«Álvaro Cunhal é uma personalidade marcante, em Portugal e no mundo

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Depoimento/extrato de António Pina


Uma das «Estelas» de Victor Segalen, intitulada «Libation Mongole»,* fala de um guerreiro inimigo aprisionado no final de uma batalha a quem, por se ter batido com grande coragem, é proposto que se passe para o lado dos vencedores. É um texto admirável sobre lealdade e a inteireza de carácter: «Cortámos-lhe as pernas pelos joelhos […]. / Cortámos-lhe os braços […]. / Fendemos-lhe a boca de orelha a orelha: com o olhar, continuou a dizer-nos que permanecia fiel. / Não lhe espetemos os olhos como se faz aos cobardes. Em vez disso, cortemos-lhe respeitosamente a cabeça, derramemos o koumys dos bravos, & esta libação: / Quando renasceres, Tch’en Houo-chang, dá-nos a honra de renascer entre nós

Primeiro parágrafo do depoimento de Manuel António Pina sobre Álvaro Cunhal no livro Retratos de Álvaro Cunhal’ de José da Cruz Santos, editado pela Afrontamento.

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* - Libation Mongole*
C'est ici que nous l'avons pris vivant. Comme il se battait bien nous lui offrîmes du service : il préféra servir son Prince dans la mort.
Nous avons coupé ses jarrets : il agitait les bras pour témoigner son zèle.
Nous avons coupé ses bras : il hurlait de dévouement pour Lui.
Nous avons fendu sa bouche d'une oreille à l'autre : il a fait signe, des yeux, qu'il restait toujours fidèle.
Ne crevons pas ses yeux comme au lâche ; mais tranchant sa tête avec respect, versons le koumys des braves, et cette libation :
Quand tu renaîtras, Tch'en Houo-chang, fais-nous l'honneur de renaître chez nous.

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