«Álvaro Cunhal é uma personalidade marcante, em Portugal e no mundo

quinta-feira, 9 de março de 2017

Paula Santos no Dia Internacional da Mulher




Igualdade na lei e na vida
08.03.2017  Expresso
1. Álvaro Cunhal na sua intervenção na Conferência Nacional do PCP sobre “A Emancipação da Mulher no Portugal de Abril” em 1986 dirigiu um apelo às mulheres: “tomai o destino nas próprias mãos”.
Ao longo de décadas as mulheres, em especial as mulheres trabalhadoras foram protagonistas de duras lutas. No fascismo a luta das mulheres integrou a luta contra a ditadura fascista, contra a repressão e a opressão, pela liberdade, os direitos e a democracia. A luta das mulheres foi determinante na Revolução de Abril e na consagração de direitos fundamentais na Constituição da República Portuguesa. Hoje a luta das mulheres continua a ser determinante na batalha pela efetiva igualdade na lei e na vida.
No passado as mulheres nunca deixaram em mãos alheias a defesa dos seus direitos. É essencial que hoje as mulheres tomem nas suas mãos a construção do futuro.
2. Comemoramos hoje o Dia Internacional da Mulher, dia que decorre exatamente da luta das mulheres trabalhadoras por melhores condições de vida, por melhores salários e pela jornada de trabalho de oito horas.
O Dia Internacional da Mulher é um dia de ação, intervenção e luta. É um dia para denunciar as violações dos direitos das mulheres que ainda perduram e as desigualdades e descriminações a que são sujeitas e lutar pela emancipação das mulheres e a concretização dos seus direitos no plano político, económico, social e cultural.
A Voz das Mulheres pela Igualdade | Direitos | Desenvolvimento | Paz é o mote para uma Manifestação Nacional de Mulheres convocada pelo Movimento Democrático de Mulheres no próximo dia 11 de março, em Lisboa. A participação das mulheres é determinante para a emancipação das mulheres.
3. Apesar dos avanços no nosso país persistem desigualdades e discriminações.
No mundo do trabalho verificam-se inúmeras discriminações salariais. A média dos salários auferidos pelas mulheres é inferior à média dos salários auferidos pelos homens. São mais as mulheres que auferem o salário mínimo nacional e são as mulheres as mais afetadas pela precariedade e o desemprego.
Os direitos de maternidade e paternidade continuam a ser constantemente violados pelas entidades patronais. A pressão exercida pelas entidades patronais para que as mulheres abdiquem de gozarem os direitos de maternidade e paternidade previsto no quadro legal, a negação do exercício destes direitos e o despedimento ou não renovação de contratos de trabalho com mulheres grávidas ou puérperas, são exemplos concretos de desrespeito pelos direitos de maternidade e paternidade
A luta pela igualdade entre homens e mulheres em toda a sua plenitude (nas dimensões política, económica, social e cultural) é parte integrante da luta pela política patriótica e de esquerda, pela produção nacional, pela criação de emprego com direitos, pela valorização de salários e reformas, pela defesa do Serviço Nacional de Saúde, a Escola Pública, a proteção social, o acesso à cultura e pela afirmação da soberania.
4. Hoje comemoramos os 10 anos da aprovação da despenalização da interrupção voluntária da gravidez. 10 anos sem criminalizar as mulheres que se sujeitavam às malhas do aborto clandestino, sem condições, sem dignidade, colocando inclusivamente a sua vida em risco. 10 anos em que as mulheres puderam fazer a sua livre opção sem condicionalismos.
A despenalização da interrupção voluntária da gravidez constituiu um enorme avanço em matéria de direitos sexuais e reprodutivos, apesar de ainda existirem forças conservadoras e reacionárias que pretendem voltar atrás.
Há ainda um longo caminho a percorrer para assegurar os direitos sexuais e reprodutivos a todas as mulheres. É preciso reforçar o Serviço Nacional de Saúde e a Escola Pública para que o planeamento familiar, a saúde materna, os tratamentos de infertilidade ou a educação sexual sejam uma realidade.
*
Neste dia, saúdo hoje todas as mulheres, as mulheres trabalhadoras, as mulheres reformadas, as jovens mulheres e apelo a que não se resignem, nem se conformem e com combatividade e determinação lutem pela igualdade na lei e na vida.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Álvaro Cunhal Obreiro e construtor da unidade


