«Álvaro Cunhal é uma personalidade marcante, em Portugal e no mundo

domingo, 26 de maio de 2013

Aprender, aprender sempre

A consigna de Lenine deve ser (e é!, mesmo que o sujeito isso desconheça) de prática permanente e consciente.
Aprender, aprender sempre… aprende-se, sempre. Embora haja momentos e circunstâncias em que mais se aprende. Sempre.
A assinalação do centenário de Álvaro Cunhal tem provocado momentos desses e circunstâncias dessas.
Cada um/a terá as suas experiências.
Pelo meu lado, além de outros momentos e de outras circunstâncias, a leitura (nalguns casos, releitura) de trechos nas Obras Escolhidas tem sido uma aprendizagem, um treino, um exercício, um prazer, um sofrimento, dependendo das obras escolhidas.
Os “Documentos da Cadeia Penitenciária de Lisboa” (páginas 109 a 228 do Tomo II – 1947-1964) são documentos impressionantes de resistência pessoal, de luta quotidiana, exemplos de contenção e firmeza.
Já conhecendo o CD-Rom Cadernos da prisão,
a sua leitura em papel oferece outra… leitura. E transcrição.
A grande dificuldade, que decerto – e muito maior e bem mais responsável – confrontou quem teve a tarefa de “escolher as obras escolhidas”, está na selecção de tudo o que convida (ou convoca) a ser transcrito.
São verdadeiras lições de luta sem tréguas, quotidiana, coerente e sempre conciliando dignidade com correcção para com o outro (mesmo sendo o outro o carcereiro em prisão do fascismo).
O que ainda mais impressiona é que, além dessa luta quotidiana, do estudo e produção constantes, Álvaro Cunhal tenha conseguido manter contactos com o Partido –por meios que nem se conseguem imaginar, dado o apertadíssimo controlo e vigilância –, como o provam duas cartas desse período (uma de 1952, outra de 1954, com uma “Nota sobre o programa do PCP” ). Na primeira, Álvaro Cunhal começa por dizer aos “queridos camaradas” não poder “ir além de pontos dispersos abordados ligeiramente pois para mais não nos encontramos preparados”!
E esses pontos dispersos estão arrumados por 1. Defesa da repressão. 2. Novas perspectivas, 3. Sectarismo e oportunismo, 4. Imprensa do Partido, 5. Atitude ante a polícia, 6. “Política de transição”, 7. Estímulo aos camaradas presos.
Em cada um destes pontos muito se aprenderia, e muito se aprende… e ficaria tempos perdidos ganhos a ler e a transcrever. Deixo uma nota curiosa sobre a imprensa do Partido:

«… Apenas três objecções:

1.     – papel demasiado grosso o que, com as 6 páginas do Avante!, deve criar dificuldades conspirativas de transporte;
2.     – tipo demasiado pequeno e impressão pouco nítida;
3.     – frequentes e graves erros tipográficos.
Os camaradas certamente notaram já e procuram eliminar na medida do possível estas deficiências. Em relação à última aqui se faz entretanto uma sugestão prática: que cada tipografia do Partido seja equipada com um Prontuário Ortográfico e que seja colocada a tarefa aos camaradas compositores de aprenderem a escrever correctamente o português.»

Mais excertos procurarei transcrever.

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