavida), A Guerra em Angola (de Mário Moutinho de
Pádua) partiu de iniciativas da organização do PCP em São Paulo, coordenadas
com o Comité Central do Partido. Centenas de exemplares desses livros foram
introduzidos clandestinamente em Portugal.
Uma dessas iniciativas alcançou
repercussão mundial: o Memorando que as organizações de seis países do
Continente Americano enviavam todos os anos à Assembleia Geral da ONU,
denunciando os crimes do fascismo e exigindo o fim da guerra colonial.
Tendo, inicialmente, como primeiros
signatários o general Humberto Delgado e Rui Luis Gomes, esse Documento, era
reproduzido por grandes jornais da América. Incomodava tanto o fascismo que o
embaixador de Salazar em Washington promoveu uma conferência de imprensa no
Waldorf Astoria de Nova York para tentar responder ao memorando.
Álvaro Cunhal acompanhou sempre
todas essas iniciativas.
Contrariamente ao que aconteceu em
França, na Itália, e noutros países da Europa Ocidental, o Portugal Democrático
e a Unidade Democrática Portuguesa, organização que desempenhou um papel
importante na divulgação de documentos sobre a guerra colonial e lutas em
Portugal, permaneceram imunes ao vírus do esquerdismo.
Na oposição portuguesa surgiram como
era inevitável problemas e conflitos pessoais, mais notórios apos a chegada ao
Brasil de Humberto Delgado e Henrique Galvão, mas não resultaram de tensões no
Movimento Comunista Internacional. O Partido Comunista do Brasil, inicialmente
maoista, e as organizações brasileiras que preconizavam a luta armada, sob a
forma da guerrilha rural ou da guerrilha urbana, não conquistaram adeptos entre
os antifascistas portugueses. As clivagens que afetaram a unidade de ação
tiveram motivações diferentes. A queda de Salazar da cadeira e o advento de
Marcelo Caetano contribuíram para que se distanciassem do núcleo do Portugal
Democrático, recusando participar em ações unitárias com o PCP, entre outras
personalidades, o comandante Sarmento Pimental e os jornalistas Vitor da Cunha
Rego e Paulo de Castro. O marcelismo foi uma fonte de ilusões e o discurso de
Mário Soares nas suas visitas a São Paulo atraiu para o Partido Socialista
exilados seduzidos pela chamada democracia representativa. Mas não houve
agressividade, nem criticas ao PCP nesse distanciamento.
A
INDEFINIÇAO ATUAL DE PACHECO PEREIRA
Os reparos críticos ao livro de
Pacheco Pereira não afetam a minha convicção de que este 4º tomo da sua
ambiciosa biografia do dirigente comunista reflete uma evolução positiva da sua
posição perante o PCP. Creio que a mudança resultou do fascínio que sobre ele
exerce Álvaro Cunhal, numa estranha relação amor-ódio.
Registo que, não obstante erros,
deturpações, omissões, juízos de pessoas e análises (para mim inaceitáveis) de
acontecimentos históricos – Pacheco Pereira realizou um importante trabalho de
investigação, sem precedentes no tocante ao tema.
Sou levado a uma conclusão de cariz
especulativo. O seu absorvente interesse pela vida, personalidade e obra de
Álvaro Cunhal terá contribuído para um distanciamento progressivo do ideário
que durante anos o fez porta-voz no PSD de uma estratégia contra
revolucionária.
Pacheco Pereira não abdicou de uma
postura anticomunista, da sua tolerância perante o imperialismo, e de um anti
sovietismo exacerbado. Mas, a sua incompatibilidade com a política reacionária
do PSD, a sua reflexão sobre a obra devastadora de Passos, Portas, Maria Luis e
quejandos, e as consequências trágicas da «austeridade», empurraram-no
gradualmente para críticas lucidas e cada vez mais profundas ao calamitoso
desgoverno que estava a destruir o pais.
Os seus artigos em jornais e
revistas, as suas entrevistas e intervenções em mesas redondas da TV são hoje
globalmente positivos.
Não está próximo de uma rutura com o sistema. Mas contempla-o agora com um olhar muito diferente. Como historiador e académico.
Não sinto a tentação de prever o rumo de José Pacheco Pereira.
Não está próximo de uma rutura com o sistema. Mas contempla-o agora com um olhar muito diferente. Como historiador e académico.
Não sinto a tentação de prever o rumo de José Pacheco Pereira.
O político e o intelectual
aparecem-me como imprevisíveis pelas suas contradições e indefinições.
Tive o privilégio de trabalhar com
Álvaro Cunhal durante uma dúzia de anos. O livro de Pacheco Pereira, apesar do
muito de que discordo, contribuiu para aumentar a minha admiração pelo
comunista e pelo homem.