103.º  aniversário do nascimento

Mais de 200 pessoas participaram, no dia 10, na evocação de Álvaro Cunhal por ocasião do seu 103.º aniversário, realizada no Porto.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

10 DE NOVEMBRO, RECORDAR ÁLVARO CUNHAL




O QUE EM ALEGRIA APREGOASTE

É como morto que não procurarás novos lugares,
e, para onde olhares, não verás nem as altas montanhas
nem o fundo do mar, apenas o vento envelhecerá o pó
que agora te cobre e outros pisam – não há barco
para navegar, nem ofertas para arrecadar, outros
querem a tua alma, outros deuses conhecer
ou os fragores sábios do povo nomear,
seguir-te, ou de múltiplas e notáveis vénias
se equivocam, e cedem ao deleite e à glória
o que em alegria apregoaste, fazendo
amanhecer as manhãs e os caminhos
pela primeira vez para que fôssemos
compreender quanto poder existe
numa palavra ou no brilho
simples de um olhar.

Jorge Velhote

sexta-feira, 25 de março de 2016

Álvaro Cunhal e a Arte



Óleo sobre platex, 96X168cm

"Beleza é um critério e um juizo humano. Desaparecido o sujeito que tem tal critério ou formula tal juizo, o mundo poderia ficar tal qual é, mas como afirmar que, sem o homem, continuaria a ser belo? Belo para quem?"

A.C. em A arte, o artista e a sociedade.
“publicado por divagares”

