«Álvaro Cunhal é uma
sábado, 29 de junho de 2013
sexta-feira, 28 de junho de 2013
TROFA
Câmara Municipal de TROFA comemora centenário de Álvaro Cunhal
com apresentação de obra do autor a 28 de junho
No ano em que se comemora o Centenário de Nascimento de Álvaro Cunhal, a Câmara Municipal da Trofa associa-se a esta data, promovendo uma iniciativa alusiva a esta personalidade que marcou uma época no país.
Nesta linha, a Casa da Cultura da Trofa é palco, no próximo dia 28 de junho, pelas 21h30 da apresentação do “IV Tomo das Obras escolhidas de Álvaro Cunhal”.
Finda a apresentação segue-se um debate sobre a obra artística e literária de Álvaro Cunhal que contará com a participação de Francisco Melo, diretor da Editorial Avante.
Álvaro Cunhal nasceu a 10 de novembro de 1913 em Coimbra, tendo passado parte da sua infância em Seia, mudando-se depois para Lisboa, onde estudou no Liceu Pedro Nunes e depois no Liceu Camões.
Desde cedo que esteve ligado ao mundo da política com uma intervenção ativa na ação política, na atividade cultural e artística, confiante no projeto comunista.
Álvaro Cunhal morreu aos 92 anos, no dia 13 de junho de 2005.
A Autarquia Trofense convida assim, a população a marcar presença na Casa da Cultura, participando ativamente neste debate onde as várias obras de Cunhal estarão em debate.
Promovida pela Câmara Municipal da Trofa, esta iniciativa conta como o apoio da Comissão das Comemorações do Centenário do Nascimento de Álvaro Cunhal.
Para mais informações:
Câmara Municipal da Trofa
Casa da Cultura da Trofa
Avenida D. Diogo Mourato
Lagoa – Santiago de Bougado
4785-580 Trofa
Telefone| 252 400 090
e-mail| cct@mun-trofa.pt
Horário: segunda-feira a sábado das 10h00 às 18h00
segunda-feira, 24 de junho de 2013
OVAR
24 de Junho de 2013
Casa cheia na sessão inaugurativa da exposição evocativa de Álvaro Cunhal
O salão da Biblioteca Municipal de Ovar
foi pequeno para acolher a deslumbrante enchente de pessoas que
acorreram a assistir à Sessão Inaugurativa da Exposição Evocativa de
Álvaro Cunhal, por ocasião das comemorações do seu centenário. O evento
teve como convidados especiais o Grupo de Coral de Professores, bem como
a presença de Carlos Gonçalves, membro da Comissão Política do Comité
Central do PCP.
A sessão iniciou-se com o visionamento
de um documentário sobre a vida e obra de Álvaro Cunhal, com uma breve
síntese da sua vida, do seu papel no pensamento do movimento comunista -
reconhecido a nível internacional, na avaliação certeira da situação do
país e das vias para a derrota do fascismo, no crescimento do PCP para
um grande partido nacional, na Revolução de Abril e efectivação das suas
conquistas, no combate à deriva ideológica aquando das derrotas do
socialismo, na denúncia dos verdadeiros objectivos da UE e da moeda
única, apenas para citar alguns exemplos.
Álvaro Cunhal deu o melhor da sua vida à
causa comunista, causa que lhe valeu perseguições, prisões e torturas,
tendo permanecido 11 anos seguidos nas cadeias fascistas, 8 dos quais em
completo isolamento. Fugiu de forma extraordinária, não para abandonar a
luta, mas para a continuar de novo, numa grande prova de coragem e
compromisso com a luta do trabalhadores e do povo português - ideal que o
guiou ao longo de toda a sua impressionante vida.
No entanto, Álvaro Cunhal não foi apenas
um político excepcional, um intelectual certeiro ou um homem de fibra,
mas também um homem profundamente dedicado às artes. Destacou-se nas
artes plásticas, realçando-se os seus "desenhos da prisão", desenhados
nas duras condições de isolamento, Destacou-se na literatura, de onde
emergem as suas obras "Até amanhã camaradas", "Cinco dias e cinco
noites" e a tradução para português d'«O Rei Lear», de William
Shakespeare, entre outras. Destacou-se na reflexão artística, de que é
exemplo o seu ensaio sobre estética «A Arte, o Artista e a Sociedade».
