«Álvaro Cunhal é uma personalidade marcante, em Portugal e no mundo

sexta-feira, 25 de março de 2016

Álvaro Cunhal e a Arte



Óleo sobre platex, 96X168cm

"Beleza é um critério e um juizo humano. Desaparecido o sujeito que tem tal critério ou formula tal juizo, o mundo poderia ficar tal qual é, mas como afirmar que, sem o homem, continuaria a ser belo? Belo para quem?"

A.C. em A arte, o artista e a sociedade.
“publicado por divagares”

domingo, 17 de janeiro de 2016

Apontamento sobre a metamorfose de Pacheco Pereira - Miguel Urbano Rodrigues



Apontamento sobre a metamorfose de Pacheco Pereira

O 4º tomo da biografia política de Álvaro Cunhal é, como os anteriores, uma obra semeada de contradições. É entretanto indiscutível que Pacheco Pereira realizou um importante trabalho de investigação, sem precedentes no tocante ao tema. Contém erros, deturpações, omissões, juízos de pessoas e análises (para mim inaceitáveis) de acontecimentos históricos. Umas vezes por atribuir crédito a fontes que o não justificam, outras por insuficiente ou deficiente informação, como sucede nomeadamente com a posição do PCP face à guerra colonial e o muito importante trabalho político desenvolvido pelos antifascistas exilados no Brasil.
O 4º tomo da obra biográfica que Pacheco Pereira dedicou a Álvaro Cunhal recebeu da intelectualidade burguesa um coro de elogios muito superior ao que ela dispensara aos anteriores.
Uma nota prévia sobre o autor.
Conheci- o em casa de Manuel Sertório, em 1975. Apresentou-o como um estudioso do marxismo muito talentoso. Estava ligado a uma organização maoista, o PCPML, e era ainda quase desconhecido fora do Porto.
Reencontrei-o quinze anos depois na Assembleia da Republica como líder da bancada do PSD. Tinha trocado o maoismo pelo partido de Sá Carneiro no qual ascendeu rapidamente como estrela. Muitas das suas intervenções destilavam anticomunismo.
A sua metamorfose fora rápida e complexa. O admirador de Mao, Marx, Lenin e Ho Chi Minh tinha aderido no final dos anos 80 ao PSD e assumira como seu deputado a defesa e apologia do liberalismo rotulado de social-democracia. Mas não era, ao contrário de outros companheiros da sua bancada, um parlamentar truculento.
Na Assembleia da Republica, mantivemos relações frias, mas corteses. Recordo que, para surpresa minha, contribuiu para viabilizar a ida a Cuba de uma delegação multipartidária da Assembleia que foi a primeira de um parlamento europeu a visitar a Ilha revolucionária.
Nos últimos anos, apos ter regressado a Portugal – depois de renunciar ao seu mandato de deputado no Parlamento Europeu - passou a criticar com dureza o governo de Passos Coelho-Portas, condenando como negativa a sua política de austeridade. Mas permanece no PSD como militante.
É dos intelectuais da direita que conheço o mais inteligente e culto.
CONTRADIÇÕES.
O 4º tomo da biografia política de Álvaro Cunhal é, como os anteriores, uma obra semeada de contradições, algumas de compreensão difícil.
Os primeiros capítulos incidem sobre o esforço de AC para reorganizar o Partido apos a fuga de Peniche. A clandestinidade rigorosa em que viveu, mudando repetidamente de residência, não o impediu de desenvolver uma atividade intensa, orientada prioritariamente para o combate ao desvio de direita que caracterizara a estratégia do PCP sob a direção de Fogaça.
Pacheco evoca os acontecimentos do ano 60 na perspetiva de historiador. Recorre aliás às Obras Escolhidas para as transcrições de textos de AC.
Essa tentativa de objetividade transparece nas páginas dedicadas à instalação de AC em Moscovo, em 61, ao seu trabalho politico na URSS e à sua vida familiar ali.
Pacheco Pereira, para escrever a sua biografia política de AC, terá tido acesso a documentos desclassificados dos Arquivos Soviéticos. Daí a minucia e o volume da informação sobre os contactos de AC com as mais destacadas personalidades do PCUS. Transcorrido apenas um ano, já era um dos dirigentes comunistas estrangeiros mais respeitados e admirados pela hierarquia do Estado e do partido soviéticos. O Pravda e outros órgãos da imprensa soviética publicavam com frequência artigos seus e a televisão e a radio abriram-lhe as portas.
Utilizando um passaporte checo, pôde visitar as democracias populares do leste europeu, reforçando as relações do PCP com os partidos da RDA, da Polonia, da Hungria, da Bulgária, da Roménia e da Checoslováquia. Em Praga instalou membros influentes do PCP em tarefas internacionalistas.