domingo, 17 de janeiro de 2016

Apontamento sobre a metamorfose de Pacheco Pereira - Miguel Urbano Rodrigues



Apontamento sobre a metamorfose de Pacheco Pereira

O 4º tomo da biografia política de Álvaro Cunhal é, como os anteriores, uma obra semeada de contradições. É entretanto indiscutível que Pacheco Pereira realizou um importante trabalho de investigação, sem precedentes no tocante ao tema. Contém erros, deturpações, omissões, juízos de pessoas e análises (para mim inaceitáveis) de acontecimentos históricos. Umas vezes por atribuir crédito a fontes que o não justificam, outras por insuficiente ou deficiente informação, como sucede nomeadamente com a posição do PCP face à guerra colonial e o muito importante trabalho político desenvolvido pelos antifascistas exilados no Brasil.
O 4º tomo da obra biográfica que Pacheco Pereira dedicou a Álvaro Cunhal recebeu da intelectualidade burguesa um coro de elogios muito superior ao que ela dispensara aos anteriores.
Uma nota prévia sobre o autor.
Conheci- o em casa de Manuel Sertório, em 1975. Apresentou-o como um estudioso do marxismo muito talentoso. Estava ligado a uma organização maoista, o PCPML, e era ainda quase desconhecido fora do Porto.
Reencontrei-o quinze anos depois na Assembleia da Republica como líder da bancada do PSD. Tinha trocado o maoismo pelo partido de Sá Carneiro no qual ascendeu rapidamente como estrela. Muitas das suas intervenções destilavam anticomunismo.
A sua metamorfose fora rápida e complexa. O admirador de Mao, Marx, Lenin e Ho Chi Minh tinha aderido no final dos anos 80 ao PSD e assumira como seu deputado a defesa e apologia do liberalismo rotulado de social-democracia. Mas não era, ao contrário de outros companheiros da sua bancada, um parlamentar truculento.
Na Assembleia da Republica, mantivemos relações frias, mas corteses. Recordo que, para surpresa minha, contribuiu para viabilizar a ida a Cuba de uma delegação multipartidária da Assembleia que foi a primeira de um parlamento europeu a visitar a Ilha revolucionária.
Nos últimos anos, apos ter regressado a Portugal – depois de renunciar ao seu mandato de deputado no Parlamento Europeu - passou a criticar com dureza o governo de Passos Coelho-Portas, condenando como negativa a sua política de austeridade. Mas permanece no PSD como militante.
É dos intelectuais da direita que conheço o mais inteligente e culto.
CONTRADIÇÕES.
O 4º tomo da biografia política de Álvaro Cunhal é, como os anteriores, uma obra semeada de contradições, algumas de compreensão difícil.
Os primeiros capítulos incidem sobre o esforço de AC para reorganizar o Partido apos a fuga de Peniche. A clandestinidade rigorosa em que viveu, mudando repetidamente de residência, não o impediu de desenvolver uma atividade intensa, orientada prioritariamente para o combate ao desvio de direita que caracterizara a estratégia do PCP sob a direção de Fogaça.
Pacheco evoca os acontecimentos do ano 60 na perspetiva de historiador. Recorre aliás às Obras Escolhidas para as transcrições de textos de AC.
Essa tentativa de objetividade transparece nas páginas dedicadas à instalação de AC em Moscovo, em 61, ao seu trabalho politico na URSS e à sua vida familiar ali.
Pacheco Pereira, para escrever a sua biografia política de AC, terá tido acesso a documentos desclassificados dos Arquivos Soviéticos. Daí a minucia e o volume da informação sobre os contactos de AC com as mais destacadas personalidades do PCUS. Transcorrido apenas um ano, já era um dos dirigentes comunistas estrangeiros mais respeitados e admirados pela hierarquia do Estado e do partido soviéticos. O Pravda e outros órgãos da imprensa soviética publicavam com frequência artigos seus e a televisão e a radio abriram-lhe as portas.
Utilizando um passaporte checo, pôde visitar as democracias populares do leste europeu, reforçando as relações do PCP com os partidos da RDA, da Polonia, da Hungria, da Bulgária, da Roménia e da Checoslováquia. Em Praga instalou membros influentes do PCP em tarefas internacionalistas.
Fica transparente para os leitores que Pacheco, superando antagonismos ideológicos, sente uma admiração grande por Álvaro Cunhal, pela sua inteligência fulgurante, pela profundidade do seu conhecimento do marxismo–leninismo, pela seriedade no respeito dos compromissos, pelo rigor com que aplicava a teoria à prática, e também pela amplitude da sua cultura humanista, pela sua enorme capacidade de trabalho e uma abertura à arte pouco comum na URSS que naqueles anos acusava ainda a herança pesada do jdanovismo.