Seguiu-se a actuação do Coral de Professores, sob a direcção do Maestro Guilhermino Monteiro. Numa actuação memorável que soube com naturalidade cativar e envolver o público, cantou-se Zeca Afonso e as Canções Heróicas de Fernando Lopes Graça. A actuação terminou com o épico "Acordai", obra intemporal deste compositor e militante comunista. Após os aplausos que se estenderam por largos minutos, Manuela Mourão e Renata Costa procederam à oferta, em nome do PCP e em jeito de agradecimento, de um desenho de Álvaro Cunhal a cada um dos professores, bem como aos representantes da Câmara Municipal e da Biblioteca Municipal.
Seguiu-se a actuação do Coral de Professores, sob a direcção do Maestro Guilhermino Monteiro. Numa actuação memorável que soube com naturalidade cativar e envolver o público, cantou-se Zeca Afonso e as Canções Heróicas de Fernando Lopes Graça. A actuação terminou com o épico "Acordai", obra intemporal deste compositor e militante comunista. Após os aplausos que se estenderam por largos minutos, Manuela Mourão e Renata Costa procederam à oferta, em nome do PCP e em jeito de agradecimento, de um desenho de Álvaro Cunhal a cada um dos professores, bem como aos representantes da Câmara Municipal e da Biblioteca Municipal.
A intervenção final ficou a cargo de
Carlos Gonçalves, membro da Comissão Política, que fez um breve resumo
da vida de Álvaro Cunhal, em todas as suas facetas - político,
intelectual, artista - bem como da actualidade do seu pensamento, nas
suas linhas essenciais, na compreensão do carácter predatório do
capitalismo e da necessidade da sua superação pela via do socialismo.
Vivemos tempos em que a esmagadora maioria do povo português sofre uma
gigantesca extorsão por via de um Estado que não é mais do que a
comissão gestora do grande capital, financeiro ou não. Em que as grandes
opções políticas e económicas são tomadas em benefício de um punhado de
grupos económicos e não do bem-estar do povo e do desenvolvimento do
país. Em que - tal como o PCP sempre afirmou - a perda de democracia
económica implica uma perda de democracia social, cultural e até
política, visível na fascização progressiva do discurso e métodos do
actual governo. E em que, dia após dia, se torna cada vez mais premente e
mais urgente o derrube deste governo de desastre nacional, que
enfrentará, já no próximo dia 27, os trabalhadores numa nova greve
geral.
"Exemplo que se projecta na actualidade e no futuro" - é este o título da exposição de Álvaro Cunhal que continuará disponível até ao dia 29 de Junho, no átrio da Biblioteca Municipal de Ovar. Uma exposição aberta a todos, que pretende espelhar não uma visão passadista da vida deste dirigente comunista, mas um exemplo de uma fascinante vida de luta abnegada que interessa a todos aqueles que - comunistas e não comunistas - lutam hoje por um futuro melhor para todos, por um Portugal justo e soberano no dia de amanhã.
A Comissão Concelhia de Ovar do PCP agradece sinceramente a presença de todos os convidados e entidades no evento, bem como de todos aqueles que, não podendo vir, enviaram uma mensagem de saudação.
"Exemplo que se projecta na actualidade e no futuro" - é este o título da exposição de Álvaro Cunhal que continuará disponível até ao dia 29 de Junho, no átrio da Biblioteca Municipal de Ovar. Uma exposição aberta a todos, que pretende espelhar não uma visão passadista da vida deste dirigente comunista, mas um exemplo de uma fascinante vida de luta abnegada que interessa a todos aqueles que - comunistas e não comunistas - lutam hoje por um futuro melhor para todos, por um Portugal justo e soberano no dia de amanhã.
A Comissão Concelhia de Ovar do PCP agradece sinceramente a presença de todos os convidados e entidades no evento, bem como de todos aqueles que, não podendo vir, enviaram uma mensagem de saudação.
Ovar, 22 de Junho de 2013
A Comissão Concelhia de Ovar do PCP
A Comissão Concelhia de Ovar do PCP
Álvaro Cunhal e a luta pela emancipação da mulher
Intervenção de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral do PCP, Lisboa,
na sessão
«Álvaro Cunhal e a luta pela emancipação da mulher»
O
PCP, pelos seus objectivos, pelo seu programa e acção se colocou e coloca na
vanguarda na luta pela emancipação da mulher
Sábado 22 de Junho de 2013
Na sessão que assinalou «Álvaro Cunhal
e a
luta pela emancipação da mulher»,
Jerónimo de Sousa, referindo que
""a obra, as análises sobre a situação
das mulheres e a
participação" de Álvaro Cunhal"
na vida colectiva mantêm-se
com
redobrada actualidade e o seu conhecimento
é de uma grande importância no
combate
que travamos pela igualdade e emancipação da mulher.