Fica transparente para os leitores que Pacheco, superando antagonismos ideológicos, sente uma admiração grande por Álvaro Cunhal, pela sua inteligência fulgurante, pela profundidade do seu conhecimento do marxismo–leninismo, pela seriedade no respeito dos compromissos, pelo rigor com que aplicava a teoria à prática, e também pela amplitude da sua cultura humanista, pela sua enorme capacidade de trabalho e uma abertura à arte pouco comum na URSS que naqueles anos acusava ainda a herança pesada do jdanovismo.
O conhecimento dos clássicos do marxismo é identificável no discurso de Pacheco e na sua escrita, diferentes do habitual nos políticos anticomunistas.
Reservado no tocante à sua vida privada, mesmo em conversas com os camaradas mais íntimos, Álvaro Cunhal – refere Pacheco Pereira mais de uma vez - tinha um amor profundo pela filha, Anita, e aproveitava as férias para a visitar na Roménia onde ela vivia com a mãe.
Não é porem surpreendente que os intelectuais da burguesia, incluindo escritores da direita, tenham recebido com entusiasmo este 4º tomo da biografia política de AC.
Essa atitude não seria possível se o autor do livro, em muitos capítulos, não deturpasse acontecimentos políticos importantes, atribuindo a Álvaro Cunhal comportamentos, atitudes e até opiniões incompatíveis com o seu pensamento, caracter e mundividência de comunista.
O confuso capítulo relacionado com conflitos que precederam a instalação em Argel da Frente Portuguesa de Libertação Nacional-FPLN, como prólogo de cisões que golpearam a oposição antifascista, deforma ostensivamente a realidade.
Pacheco não esconde aliás simpatia e antipatia por alguns dos participantes em acontecimentos que envolveram o general Humberto Delgado. Nos capítulos em que aborda o tema do choque URSS-China e os seus reflexos no movimento comunista internacional e a vaga de anti sovietismo que então irrompeu, Pacheco Pereira, que é sempre benevolente nas referências aos ex-comunistas portugueses que posteriormente se deslocaram para a direita (como Silva Marques e o Chico da CUF), concede espaço e atenção a intelectuais camaleónicos como Manuel de Lucena (que anos depois elogiaria os coronéis gregos).
O tom de seriedade que se esforçou por imprimir ao texto é prejudicado por afirmações grotescas como o disparate calunioso de que a PIDE e o KGB trocavam presentes.
Mas é sobretudo no tratamento dos acontecimentos de 1968 na Checoslováquia que Pacheco Pereira abandona a postura de historiador. Deturpa a atitude de Álvaro Cunhal, atribui-lhe hesitações imaginárias perante a grave crise gerada pela entrada na Checoslováquia das tropas do Tratado de Varsóvia, crise que abalou então o movimento comunista internacional e assinalou o início da social-democratização do PCI, do PCF e do PCE. Citando opiniões de gente sem credibilidade, insinua que Álvaro Cunhal sentiu inicialmente muita simpatia por Alexandr Dubcek.
É uma inverdade. Julgo útil recordar que Dubcek, alguns anos apos a desagregação da URSS, quando a Rússia era já uns país capitalista, declarou em entrevista a um jornal francês - de Grenoble, se a memória não me atraiçoa - que nunca se sentiu marxista. Confissão esclarecedora do aventureirismo e da ambição de um político que foi secretário-geral do Partido Comunista da Eslováquia e, depois, do Partido Comunista da Checoslováquia.
Os ataques a Álvaro Cunhal de Flausino Torres e de outros portugueses residentes na Checoslováquia, que na época eram membros do PCP, merecem atenção especial de Pacheco Pereira, que evoca com simpatia a adesão desse grupo à chamada «Primavera de Praga».
Recordo que a incompatibilidade de Dubcek com o socialismo não pôde mais ser negada quando Ota Sik - o seu super ministro da Economia - em conferências em capitais do Ocidente teceu tais elogios ao capitalismo que até John Kenneth Galbraith o denunciou como político reacionário.
A GUERRA COLONIAL
O capítulo sobre a Guerra Colonial e a atitude do PCP perante a luta dos Movimentos de Libertação é aquele em que Pacheco Pereira, independentemente do seu posicionamento, revela, por erros cometidos e omissões, a insuficiência das informações de que dispunha sobre o tema.
Fica óbvio que desconhece o importante papel que as organizações da oposição democrática portuguesa do Brasil desempenharam na luta contra o fascismo, nomeadamente na solidariedade com os movimentos de libertação africanos.
Faz uma referência breve ao jornal Portugal Democrático e lembra que foi no Brasil que a A Questão Agrária em Portugal foi editada pela primeira vez. Cita com frequência a luta dos exilados portugueses em França e noutros países, mas ignora a dimensão do combate da diáspora portuguesa antifascista do Brasil.