O conhecimento dos clássicos do marxismo é identificável no discurso de Pacheco e na sua escrita, diferentes do habitual nos políticos anticomunistas.
Reservado no tocante à sua vida privada, mesmo em conversas com os camaradas mais íntimos, Álvaro Cunhal – refere Pacheco Pereira mais de uma vez - tinha um amor profundo pela filha, Anita, e aproveitava as férias para a visitar na Roménia onde ela vivia com a mãe.
Não é porem surpreendente que os intelectuais da burguesia, incluindo escritores da direita, tenham recebido com entusiasmo este 4º tomo da biografia política de AC.
Essa atitude não seria possível se o autor do livro, em muitos capítulos, não deturpasse acontecimentos políticos importantes, atribuindo a Álvaro Cunhal comportamentos, atitudes e até opiniões incompatíveis com o seu pensamento, caracter e mundividência de comunista.
O confuso capítulo relacionado com conflitos que precederam a instalação em Argel da Frente Portuguesa de Libertação Nacional-FPLN, como prólogo de cisões que golpearam a oposição antifascista, deforma ostensivamente a realidade.
Pacheco não esconde aliás simpatia e antipatia por alguns dos participantes em acontecimentos que envolveram o general Humberto Delgado. Nos capítulos em que aborda o tema do choque URSS-China e os seus reflexos no movimento comunista internacional e a vaga de anti sovietismo que então irrompeu, Pacheco Pereira, que é sempre benevolente nas referências aos ex-comunistas portugueses que posteriormente se deslocaram para a direita (como Silva Marques e o Chico da CUF), concede espaço e atenção a intelectuais camaleónicos como Manuel de Lucena (que anos depois elogiaria os coronéis gregos).
O tom de seriedade que se esforçou por imprimir ao texto é prejudicado por afirmações grotescas como o disparate calunioso de que a PIDE e o KGB trocavam presentes.
Mas é sobretudo no tratamento dos acontecimentos de 1968 na Checoslováquia que Pacheco Pereira abandona a postura de historiador. Deturpa a atitude de Álvaro Cunhal, atribui-lhe hesitações imaginárias perante a grave crise gerada pela entrada na Checoslováquia das tropas do Tratado de Varsóvia, crise que abalou então o movimento comunista internacional e assinalou o início da social-democratização do PCI, do PCF e do PCE. Citando opiniões de gente sem credibilidade, insinua que Álvaro Cunhal sentiu inicialmente muita simpatia por Alexandr Dubcek.
É uma inverdade. Julgo útil recordar que Dubcek, alguns anos apos a desagregação da URSS, quando a Rússia era já uns país capitalista, declarou em entrevista a um jornal francês - de Grenoble, se a memória não me atraiçoa - que nunca se sentiu marxista. Confissão esclarecedora do aventureirismo e da ambição de um político que foi secretário-geral do Partido Comunista da Eslováquia e, depois, do Partido Comunista da Checoslováquia.
Os ataques a Álvaro Cunhal de Flausino Torres e de outros portugueses residentes na Checoslováquia, que na época eram membros do PCP, merecem atenção especial de Pacheco Pereira, que evoca com simpatia a adesão desse grupo à chamada «Primavera de Praga».
Recordo que a incompatibilidade de Dubcek com o socialismo não pôde mais ser negada quando Ota Sik - o seu super ministro da Economia - em conferências em capitais do Ocidente teceu tais elogios ao capitalismo que até John Kenneth Galbraith o denunciou como político reacionário.
A GUERRA COLONIAL
O capítulo sobre a Guerra Colonial e a atitude do PCP perante a luta dos Movimentos de Libertação é aquele em que Pacheco Pereira, independentemente do seu posicionamento, revela, por erros cometidos e omissões, a insuficiência das informações de que dispunha sobre o tema.
Fica óbvio que desconhece o importante papel que as organizações da oposição democrática portuguesa do Brasil desempenharam na luta contra o fascismo, nomeadamente na solidariedade com os movimentos de libertação africanos.
Faz uma referência breve ao jornal Portugal Democrático e lembra que foi no Brasil que a A Questão Agrária em Portugal foi editada pela primeira vez. Cita com frequência a luta dos exilados portugueses em França e noutros países, mas ignora a dimensão do combate da diáspora portuguesa antifascista do Brasil.
Sem consulta à coleção do Portugal Democrático – unitário, mas dirigido por um coletivo de comunistas - não é possível avaliar o significado e importância desse trabalho. O jornal foi durante anos o polo aglutinador da resistência da oposição antifascista em diferentes países da América, do Canadá à Argentina.