Música com paredes de vidro, em Ourém
Esta nossa (pessoal... mas não só) semana será muito marcada por este acontecimento... marcante, que a culminará!
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“Música com Paredes de Vidro”
Sede
da AMBO, OURÉM
Rua
25 de Abril, 14
30 de
Junho de 2013,
17,00 horas
Concepção
do concerto, articulação de imagens, recriação livre de melodias rústicas
portuguesas, canções do repertório revolucionário internacional e nacional e
uma “Música Festiva”, de Fernando Lopes Graça, dedicada a Álvaro
Cunhal, por:
Carlos Canhoto
Fausto Neves
Manuel Pires da
Rocha
PROGRAMA
I
FERNANDO
LOPES-GRAÇA (1906-1994)
Melodias Rústicas Portuguesas
para Piano a 4 Mãos
op.211
1. Canto
do S. João
2. Este
ladrão novo…
3. Deus
te salve, ó Rosa
4.
S´nhora da Póvoa
5.
Oração de S. José
6.
Pastoril Transmontano
8.
Canção do berço
9. Ó da
Malva, ó da Malvinha!
10. Martírios
11. Maragato Son
II
Três Canções Revolucionárias
Internacionais
para
Violino, Saxofone e Piano
III
FERNANDO
LOPES-GRAÇA
Música Festiva op. 153 nº23
(“Nos
80 anos do grande camarada
e
amigo Álvaro Cunhal”)
IV
Três
Canções Revolucionárias Portuguesas
para Violino, Saxofone e Piano
Músicos:
Carlos Canhoto, saxofones soprano e
contralto
Fausto Neves, piano
Joana Resende, piano
Manuel Pires da Rocha, violino
0-----0-----0
Concerto da iniciativa da comissão
concelhia do PCP,
sala cedida pela AMBO-Banda
de Ourém, R. 25 de Abril, 14
John Catalinotto - "uma lição política habitada por humanos"
“Até Amanhã, Camaradas”, uma lição política habitada por humanos
John
Catalinotto Publicado em “odiario.info”
O odiario.info prossegue a publicação de testemunhos acerca da figura de Álvaro Cunhal no ano do seu centenário. Num belo artigo, John Catalinotto aborda o romance que é a mais notável realização literária de Álvaro Cunhal/Manuel Tiago. E que é também, seguramente, uma das grandes narrativas da literatura universal sobre a acção revolucionária do proletariado.
Ouvi falar de Álvaro Cunhal pela primeira vez depois da Revolução Portuguesa de 1974. E de Manuel Tiago, o seu alter-ego literário, passados mais de 30 anos. Em 2004 eu aceitara uma oportunidade de contribuir com artigos políticos dos EUA para o Avante!. Pensei que ler os romances de Cunhal / Tiago seria uma boa forma de aprender português, bem como de obter algum conhecimento acerca do Partido Comunista Português.
Nada melhor para este conhecimento do que este romance clássico sobre a preparação de uma greve geral na província do Ribatejo, a noroeste de Lisboa, em 1944, e sobre os seres humanos que a organizaram e levaram a cabo. Fizeram-no sob condições de ilegalidade impostas por uma ditadura fascista. Era fácil aceitar que Cunhal conhecia o modo como os seus camaradas desempenhavam as suas tarefas. Seria possível que alguém que era secretário-geral de um dos maiores e mais eficientes partidos comunistas da Europa tivesse de alguma forma encontrado o tempo e energia para escrever um romance credível habitado por humanos?
Apenas poderemos assumir que durante os mais de quinze anos que Cunhal passou em isolamento na prisão (quando não podia fazer o que os líderes partidários fazem todos os dias), Tiago imaginou como iria escrever os seus romances. Que tarefa sublime têm que desempenhar aqueles que constroem um partido comunista: começar com seres humanos com todas as suas forças e fraquezas, o medo e a coragem, as suas faltas e talentos, para chegar a uma realização capaz de lutar contra a classe dirigente opressora com séculos de domínio por trás de si. O desafio é ligar estes indivíduos de modo a que o seu conjunto resulte mais forte do que a mera soma das suas partes.