Miguel Urbano Rodrigues
domingo, 3 de janeiro de 2016
"3 de janeiro de 1960"
3-1-2016 Por Joaquim Gomes
Álvaro Cunhal e a fuga para a liberdade
Passam hoje
exatamente 56 anos desde que Álvaro Cunhal praticou aquela que pode ser
considerada como a mais mediática fuga que ocorreu numa prisão portuguesa.
Pelo regime repressivo que vigorava em Portugal, pela prisão de alta segurança onde se encontrava, pela descredibilização crescente do regime ditatorial e pelo protagonismo de Álvaro Cunhal, esta fuga abalou os alicerces bem sólidos do Estado Novo e abriu brechas no seu rigoroso mecanismo de controlo da sociedade, que culminou com a sua queda, 14 anos depois (1974).
Ao longo dos últimos 100 anos, foram vários os políticos que se destacaram em Portugal, mas foram, apenas, quatro os que mais mérito demonstraram e se destacaram pela sua ímpar qualidade e destreza política. Quatro nomes que marcaram a sua época, que marcaram várias gerações, e que perdurarão por décadas, séculos, nos registos mais destacados da nossa história. Refiro-me a Oliveira Salazar, a Mário Soares, a Francisco Sá Carneiro e a Álvaro Cunhal.
Um desses protagonistas, Álvaro Cunhal, teve um dos seus grandes momentos no dia 3 de janeiro de 1960, há exatamente 56 anos. Pelo brilhantismo da sua ação e pelo que representa na nossa história, merece hoje aqui ser recordado.
Pelo regime repressivo que vigorava em Portugal, pela prisão de alta segurança onde se encontrava, pela descredibilização crescente do regime ditatorial e pelo protagonismo de Álvaro Cunhal, esta fuga abalou os alicerces bem sólidos do Estado Novo e abriu brechas no seu rigoroso mecanismo de controlo da sociedade, que culminou com a sua queda, 14 anos depois (1974).
Ao longo dos últimos 100 anos, foram vários os políticos que se destacaram em Portugal, mas foram, apenas, quatro os que mais mérito demonstraram e se destacaram pela sua ímpar qualidade e destreza política. Quatro nomes que marcaram a sua época, que marcaram várias gerações, e que perdurarão por décadas, séculos, nos registos mais destacados da nossa história. Refiro-me a Oliveira Salazar, a Mário Soares, a Francisco Sá Carneiro e a Álvaro Cunhal.
Um desses protagonistas, Álvaro Cunhal, teve um dos seus grandes momentos no dia 3 de janeiro de 1960, há exatamente 56 anos. Pelo brilhantismo da sua ação e pelo que representa na nossa história, merece hoje aqui ser recordado.
O regime que
vigorava em Portugal, nesse ano de 1960, era o Estado Novo. Era um regime que
dominava o país desde 1933 (Constituição), mas cujos contornos ditatoriais já
vinham desde 1928, quando Salazar tinha assumido a pasta de Ministro das
Finanças, até 1932, seguindo-se um ano como presidente do Ministério (1932 e 1933)
e depois como presidente do Conselho de Ministros, entre 1933 e 1968.
Durante todo este período, Oliveira Salazar rodeou-se de um sistema de base repressiva, que o ajudou a manter-se no governo durante todo este tempo. Na altura, todos os que se opusessem aos seus ideais e às suas decisões políticas sofreriam, e de forma brutal. Uma dessas vítimas foi Álvaro Cunhal.
Forte opositor ao Estado Novo, Álvaro Cunhal acabou preso durante 15 anos, em 1937, em 1940, e entre 1949-1960. Durante oito anos ficou em total isolamento tendo, nessa ocasião, aproveitado para desenvolver as suas brilhantes qualidades de artista e escritor.
A chamada Fuga de Peniche faz hoje 56 anos e foi a consequência da tortura a que Álvaro Cunhal foi sujeito pela oposição que desencadeou ao regime salazarista - tendo ocorrido nessa prisão de alta-segurança. Em conjunto com outros colegas, também ligados ao Partido Comunista Português, deu-se a célebre fuga da prisão, que causou espanto em todo o país, pese o facto de o regime de então limitar muito as informações dadas aos portugueses e censurar, eficazmente, a comunicação social.
Nesta evasão estiveram envolvidos os “dez de Peniche”, compostos por Álvaro Cunhal, Carlos Costa, Francisco Martins Rodrigues, Francisco Miguel, Guilherme da Costa Carvalho, Jaime Serra, Joaquim Gomes, José Carlos, Pedro Soares e Rogério de Carvalho.
A fuga assombrou os meios políticos e policiais portugueses, tal era a segurança que envolvia essa prisão. Ao final do dia de 3 de janeiro, um automóvel estacionou mesmo em frente à prisão e, de seguida, foi neutralizado o guarda de serviço, através de uma anestesia.