A edição da Resistência em Portugal, da Questão Agrária em Portugal, de Angola Cinco Seculos de Colonização Portuguesa, (de Américo Boavida), A Guerra em Angola (de Mário Moutinho de Pádua) partiu de iniciativas da organização do PCP em São Paulo, coordenadas com o Comité Central do Partido. Centenas de exemplares desses livros foram introduzidos clandestinamente em Portugal.
Uma dessas iniciativas alcançou repercussão mundial: o Memorando que as organizações de seis países do Continente Americano enviavam todos os anos à Assembleia Geral da ONU, denunciando os crimes do fascismo e exigindo o fim da guerra colonial.
Tendo, inicialmente, como primeiros signatários o general Humberto Delgado e Rui Luis Gomes, esse Documento, era reproduzido por grandes jornais da América. Incomodava tanto o fascismo que o embaixador de Salazar em Washington promoveu uma conferência de imprensa no Waldorf Astoria de Nova York para tentar responder ao memorando.
Álvaro Cunhal acompanhou sempre todas essas iniciativas.
Contrariamente ao que aconteceu em França, na Itália, e noutros países da Europa Ocidental, o Portugal Democrático e a Unidade Democrática Portuguesa, organização que desempenhou um papel importante na divulgação de documentos sobre a guerra colonial e lutas em Portugal, permaneceram imunes ao vírus do esquerdismo.
Na oposição portuguesa surgiram como era inevitável problemas e conflitos pessoais, mais notórios apos a chegada ao Brasil de Humberto Delgado e Henrique Galvão, mas não resultaram de tensões no Movimento Comunista Internacional. O Partido Comunista do Brasil, inicialmente maoista, e as organizações brasileiras que preconizavam a luta armada, sob a forma da guerrilha rural ou da guerrilha urbana, não conquistaram adeptos entre os antifascistas portugueses. As clivagens que afetaram a unidade de ação tiveram motivações diferentes. A queda de Salazar da cadeira e o advento de Marcelo Caetano contribuíram para que se distanciassem do núcleo do Portugal Democrático, recusando participar em ações unitárias com o PCP, entre outras personalidades, o comandante Sarmento Pimental e os jornalistas Vitor da Cunha Rego e Paulo de Castro. O marcelismo foi uma fonte de ilusões e o discurso de Mário Soares nas suas visitas a São Paulo atraiu para o Partido Socialista exilados seduzidos pela chamada democracia representativa. Mas não houve agressividade, nem criticas ao PCP nesse distanciamento.
A INDEFINIÇAO ATUAL DE PACHECO PEREIRA
Os reparos críticos ao livro de Pacheco Pereira não afetam a minha convicção de que este 4º tomo da sua ambiciosa biografia do dirigente comunista reflete uma evolução positiva da sua posição perante o PCP. Creio que a mudança resultou do fascínio que sobre ele exerce Álvaro Cunhal, numa estranha relação amor-ódio.
Registo que, não obstante erros, deturpações, omissões, juízos de pessoas e análises (para mim inaceitáveis) de acontecimentos históricos – Pacheco Pereira realizou um importante trabalho de investigação, sem precedentes no tocante ao tema.
Sou levado a uma conclusão de cariz especulativo. O seu absorvente interesse pela vida, personalidade e obra de Álvaro Cunhal terá contribuído para um distanciamento progressivo do ideário que durante anos o fez porta-voz no PSD de uma estratégia contra revolucionária.
Pacheco Pereira não abdicou de uma postura anticomunista, da sua tolerância perante o imperialismo, e de um anti sovietismo exacerbado. Mas, a sua incompatibilidade com a política reacionária do PSD, a sua reflexão sobre a obra devastadora de Passos, Portas, Maria Luis e quejandos, e as consequências trágicas da «austeridade», empurraram-no gradualmente para críticas lucidas e cada vez mais profundas ao calamitoso desgoverno que estava a destruir o pais.
Os seus artigos em jornais e revistas, as suas entrevistas e intervenções em mesas redondas da TV são hoje globalmente positivos.
Não está próximo de uma rutura com o sistema. Mas contempla-o agora com um olhar muito diferente. Como historiador e académico.
Não sinto a tentação de prever o rumo de José Pacheco Pereira.
O político e o intelectual aparecem-me como imprevisíveis pelas suas contradições e indefinições.
Tive o privilégio de trabalhar com Álvaro Cunhal durante uma dúzia de anos. O livro de Pacheco Pereira, apesar do muito de que discordo, contribuiu para aumentar a minha admiração pelo comunista e pelo homem.
Miguel Urbano Rodrigues