«Álvaro Cunhal é uma personalidade marcante, em Portugal e no mundo

segunda-feira, 4 de março de 2013

ELOGIO DA TERCEIRA COISA - Manuel Gusmão



(ver 1 - uma chama não se prende - aqui 
e ver 2 - ao encontro do encontro - aqui)

3. ELOGIO DA TERCEIRA COISA

entre mim e ti há a terceira coisa
aquela que nos põe ao alcance da mão
os nomes todos das coisas e as coisas sem nome

quando a multidão sagrada dos pronomes pessoais nos
permite dizer nós contra o tempo e o vento
Nós que aos cinco sentidos acrescentamos os outros

Nós a sensibilidade que imagina o comum

quando uma multidão deixa de ser
um rebanho de escravos para começar a ser
uma assembleia de humanos livres

de no chão da terra discutimos o que fazer
pelas mãos em concha bebemos a água
onde a luz do sol cintila irisando-a

Nós que para além de ti e de mim somos
a terceira coisa o fantasma o espectro
que lhes continua a assolar o mundo
a terceira coisa: a promessa sem garantias
a invenção do incomum que partilha o comum
o comunismo que vem connosco
e para além de nós recomeça a contar

Manuel Gusmão
de Três curtos discursos em homenagem póstuma a Álvaro Cunhal”

1 comentário:

  1. Gostei do poema,mas tive de o ler duas vezes.Vou jâ copiâ-lo.

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