Somos apresentados primeiro aos indivíduos. Um dirigente totalmente abnegado e dedicado que, contudo, não é capaz de se ligar emocionalmente aos seus camaradas e de compreender de que modo há-de obter o melhor do seu potencial. Um jovem e dedicado organizador, a começar a vida clandestina, que conta uma mentira muito sorrateira à mulher estipulada para trabalhar com ele porque está apaixonado por ela. Um camarada totalmente desprovido de disciplina partidária (absolutamente necessária para o trabalho no partido) que, no entanto, recusa denunciar ao inimigo sob tortura. Trabalhadores rurais sem grande educação formal, ou mesmo na política do partido, mas que ganharam a confiança dos seus colegas e estão destinados a conduzi-los na luta. Um pequeno-burguês verdadeiramente enervante, um advogado, que, apesar das suas fraquezas e receios presta importantes contribuições materiais. Uma mulher que age de forma um pouco demente de modo a desviar a polícia política fascista (a PIDE) da captura de um dirigente dos trabalhadores agrícolas.
No curso do planeamento de uma greve geral na região, vemos como estes indivíduos trabalham juntos, onde se encontram, em que discordam, e como o PCP se implanta naquela região de Portugal. Não vou tentar contar esta história, a não ser para a relacionar com um episódio que permanece na minha memória, e reflectir sobre uma conclusão da última parte do romance. Acredito que estas lições são importantes para quem quer que permaneça activo hoje, num momento em que a classe dirigente foi bem-sucedida em diabolizar a própria ideia de um partido político com trabalhadores disciplinados.
Num momento em que o apelo à greve é divulgado pela primeira vez, dois trabalhadores da região perguntam a dois dos organizadores, ambos membros do PCP, quem está por trás da greve. “É o PCP que está a organizar a greve?”, perguntam. Os membros são cautelosos, preocupados com a possibilidade de assustar os trabalhadores e afastá-los se admitirem a verdade. Tentam evitar a questão, mas não conseguem. Finalmente admitem que o PCP está por trás do apelo. Os trabalhadores mostram-se aliviados, agora que sabem que a greve será a sério e organizada para ter a máxima força. É essa a reputação do PCP.
A greve é bem-sucedida e consegue mobilizar a grande maioria dos trabalhadores na região. No entanto, a polícia fascista consegue esmagá-la pela força. Muitos dos seus líderes são capturados, aprisionados, torturados. Alguns são assassinados, incluindo o camarada que é talvez o melhor dirigente político. Outros têm que fugir ou esconder-se. A organização regional parece ter caído por terra. Neste tempo anterior aos telemóveis e à Internet, não há contacto com a direcção do PCP em Lisboa.
Meses depois de a greve ser travada, os dirigentes do Partido em Lisboa conseguem finalmente retomar contacto. Contam ter de enviar novos dirigentes, para reconstruir a organização. Mas o impacto da greve e da repressão não é o que esperavam. Apesar do terror da polícia, as massas de trabalhadores têm mais confiança na sua própria força. Também ganharam mais confiança na dedicação e seriedade do Partido. Os restantes dirigentes uniram-se e restabeleceram a organização. Promovem heróicos dirigentes junto das bases para serem líderes da estrutura regional do Partido. O Partido sofreu pesadas baixas… Mas está mais forte que anteriormente. Não foi no facto de terem conseguido evitar baixas, mas no reforço da luta, que os trabalhadores e o seu partido ganharam força.
Para além disso, uma camarada, frustrada pelo seu papel como coadjuvante e encarregada da casa clandestina, que sofrera uma tragédia pessoal digna de qualquer história de amor não correspondido ou impossível, é reconhecida pelo partido como dirigente. É destacada noutra região para treino e direcção política. Talvez isto assinale o proveito mais relevante da greve, o reconhecimento do contributo das mulheres e a duplicação do número de potenciais dirigentes políticos.
Cunhal poderia ter escrito estas lições num panfleto. O romance de Tiago torna-as ainda mais credíveis.
* Há muitas outras avaliações que podem ser feitas da vida de Álvaro Cunhal. Preferi limitar este artigo de memória a trazer ao conhecimento das pessoas, em todo o mundo, um contributo diferente, deste dirigente comunista. Para os leitores de língua inglesa, existe em vídeo a série, falada em português, com opção de subtítulos em inglês, que consiste na adaptação do livro e apresenta a história de Até Amanhã, Camaradas(título em inglês: Until Tomorrow, Comrades).
Nova Iorque
13 de Junho de 2013
Tradução: André Rodrigues P. Silva
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