Sem consulta à coleção do Portugal Democrático – unitário, mas dirigido por um coletivo de comunistas - não é possível avaliar o significado e importância desse trabalho. O jornal foi durante anos o polo aglutinador da resistência da oposição antifascista em diferentes países da América, do Canadá à Argentina.
A edição da Resistência em Portugal, da Questão Agrária em Portugal, de Angola Cinco Seculos de Colonização Portuguesa, (de Américo Boavida), A Guerra em Angola (de Mário Moutinho de Pádua) partiu de iniciativas da organização do PCP em São Paulo, coordenadas com o Comité Central do Partido. Centenas de exemplares desses livros foram introduzidos clandestinamente em Portugal.
Uma dessas iniciativas alcançou repercussão mundial: o Memorando que as organizações de seis países do Continente Americano enviavam todos os anos à Assembleia Geral da ONU, denunciando os crimes do fascismo e exigindo o fim da guerra colonial.
Tendo, inicialmente, como primeiros signatários o general Humberto Delgado e Rui Luis Gomes, esse Documento, era reproduzido por grandes jornais da América. Incomodava tanto o fascismo que o embaixador de Salazar em Washington promoveu uma conferência de imprensa no Waldorf Astoria de Nova York para tentar responder ao memorando.
Álvaro Cunhal acompanhou sempre todas essas iniciativas.
Contrariamente ao que aconteceu em França, na Itália, e noutros países da Europa Ocidental, o Portugal Democrático e a Unidade Democrática Portuguesa, organização que desempenhou um papel importante na divulgação de documentos sobre a guerra colonial e lutas em Portugal, permaneceram imunes ao vírus do esquerdismo.
Na oposição portuguesa surgiram como era inevitável problemas e conflitos pessoais, mais notórios apos a chegada ao Brasil de Humberto Delgado e Henrique Galvão, mas não resultaram de tensões no Movimento Comunista Internacional. O Partido Comunista do Brasil, inicialmente maoista, e as organizações brasileiras que preconizavam a luta armada, sob a forma da guerrilha rural ou da guerrilha urbana, não conquistaram adeptos entre os antifascistas portugueses. As clivagens que afetaram a unidade de ação tiveram motivações diferentes. A queda de Salazar da cadeira e o advento de Marcelo Caetano contribuíram para que se distanciassem do núcleo do Portugal Democrático, recusando participar em ações unitárias com o PCP, entre outras personalidades, o comandante Sarmento Pimental e os jornalistas Vitor da Cunha Rego e Paulo de Castro. O marcelismo foi uma fonte de ilusões e o discurso de Mário Soares nas suas visitas a São Paulo atraiu para o Partido Socialista exilados seduzidos pela chamada democracia representativa. Mas não houve agressividade, nem criticas ao PCP nesse distanciamento.
A INDEFINIÇAO ATUAL DE PACHECO PEREIRA
Os reparos críticos ao livro de Pacheco Pereira não afetam a minha convicção de que este 4º tomo da sua ambiciosa biografia do dirigente comunista reflete uma evolução positiva da sua posição perante o PCP. Creio que a mudança resultou do fascínio que sobre ele exerce Álvaro Cunhal, numa estranha relação amor-ódio.
Registo que, não obstante erros, deturpações, omissões, juízos de pessoas e análises (para mim inaceitáveis) de acontecimentos históricos – Pacheco Pereira realizou um importante trabalho de investigação, sem precedentes no tocante ao tema.
Sou levado a uma conclusão de cariz especulativo. O seu absorvente interesse pela vida, personalidade e obra de Álvaro Cunhal terá contribuído para um distanciamento progressivo do ideário que durante anos o fez porta-voz no PSD de uma estratégia contra revolucionária.
Pacheco Pereira não abdicou de uma postura anticomunista, da sua tolerância perante o imperialismo, e de um anti sovietismo exacerbado. Mas, a sua incompatibilidade com a política reacionária do PSD, a sua reflexão sobre a obra devastadora de Passos, Portas, Maria Luis e quejandos, e as consequências trágicas da «austeridade», empurraram-no gradualmente para críticas lucidas e cada vez mais profundas ao calamitoso desgoverno que estava a destruir o pais.
Os seus artigos em jornais e revistas, as suas entrevistas e intervenções em mesas redondas da TV são hoje globalmente positivos.
Não está próximo de uma rutura com o sistema. Mas contempla-o agora com um olhar muito diferente. Como historiador e académico.
Não sinto a tentação de prever o rumo de José Pacheco Pereira.
O político e o intelectual aparecem-me como imprevisíveis pelas suas contradições e indefinições.
Tive o privilégio de trabalhar com Álvaro Cunhal durante uma dúzia de anos. O livro de Pacheco Pereira, apesar do muito de que discordo, contribuiu para aumentar a minha admiração pelo comunista e pelo homem.
Miguel Urbano Rodrigues

