«Álvaro Cunhal é uma personalidade marcante, em Portugal e no mundo

quinta-feira, 22 de março de 2018

(A propósito da censura a um acto público).

“Carta a um amigo que não soube”

(A propósito da censura a um acto público).

Fizeste-me falta, pá! Não por mim, que lá estive, mas por ti que não soubeste… Eu sei da felicidade que retiras destas coisas e da partilha que dela fazes. Foi isso que me fez falta: a tua felicidade. Sabes como a malta é, pusemos a mesa com microfones e tudo, chamámos os jornais, chamámos as rádios, chamámos as televisões… Só para te avisar, pá. Era a forma mais expedita que tínhamos à mão, e gostávamos tanto de te ter por perto. Mas não, a coisa não saiu, ou saiu envergonhadamente. Sinais destes tempos sem vergonha. Depois o Álvaro não é tipo que se ignore e o número era redondo – o centenário – mas mesmo assim tu ficaste sem saber. Tiraram-te esse direito. Foi tão bonita a festa, pá. Lembras-te daquela tirada do Álvaro que começa assim: «Arte é liberdade. É imaginação, é fantasia, é descoberta e é sonho. É criação e recriação da beleza pelo ser humano e não apenas imitação da beleza que o ser humano considera descobrir na realidade que o cerca»? Lembras-te? Foi o nosso guião. Foi o guião dos músicos, dos cantores e dos actores que passaram pelo palco. A melhor maneira de comemorar a liberdade é exercê-la e, como tu sabes, pá, evocar o Álvaro é projectá-la para os dias que hão-de vir, para as liberdades que hão-de vir. E são tantas, amigo, e são tantas as liberdades que nos faltam… O Álvaro teve a casa cheia, pelas costuras. Tu sabes como a malta é, abrimos as portas de casa para que alguém te fizesse chegar uma pequena luz do que lá se passou. Mas, enfim, foi o costume: tiraram-te esse direito. Fizeste-me falta, pá. Mas ainda te vou ver a sorrir. Temos uma prenda para ti: filmámos tudo. E assim damos um outro sentido à falta que me fizeste. É que, como diz o Palma, “enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar, a gente vai continuar”.
Um abraço, pá.
E até já!
Fernanda Lapa
Joana Manuel
João Monge
Luísa Ortigoso
Rita Lello
Samuel Quedas
Tavares Marques
Zeca Medeiros



quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

EFEMÉRIDE

EFEMÉRIDES: 3 DE JANEIRO – A FUGA DE CUNHAL DE PENICHE FOI HÁ 57 ANOS

 
EFEMÉRIDES
3 de janeiro
1960 – Álvaro Cunhal, líder do PCP, evadiu-se do Forte Peniche com outros nove prisioneiros políticos da ditadura de Oliveira Salazar. Ao final da tarde, um automóvel conduzido pelo ator, já falecido, Rogério Paulo parou em frente ao forte com o porta-bagagens aberto. Esse era o sinal combinado para que, no interior da prisão se soubesse que, no exterior, estava tudo a postos para a fuga. O carcereiro foi então neutralizado com o emprego de uma anestesia e, com a ajuda de um sentinela, o guarda José Alves, que fazia parte do plano de fuga, os prisioneiros atravessaram, sem serem vistos pelos demais sentinelas, o trecho mais exposto do percurso. Encontrando-se no piso superior, desceram para o piso inferior por uma árvore. Daí correram para a muralha, de onde desceram com o auxílio de uma corda feita com lençóis até alcançarem o fosso exterior. Depois, tiveram ainda que saltar um muro para chegar à vila, onde já se encontravam à espera os automóveis que os haviam de transportar para as casas clandestinas onde deveriam passar a noite. Álvaro Cunhal passou a noite na casa de Pires Jorge em São João do Estoril, onde ficou a viver clandestinamente durante algum tempo.


quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Évora – SESSÃO PÚBLICA EVOCATIVA DO 104º ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO DE ÁLVARO CUNHAL

Évora – SESSÃO PÚBLICA EVOCATIVA DO 104º ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO DE ÁLVARO CUNHAL

10 Novembro 2017, (Sexta-feira), 18h00, Salão Nobre do Teatro Garcia de Resende – Évora.
Intervenções de Manuel Branco, Historiador de Arte; Domingos Lobo, Escritor e JERÓNIMO DE SOUSA, Secretário-Geral do PCP.
A arte, a cultura, a produção artística, eram alvo de dedicação material e intelectual de Álvaro Cunhal. Na produção e na reflexão sobre o seu papel, sobre o seu valor social, lega-nos um importante património.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017