Com a ajuda de um sentinela, Álvaro Cunhal e os seus companheiros percorreram várias divisões da prisão, sem serem notados pelos diferentes guardas. Consequentemente, desceram a muralha do forte através de uns lençóis atados uns aos outros até alcançarem o exterior da prisão. Quando chegaram a Peniche, encontravam-se já vários automóveis, que os levaram para diferentes locais.
Deste modo, estava consumada aquela que acabaria por se tornar numa das mais espetaculares fugas da prisão que ocorreu no nosso país e até mesmo a nível internacional, tal foi o simbolismo que a mesma causou com a afronta ao regime sólido de Oliveira Salazar.
Recorde-se que a prisão Fortaleza de Peniche foi uma prisão de alta segurança que funcionou durante o Estado Novo. Por ela passaram 2487 presos, que sofreram amarguras e torturas, muitas delas de difícil relato! A violência desta prisão (que fazia lembrar o célebre “Rochedo”, a prisão de alta segurança norte americana) era do conhecimento da população, que não hesitava em ajudar alguns familiares desses presos, que lá se deslocavam, concedendo-lhes ajuda alimentar e alojamento, muitas vezes gratuito, tal era a miséria e o sofrimento que então se vivia.
No início de 2016, nada melhor do que recordar um dos acontecimentos marcantes da nossa história recente, para que todos possamos aprender com o passado e contribuirmos para uma sociedade mais justa e livre de opressões, sejam elas políticas, sejam sociais ou sejam as atuais económicas e financeiras.
Durante todo este período, Oliveira Salazar rodeou-se de um sistema de base repressiva, que o ajudou a manter-se no governo durante todo este tempo. Na altura, todos os que se opusessem aos seus ideais e às suas decisões políticas sofreriam, e de forma brutal. Uma dessas vítimas foi Álvaro Cunhal.
Forte opositor ao Estado Novo, Álvaro Cunhal acabou preso durante 15 anos, em 1937, em 1940, e entre 1949-1960. Durante oito anos ficou em total isolamento tendo, nessa ocasião, aproveitado para desenvolver as suas brilhantes qualidades de artista e escritor.
A chamada Fuga de Peniche faz hoje 56 anos e foi a consequência da tortura a que Álvaro Cunhal foi sujeito pela oposição que desencadeou ao regime salazarista - tendo ocorrido nessa prisão de alta-segurança. Em conjunto com outros colegas, também ligados ao Partido Comunista Português, deu-se a célebre fuga da prisão, que causou espanto em todo o país, pese o facto de o regime de então limitar muito as informações dadas aos portugueses e censurar, eficazmente, a comunicação social.
Nesta evasão estiveram envolvidos os “dez de Peniche”, compostos por Álvaro Cunhal, Carlos Costa, Francisco Martins Rodrigues, Francisco Miguel, Guilherme da Costa Carvalho, Jaime Serra, Joaquim Gomes, José Carlos, Pedro Soares e Rogério de Carvalho.
A fuga assombrou os meios políticos e policiais portugueses, tal era a segurança que envolvia essa prisão. Ao final do dia de 3 de janeiro, um automóvel estacionou mesmo em frente à prisão e, de seguida, foi neutralizado o guarda de serviço, através de uma anestesia.
Com a ajuda de um sentinela, Álvaro Cunhal e os seus companheiros percorreram várias divisões da prisão, sem serem notados pelos diferentes guardas. Consequentemente, desceram a muralha do forte através de uns lençóis atados uns aos outros até alcançarem o exterior da prisão. Quando chegaram a Peniche, encontravam-se já vários automóveis, que os levaram para diferentes locais.
Deste modo, estava consumada aquela que acabaria por se tornar numa das mais espetaculares fugas da prisão que ocorreu no nosso país e até mesmo a nível internacional, tal foi o simbolismo que a mesma causou com a afronta ao regime sólido de Oliveira Salazar.
Recorde-se que a prisão Fortaleza de Peniche foi uma prisão de alta segurança que funcionou durante o Estado Novo. Por ela passaram 2487 presos, que sofreram amarguras e torturas, muitas delas de difícil relato! A violência desta prisão (que fazia lembrar o célebre “Rochedo”, a prisão de alta segurança norte americana) era do conhecimento da população, que não hesitava em ajudar alguns familiares desses presos, que lá se deslocavam, concedendo-lhes ajuda alimentar e alojamento, muitas vezes gratuito, tal era a miséria e o sofrimento que então se vivia.
No início de 2016, nada melhor do que recordar um dos acontecimentos marcantes da nossa história recente, para que todos possamos aprender com o passado e contribuirmos para uma sociedade mais justa e livre de opressões, sejam elas políticas, sejam sociais ou sejam as atuais económicas e financeiras.
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