domingo, 3 de janeiro de 2016

"3 de janeiro de 1960"

3-1-2016  Por Joaquim Gomes



Álvaro Cunhal e a fuga para a liberdade

Passam hoje exatamente 56 anos desde que Álvaro Cunhal praticou aquela que pode ser considerada como a mais mediática fuga que ocorreu numa prisão portuguesa.
Pelo regime repressivo que vigorava em Portugal, pela prisão de alta segurança onde se encontrava, pela descredibilização crescente do regime ditatorial e pelo protagonismo de Álvaro Cunhal, esta fuga abalou os alicerces bem sólidos do Estado Novo e abriu brechas no seu rigoroso mecanismo de controlo da sociedade, que culminou com a sua queda, 14 anos depois (1974).

Ao longo dos últimos 100 anos, foram vários os políticos que se destacaram em Portugal, mas foram, apenas, quatro os que mais mérito demonstraram e se destacaram pela sua ímpar qualidade e destreza política. Quatro nomes que marcaram a sua época, que marcaram várias gerações, e que perdurarão por décadas, séculos, nos registos mais destacados da nossa história. Refiro-me a Oliveira Salazar, a Mário Soares, a Francisco Sá Carneiro e a Álvaro Cunhal.
Um desses protagonistas, Álvaro Cunhal, teve um dos seus grandes momentos no dia 3 de janeiro de 1960, há exatamente 56 anos. Pelo brilhantismo da sua ação e pelo que representa na nossa história, merece hoje aqui ser recordado.
O regime que vigorava em Portugal, nesse ano de 1960, era o Estado Novo. Era um regime que dominava o país desde 1933 (Constituição), mas cujos contornos ditatoriais já vinham desde 1928, quando Salazar tinha assumido a pasta de Ministro das Finanças, até 1932, seguindo-se um ano como presidente do Ministério (1932 e 1933) e depois como presidente do Conselho de Ministros, entre 1933 e 1968.
Durante todo este período, Oliveira Salazar rodeou-se de um sistema de base repressiva, que o ajudou a manter-se no governo durante todo este tempo. Na altura, todos os que se opusessem aos seus ideais e às suas decisões políticas sofreriam, e de forma brutal. Uma dessas vítimas foi Álvaro Cunhal.

Forte opositor ao Estado Novo, Álvaro Cunhal acabou preso durante 15 anos, em 1937, em 1940, e entre 1949-1960. Durante oito anos ficou em total isolamento tendo, nessa ocasião, aproveitado para desenvolver as suas brilhantes qualidades de artista e escritor.
A chamada Fuga de Peniche faz hoje 56 anos e foi a consequência da tortura a que Álvaro Cunhal foi sujeito pela oposição que desencadeou ao regime salazarista - tendo ocorrido nessa prisão de alta-segurança. Em conjunto com outros colegas, também ligados ao Partido Comunista Português, deu-se a célebre fuga da prisão, que causou espanto em todo o país, pese o facto de o regime de então limitar muito as informações dadas aos portugueses e censurar, eficazmente, a comunicação social.

Nesta evasão estiveram envolvidos os “dez de Peniche”, compostos por Álvaro Cunhal, Carlos Costa, Francisco Martins Rodrigues, Francisco Miguel, Guilherme da Costa Carvalho, Jaime Serra, Joaquim Gomes, José Carlos, Pedro Soares e Rogério de Carvalho.
A fuga assombrou os meios políticos e policiais portugueses, tal era a segurança que envolvia essa prisão. Ao final do dia de 3 de janeiro, um automóvel estacionou mesmo em frente à prisão e, de seguida, foi neutralizado o guarda de serviço, através de uma anestesia.


Com a ajuda de um sentinela, Álvaro Cunhal e os seus companheiros percorreram várias divisões da prisão, sem serem notados pelos diferentes guardas. Consequentemente, desceram a muralha do forte através de uns lençóis atados uns aos outros até alcançarem o exterior da prisão. Quando chegaram a Peniche, encontravam-se já vários automóveis, que os levaram para diferentes locais.

Deste modo, estava consumada aquela que acabaria por se tornar numa das mais espetaculares fugas da prisão que ocorreu no nosso país e até mesmo a nível internacional, tal foi o simbolismo que a mesma causou com a afronta ao regime sólido de Oliveira Salazar.

Recorde-se que a prisão Fortaleza de Peniche foi uma prisão de alta segurança que funcionou durante o Estado Novo. Por ela passaram 2487 presos, que sofreram amarguras e torturas, muitas delas de difícil relato! A violência desta prisão (que fazia lembrar o célebre “Rochedo”, a prisão de alta segurança norte americana) era do conhecimento da população, que não hesitava em ajudar alguns familiares desses presos, que lá se deslocavam, concedendo-lhes ajuda alimentar e alojamento, muitas vezes gratuito, tal era a miséria e o sofrimento que então se vivia.

No início de 2016, nada melhor do que recordar um dos acontecimentos marcantes da nossa história recente, para que todos possamos aprender com o passado e contribuirmos para uma sociedade mais justa e livre de opressões, sejam elas políticas, sejam sociais ou sejam as atuais económicas e financeiras.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

A Arte, o Artista e a Sociedade

Registo videográfico efetuado em Coimbra da apresentação realizada na Faculdade de Letras, do livro "A Arte, o Artista e a Sociedade" de Alvaro Cunhal no ano de 1997..

Um registo com 18 anos, que no mundo frenético em que vivemos, me parece uma eternidade.Registo videográfico efetuado em Coimbra da apresentação realizada na Faculdade de Letras, do livro "A Arte, o Artista e a Sociedade" de Alvaro Cunhal no ano de 1997..De minha parte, coloco este registo sem propósito politico ideológico, apenas, a vontade de partilhar a memória de um momento.

Publicado por Antonio Manuel Ramires em Terça-feira, 29 de Dezembro de 2015

sábado, 12 de dezembro de 2015

Eugénia Cunhal


Faleceu na passada quinta feira, 10 de dezembro, aos 88 anos,  Maria Eugénia Cunhal, militante comunista, com uma vida dedicada à luta contra o fascismo, pela liberdade, contra a exploração capitalista, pela democracia, pela paz, o socialismo e o comunismo.
Nascida a 17 de Janeiro de 1927 em Lisboa, foi professora de inglês, tradutora, jornalista e escritora, filha de Mercedes e Avelino Cunhal, e irmã de Álvaro Cunhal, desde sempre conviveu com a luta antifascista e com os ideais da liberdade e da democracia, cedo conheceu a realidade da repressão fascista, com apenas dez anos visita o seu irmão Álvaro Cunhal na prisão.
Maria Eugénia Cunhal foi presa pela PIDE com 18 anos, e foi várias vezes detida para interrogatórios, quando o seu irmão Álvaro Cunhal se encontrava na clandestinidade.
Quando questionada sobre quando abraçou o ideal comunista, respondeu “É difícil dizer. Porque, no fundo, acho que sempre fui comunista, desde que tenho cabeça para pensar. Mas muito cedo, a minha opção foi tomada muito cedo, sem dúvida nenhuma.”
Maria Eugénia Cunhal é autora das obras O Silêncio do Vidro (1962), a História de Um Condenado à Morte (1983), As Mãos e o Gesto (2000), Relva Verde Para Cláudio (2003) e Escrita de Esferográfica (2008).
Publicou entre 1947 e 1951, na revista Vértice, vários poemas com o pseudónimo de «Maria André».
Fez a primeira tradução portuguesa dos contos de Tchekov, Os Tzibukine (1963).
Actualmente estava organizada no Sector Intelectual-Artes e Letras da Organização Regional de Lisboa do PCP.
Modesta, discreta, dedicada, fraterna, Maria Eugénia Cunhal deixa-nos o seu exemplo de verticalidade e firmeza de carácter, o amor aos outros, o interesse pelo ser humano, contra a exploração, contra a desigualdade.
Adaptado da nota do Secretariado do Comité Central do PCP
Em julho de 2013, publicámos aqui uma entrevista com Eugénia Cunhal